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Mães portuguesas lideram protestos contra reabertura das escolas
Luxemburgo 5 min. 06.05.2020 Do nosso arquivo online

Mães portuguesas lideram protestos contra reabertura das escolas

Mães portuguesas lideram protestos contra reabertura das escolas

Foto: Guy Jallay
Luxemburgo 5 min. 06.05.2020 Do nosso arquivo online

Mães portuguesas lideram protestos contra reabertura das escolas

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Através de duas petições públicas e uma carta aberta ao governo as três residentes no Luxemburgo tornaram-se a voz de quase 24 mil pais de alunos que pedem o regresso às aulas só em setembro. Uma delas vai reunir-se com o ministro da Educação em breve.

Lídia Garcias, Tânia Pragana e Elisabeth Machado, são as três portuguesas, e decidiram mobilizar os pais dos alunos do Luxemburgo a manifestarem-se contra o regresso às aulas dos seus filhos este mês, por ser "prematuro" e um "risco sério". Através de duas petições públicas e de uma carta aberta aos ministros, estas portuguesas são a voz de mais de 23.700 pessoas, "a quase totalidade são pais de alunos" que pedem a reabertura das escolas só em setembro.

Lídia Garcias, mãe de Bruna de 21 meses, é a autora da petição 1.550, inscrita na Câmara dos Deputados, intitulada "a abertura de todas as escolas, escolas secundárias, creches, centros de dia e 'maison relais' apenas em setembro, para proteger todas as crianças".

Lídia Garcias, mãe de uma bebé de 21 meses, é a autora da petição 1.550.
Lídia Garcias, mãe de uma bebé de 21 meses, é a autora da petição 1.550.
Foto: DR

Em 36 horas, a petição conseguiu as assinaturas necessárias, as 4.500, para ser debatida no parlamento. Atualmente, já ultrapassa as 6.500 assinaturas. No dia seguinte, a portuguesa Lídia Garcias vai-se reunir com o ministro Claude Meisch para lhe dar a conhecer a opinião, os cerca de 23. 700 pessoas que assinaram.

Aos subscritores da petição 1.550, a oficial, juntam-se as mais de 17.600 assinaturas de petição de Tânia Pragana, intitulada "Não à reabertura das escolas e liceus em maio, há que proteger os nossos filhos, irmãos, etc", inscrita no site Change.org, um site não oficial, e que não obriga o Parlamento a discutir o seu conteúdo.

Tânia Pragana conta que apelou a todos quantos assinaram a sua petição, "praticamente todos são pais de alunos, mas houve também professores, outros familiares, como irmãos mais velhos e outras pessoas", para assinarem também a petição de Lídia Garcias, a oficial, para que as suas vozes fossem ouvidas. Tânia que é irmã de um estudante de 15 anos, com saúde frágil. diz-se muito feliz com a adesão à sua petição. Contudo, Lídia Garcias assume ao Contacto: "Vou representar os que assinaram a minha petição e, mas também a de Tânia Pragana que representa mais de 17.600 pessoas que defendem a mesma posição".


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O dossier que será entregue dia 7 de maio, ao ministro Claude Meisch, por Lídia Garcias, mãe de uma bebé de 21 meses, já está preparado. Lá dentro estão páginas e páginas com as dúvidas dos pais sobretudo "como as creches e as escolas se vão organizarem para prevenir o contágio no meio escolar". "Agora é muito arriscado. Até setembro haverá mais tempo para conhecer melhor a doença e organizar as escolas de forma muito mais segura contra o vírus", defende Lídia Garcias.

Já falou com "associações e organizações diversas de alunos e professores e com os sindicatos" e, diz que tem recebido diariamente mensagens de muitos e muitos pais "a agradecer a petição e a apresentarem as suas dúvidas". "Estou muito contente por o ministro me receber, significa que está atento à nossa opinião. Esta reunião já é uma batalha ganha", diz.

Sobretudo, para "os mais pequenos que frequentam as creches, como a minha filha, ou para os alunos da escola primária será muito mais difícil levá-los a cumprir as regras de proteção". E dá exemplos: "Como assegurar que as crianças não se aproximam umas das outras? E se querem colo das educadoras, mas agora não podem ter? Isto vai traumatizar as crianças". E lembra: "A minha filha já veio para casa com a chucha de outro colega. E se fosse agora?"


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Lídia Garcias vai apelar ao ministro "para não haver riscos desnecessários para a saúde de todos", evitar o aumento de infeções e "uma segunda vaga da epidemia". "Há tempo para o Governo voltar atrás nesta decisão", alega porque as creches e primárias só abrem a 25 de maio e o secundário dia 11.

Esta semana foi a vez de Elisabeth Machado escrever uma carta aberta ao Governo contra a obrigatoriedade de os alunos voltarem agora às escolas. Intitulada "Senhoras e Senhores Ministros: Um regresso obrigatório à escola não é legalmente justificado nem justificável!", o documento defende que este retorno às aulas "deve ser facultativo porque, sem as garantias necessárias, a nível jurídico não pode ser obrigatório". Elisabeth Machado diz ao Contacto que esta é a sua posição "como mãe de dois alunos" adolescentes, quer proteger do "risco sério e grave que os meus filhos e todos os alunos e adultos correm ao voltar à escola ainda com a pandemia ativa".

Esta mãe é clara: "Nas escolas, não estão ainda garantidas todas as medidas para a máxima segurança e de proteção contra este vírus que é altamente contagioso e perigoso. Alunos, pais, família, professores e funcionários da educação podem ser infetados". Ou seja, "quase metade da população do país fica em risco de contrair a doença". "Os pais é que têm de decidir se os seus filhos voltam à escola, e os que o permitem estão dispostos a aceitar os riscos", defende.

Do mesmo modo, frisa Elisabeth Machado, "em caso de obrigatoriedade, o Governo impõe aos alunos, mais os pais, famílias, professores e todos os funcionários a exporem-se a riscos sérios. Se os mesmos se verificarem, incumbirá ao estado assumir a responsabilidade".

O ministro da Educação anunciou na terça-feira, dia 5, que cabe aos pais das crianças até aos três anos decidirem se os seus filhos regressam ou não à creche. Os pais que optarem por manter os filhos em casa vão continuar a receber a licença por razões familiares, garantiu o ministro.

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