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Luxemburgo vai ter de reforçar métodos de reciclagem de plástico
Luxemburgo 4 min. 17.10.2020

Luxemburgo vai ter de reforçar métodos de reciclagem de plástico

Luxemburgo vai ter de reforçar métodos de reciclagem de plástico

Foto: Pierre Matgé
Luxemburgo 4 min. 17.10.2020

Luxemburgo vai ter de reforçar métodos de reciclagem de plástico

Cerca de 19 500 toneladas de plástico foram parar ao caixote do lixo doméstico.

Até 2025, 50% dos resíduos plásticos terão de ser reciclados. Uma decisão tomada a nível europeu e que foi introduzida na legislação luxemburguesa.

Os números não são alarmantes, mas há mudanças estruturais a serem feitas na capacidade de reciclagem do Grão Ducado. De acordo com a organização Valorlux, no Luxemburgo reciclaram-se 59% das embalagens de plástico até 2019, mas os critérios de reciclagem vão ser reforçados no futuro. 

De acordo com os dados do relatório da organização, há ainda muito trabalho a ser feito no Grão Ducado, já que cerca de 19 500 toneladas de plástico foram parar ao caixote do lixo doméstico.

Numa tentativa de materializar soluções, a Valorlux está a desenvolver um segundo projeto-piloto, o The Blue Bag - Saco Azul em português - um sistema que facilita a reciclagem doméstica. 

De acordo com o gabinete de engenharia que supervisiona o projeto, a recolha é mais eficiente quando se recolhem resíduos diretamente das casas das pessoas, enquanto que os resultados da entrega nos centros de reciclagem não são tão satisfatórios. A recolha porta-a-porta deve, portanto, ser reforçada. 


Existem cerca de 16 milhões de toneladas de microplástico no fundo do mar
Novas investigações mostram que a quantidade de fragmentos incrustados no fundo do mar é muito maior do que o plástico a flutuar na superfície do oceano.

Outra ideia apela também à expansão dos centros de reciclagem em todo o país, a fim de proporcionar mais incentivos aos cidadãos para deixarem os seus resíduos plásticos. No entanto, segundo a RTL, o diretor da Valorlux não vê esta última ideia de uma forma totalmente positiva, já que 10 mil toneladas de plástico são recolhidas porta-a-porta enquanto os vários centros atingem 1000 toneladas, pelo que a capacidade dos centros de reciclagem teria de ser multiplicada por dez para alcançar o mesmo resultado, sem esquecer que isto significa mais recursos investidos para os cidadãos e que muitas pessoas não estão motivadas para fazer este esforço extra. 

A ministra do Ambiente, porém, parece favorecer a solução dos centros de reciclagem, porque a separação dos materiais deve ser feita de forma séria, com infra-estruturas devidamente equipadas. 

Carole Dieschbourg, segundo a RTL, é de opinião que deve ser estabelecida uma cooperação com os municípios a fim de controlar o que é recolhido, como é recolhido e a acessibilidade dos centros com calendários adaptados aos cidadãos. 

Para além da capacidade dos centros, o diretor da Valorlux sublinha igualmente a evolução dos critérios de reciclagem que se tornarão cada vez mais rigorosos no futuro. Segundo ele, será necessária ainda mais recolha e reciclagem se o Luxemburgo quiser atingir as taxas impostas pela Europa.  A sua opinião é fundamentada por evidências como os dados de 2018, em que 17% dos resíduos domésticos consistiram em embalagens de plástico que poderiam ter sido recicladas.

65% do lixo doméstico será reciclado até 2035

A ministra do Ambiente, Carole Dieschbourg, apresentou em setembro, as linhas gerais de uma estratégia de "desperdício zero" para o Luxemburgo. "Não queremos armazenar resíduos domésticos em aterros até 2030”, disse. 

Dieschbourg garantiu a implementação de medidas concretas a médio prazo, que visam atingir dois grandes objetivos: a proporção de lixo doméstico que é reciclado deve aumentar de 50%, nos dias de hoje, para 65% até 2035. No caso dos resíduos de embalagens, essa proporção deve chegar a 70% até 2030.      

"Um dos principais pilares desta estratégia é a prevenção de produção de resíduos, sobretudo através da promoção de medidas que incentivem a reutilização", afirma o Ministério do Ambiente em comunicado, com o intuito de atingir uma economia circular a nível nacional.           

Para tal, algumas directivas europeias relativamente à gestão de resíduos e à redução das embalagens devem entrar em vigor em solo luxemburguês. A título de exemplo, um depósito geral de embalagens de bebidas será introduzido, além do vidro, como acontece agora. Latas e garrafas de plástico também serão devolvidas mediante o pagamento de uma taxa. O objetivo é impedir a acumulação de lixo que se generalizou nos últimos anos. "Ainda temos que concordar com os fornecedores da Bélgica e Países Baixos", disse Dieschbourg, uma vez que a maioria das bebidas vendidas no Luxemburgo são provenientes da Bélgica. 

Para atingir este objetivo, a Agência Ambiental tem realizado também workshops com especialistas da indústria de resíduos destinados aos cidadãos.  

Multas mais pesadas

As multas por crimes ambientais e disposição ilegal de lixo serão aumentadas significativamente. Com a nova lei de resíduos, a multa pode aumentar de 49 para 145 euros. 

 No que diz respeito à construção, já não se tratará apenas da construção de edifícios de baixo consumo energético. A partir de 2025, haverá um registo de materiais e também deverá ser criado um mercado para a reutilização destes materiais usados na construção. 


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