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Luxemburgo tem os professores mais bem pagos do mundo
Luxemburgo 4 min. 19.09.2019

Luxemburgo tem os professores mais bem pagos do mundo

Luxemburgo tem os professores mais bem pagos do mundo

Photo: Gerry Huberty
Luxemburgo 4 min. 19.09.2019

Luxemburgo tem os professores mais bem pagos do mundo

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
OCDE mostra salários destes profissionais em mais de 36 países. Mesmo assim, docentes do Grão-Ducado têm queixas a fazer. "A situação é grave".

No Grão-Ducado, um educador de infância, no seu primeiro ano de trabalho, ganha 67.311 euros, enquanto um professor no topo de carreira recebe 132.603 euros por ano.

Estes são os valores mais altos pagos a um professor em todo o mundo, segundo o relatório ‘Education at a Glance’ de 2019, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que traça um profundo retrato sobre a educação na sua vertente económica e social.

Este documento, com cerca de 500 páginas, inclui a análise dos países da UE, dos 36 países da OCDE e de parceiros desta organização.

As diferenças para outros países

E o que um educador de infância do Grão-Ducado ganha no seu primeiro ano de trabalho, os 67.311 euros, é superior ao que os docentes que estão no escalão mais alto da carreira ganham em muitos outros países economicamente desenvolvidos, como os EUA (65.472 euros) o Canadá (60.888 euros), ou Austrália (59.312 euros). Isto mesmo mostram os dados recolhidos pela OCDE relativos aos salários dos professores de cada país.

A Lituânia é o país onde estes profissionais são mais mal pagos: um professor de topo de carreira recebe 19.651 euros por ano, e um educador de infância sem experiência aufere 11.698 euros anualmente.

Onde se paga melhor a seguir ao Grão-Ducado?

Quanto aos países onde os professores no topo de carreira são mais bem pagos, ao Luxemburgo segue-se a Suécia, que mesmo assim vem distante com salários de 101. 587 mil euros, a Coreia, e a Holanda.

Photo: Pierre Matgé

Contudo, em relação aos docentes com 15 anos de experiência no ensino no primário e no secundário, os que auferem um melhor salário a seguir ao Luxemburgo, são a Alemanha, o Canadá, a Holanda e a Austrália.

Classes com menos alunos

Se no Grão-Ducado é onde estes profissionais ganham melhor, também têm a sorte de terem classes com menor número de alunos entre os países analisados. No ensino primário, existem em média cerca de 16 crianças por classe, quando a média da UE é de 20 e a da OCDE de 21, já no secundário o número sobe para 19, muito mais perto da média.

Mais horas de ensino

Em relação ao número de horas de ensino, o Luxemburgo encontra-se na metade dos países onde os professores passam mais horas, por ano, na sala de aula. 

Nas classes primárias, por exemplo, os professores passam em média 809 horas na sala de aula, contra o campeão Costa Rica, com 1188 horas, mais horas que a Alemanha (743) e do que a França (684) e do que Portugal (612). O mesmo se passa no secundário.

Mais gastos com alunos

Photo: Pierre Matgé

Luxemburgo é também o país onde mais se gasta por aluno. No pré-escolar em média, o valor anual é de 18.535 euros por cada criança, enquanto na universidade sobe para 44.231 euros por estudante, isto segundo dados de 2015.

Numa escala mais alargada, os gastos por aluno no período entre os seus 6 anos e os 15 anos, rondam os 180 mil euros. Mais 35% do que a Áustria que vem em segundo lugar.

Por comparação, em Portugal, no ensino primário os gastos com cada aluno são cerca de 6600 euros, enquanto com os estudantes universitários sobem para 10.554 euros.

Menor percentagem do PIB

Curiosamente, e apesar do país gastar muito com a educação, o Luxemburgo é o dos países que dedica menor percentagem do seu PIB, entre 3% a 4% ao financiamento das instituições de ensino, quando a média da OCDE é de 5%, isto segundo dados de 2015.

Os protestos e a desmotivação dos professores

Apesar de serem os mais bem pagos do mundo, os professores do Grão-Ducado não estão totalmente felizes.

Sentem-se desmotivados, “não reconhecidos” e que a sua profissão é “stressante ou muito stressante”. Além de acusaram o governo de “falta de respeito”. 

Pierre Matgé

Estas são as conclusões de um inquérito feito junto de 370 professores do ensino secundário realizado pelo sindicato dos professores do SEW/OGBL e cujas conclusões foram anunciadas na véspera do começo do novo ano letivo. 

Embora esta amostra não seja representativa, o sindicato lembra que chegou às mesmas conclusões do inquérito realizado o ano passado.

A falta de professores e de infraestruturas de qualidade impedem que o ensino decorra como deve ser, vincou Patrick Arendt, presidente do SEW. Os professores estão também contra a diminuição do número de horas destinadas aos alunos com dificuldades. "A situação é grave", vinca este sindicalista.

Postos de parte 

“Aqui a questão não é salarial. O dinheiro não é tudo”, vinca ao Contacto, Eduardo Dias, do Departamento dos Imigrantes da central sindical OGBL.

“Os professores sentem-se postos de parte pelo governo. Querem participar na discussão sobre as mudanças e alterações do sistema educativo, mas não estão a ser convidados. Está tudo a ser feito sem os consultar”, diz este representante sindical, sublinhando que nos últimos anos, as reformas levadas a cabo no ensino “não terão sido as melhores”. 

“Quem faz o ensino são os professores”, lembra este sindicalista. 

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