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Luxemburgo regista três casos de crianças com a inflamação grave ligada à covid-19
Luxemburgo 3 min. 01.05.2020 Do nosso arquivo online

Luxemburgo regista três casos de crianças com a inflamação grave ligada à covid-19

Luxemburgo regista três casos de crianças com a inflamação grave ligada à covid-19

Luxemburgo 3 min. 01.05.2020 Do nosso arquivo online

Luxemburgo regista três casos de crianças com a inflamação grave ligada à covid-19

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
"Não há razão para pânico mas pais e médicos têm de estar vigilantes", vincam as especialistas Kerstin Wagner e Isabel De La Fuente. As crianças foram internadas, já tiveram alta e estão bem. As médicas explicam os sintomas deste choque inflamatório.

Crianças de vários países da Europa, nomeadamente do Luxemburgo, têm desenvolvido uma inflamação grave vascular e cardíaca ligada à infeção pelo novo coronavírus, que obriga sempre ao internamento, algumas vezes, nos cuidados intensivos.

Os casos são raros, as “crianças recuperam bem”, mas os pais e médicos “têm de estar vigilantes” quanto a esta inflamação, declara ao Contacto a cardiologista pediátrica Kerstin Wagner, do Centro Hospitalar do Luxemburgo (CHL). O mesmo conselho é dado pela pediatra Isabel De La Fuente da Kannerklinik do CHL.

Estes sintomas inflamatórios vasculares são conhecidos por doença Kawasaki, uma patologia rara pediátrica, que surge habitualmente ligada a outras doenças virais. “A covid-19 pode despoletar esta reação inflamatória grave nas crianças”, explica Kerstin Wagner.


Covid-19. Aumento de casos graves em crianças preocupa médicos
Os ministros da Saúde francês e britânicos anunciaram que estão a ser internadas crianças com inflamações vasculares graves, desconhecendo se serão novos sintomas ligados ao coronavírus.

Os casos do Luxemburgo

No Luxemburgo, já houve três casos de crianças diagnosticadas com Kawasaki associada à covid-19.

Um bebé de oito meses, e duas crianças, uma de 8 anos e outra  de 10 anos, que necessitaram todos de ser internados, um deles teve de ficar 24 horas nos cuidados intensivos para tratar esta inflamação vascular, que afeta sobretudo os músculos do coração, as veias coronárias e que pode deixar sequelas graves, explica a cardiologista pediátrica.

Em duas destas crianças, os testes de despistagem da covid-19 deram positivo, noutro caso, não acusou a doença, mas Kerstin Wagner, salienta que a criança apresentava os sintomas típicos da infeção pelo novo coronavírus. “Por vezes nas crianças os testes não detetam a infeção porque a carga viral nos mais pequenos é muito baixa”.

Estes casos surgiram desde o início de abril, tendo as crianças ficado cerca de “uma semana” internadas. “Elas reagiram bem e rapidamente ao tratamento pelo que ao fim de sete dias tiveram alta hospitalar e estão bem”, refere Wagner.

Febre alta mais de 5 dias

Desde há duas semanas que não são diagnosticados novos casos, “acreditamos que eles surgiram no pico da epidemia no Luxemburgo que já terá passado”, indicam ambas as especialistas.

“Quando os casos surgiram lançámos logo o alerta entre médicos do país para estarem atentos a esta inflamação grave nas crianças”, dizem.

O principal sintoma da Kawasaki é a “febre contínua por mais de cinco dias”.

 Por isso, Kerstin Wagner e Isabel De La Fuente aconselham os pais a “consultar o seu médico em caso das crianças terem febre alta por mais de 72 horas, ou em caso de alteração do estado geral da criança”. 

Caso seja a inflamação Kawasaki é essencial que a criança seja internada a tempo para recuperar bem e não ficar com sequelas no coração que podem ser graves e originar enfartes do miocárdio”, alerta a cardiologista pediátrica.

Médicos conhecem bem a doença

“Não há razão para pânicos, mas há que estar vigilante”, declararam ambas as especialistas vincando que os casos desta inflamação são raros. “Cinco casos, em média, por ano, no Luxemburgo”, indica a cardiologista. Ao que Isabel De La Fuente acrescenta: “Trata-se de uma doença que os médicos no Luxemburgo conhecem bem pelo que estamos todos atentos e sabemos tomar conta dos casos”.


OMS investiga possíveis ligações com doença inflamatória infantil
A Organização Mundial de Saúde (OMS) está a investigar possíveis ligações entre a covid-19 e uma doença inflamatória grave que afeta crianças, mas salientou que, por enquanto, os casos são “muito raros”.

O síndroma Kawasaki afeta sobretudo crianças “com menos de cinco anos” e está estudado que as asiáticas são as mais suscetíveis de desenvolver a patologia. “Um dos casos no Luxemburgo foi precisamente de uma criança de origem asiática”, conta Kerstin Wagner.

A novidade da Kawasaki ligada à covid-19 que tem surgido em crianças de vários países da Europa, é que agora parece estar a afetar crianças com mais de cinco anos, explica Kerstin Wagner.

Casos idênticos em outros países 

 Em França, foram diagnosticados 20 casos de choque Kawasaki, na grande maioria das vezes em crianças infetadas com covid-19. As autoridades de saúde do Reino Unido também revelaram a existência destes casos lançando uma recomendação aos médicos para estarem vigilantes. 

Portugal também tem um caso suspeito, como confirmou a diretora-geral da Saúde Graça Freitas.  A responsável declarou haver um doente pediátrico “pelo menos parecido com os que têm sido descritos na literatura médica”, contudo,  ainda “carece de caracterização para ver se é igual às outras reportadas”.  

Espanha, Itália, Suíça, Bélgica também reportaram casos idênticos que estão a surgir nas crianças.

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Esta será uma das grandes dúvidas dos pais, sobretudo dos mais pequenos, nos próximos meses, por causa dos sintomas semelhantes. Duas pediatras especializadas, do Kannerklinik, Luxemburgo, e do Hospital de Santa Maria, Portugal, dão a resposta e os conselhos mais importantes.