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Luxemburgo. "Poderemos ter de ficar em casa durante 45 dias"
Luxemburgo 3 min. 19.03.2020 Do nosso arquivo online

Luxemburgo. "Poderemos ter de ficar em casa durante 45 dias"

Luxemburgo. "Poderemos ter de ficar em casa durante 45 dias"

Luxemburgo 3 min. 19.03.2020 Do nosso arquivo online

Luxemburgo. "Poderemos ter de ficar em casa durante 45 dias"

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Para evitar o risco de uma segunda vaga da epidemia, após o pico, o tempo de confinamento deverá ser aumentado, explica ao Contacto uma especialista em política de saúde.

O governo do Grão-Ducado está em estado de emergência e impôs o "confinamento em casa dos seus habitantes até ao dia 29 de março", para diminuir o contágio do coronavírus Covid-19 que está em fase acelerada no país.

"Daqui a 14 dias deveremos atingir o pico da epidemia, se a sua curva no Grão-Ducado for semelhante à dos outros países", lembra ao Contacto Marie-Lise Lair (foto em baixo), a conceituada especialista em políticas de saúde no Luxemburgo e consultora do governo nesta área.

Foto: MSAN

"Até lá o confinamento em casa é fundamental para conter a epidemia e diminuir o número de pessoas infetadas", mas mesmo depois de o pico passar, a epidemia não desaparece por magia. Os casos de infeção vão continuar a surgir, embora em menor número. 


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Evitar uma segunda vaga

"Após o pico não podemos retomar logo a nossa vida normal. Temos de ir com segurança, para não haver risco de recontaminação da população, e de surgir uma segunda vaga de epidemia no país", alerta esta especialista. 

Embora o Estado de Emergência tenha sido decretado por três meses no Grão-Ducado, o governo estipulou que o "confinamento dura 15 dias, por agora, para a população em geral", lembra Marie-Lise Lair. 

"Mas provavelmente este isolamento será alargado, depende da evolução da epidemia. Poderemos ter de ficar em casa, pelo menos, 30 a 45 dias para garantir que não haja uma segunda vaga do Covid-19", estimou Marie-Lise Lair sublinhando que tal período é estimado tendo em consideração o comportamento da doença nos países onde o vírus chegou mais cedo.

"A população tem de estar preparada para este isolamento que pode ser longo, temos de nos organizar, não podemos deixar que as pessoas mais velhas fiquem deprimidas, os jovens têm de continuar os seus estudos, temos de continuar a viver, segundo as medidas impostas, e respeitando-as", considera a também autora do estudo "Etat des lieux des professions de santé au Luxembourg", encomendado pelo Ministério da Saúde e apresentado em 2019. 


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 "Respeitem as medidas"

Respeitar rigorosamente as medidas de prevenção continua a ser a melhor arma contra a infeção desta doença: "Protejam-se porque assim protejam os outros. Respeitem o máximo as medidas, ficar em casa é o melhor. Mesmo se tiverem vontade de passear, se tiver sol, pensem: a vida vai voltar".

"Mesmo se ficarmos em casa tanto tempo, não vamos morrer, pelo contrário vamos viver", declara Marie-Lise Lair. Se a epidemia seguir o curso dos outros países provavelmente "só daqui a 45 dias, pelo menos", poderemos começar a pensar em voltar às nossas rotinas habituais. 

O facto do confinamento da população ser de duração inferior ao do Estado de Emergência prende-se com a necessidade dos governos, mesmo após o recomeço das rotinas das pessoas, adotarem medidas para repor a economia e outras áreas sociais que estiveram em suspenso durante a crise da pandemia, explicou Marie-Lise Lair.  Tudo isto são previsões, alertou a especialista, porque a verdade é que este novo coronavírus é totalmente diferente dos anteriores coronavírus e outros vírus, pelo que não podemos traçar cenários com base nas experiências passadas. É tudo novo.

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