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Luxemburgo. Nem a crise do coronavírus faz baixar o preço das casas
Luxemburgo 4 min. 10.04.2020 Do nosso arquivo online

Luxemburgo. Nem a crise do coronavírus faz baixar o preço das casas

Luxemburgo. Nem a crise do coronavírus faz baixar o preço das casas

Luxemburgo 4 min. 10.04.2020 Do nosso arquivo online

Luxemburgo. Nem a crise do coronavírus faz baixar o preço das casas

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
No Grão-Ducado e em Portugal, irá haver uma travagem no crescimento do custo das habitações, mas não uma descida dos valores, prevêem os especialistas. Ou seja, vão continuar altos.

Enquanto no Luxemburgo o mercado imobiliário está parado, e o setor de construção entrou também em confinamento, em Portugal, sobretudo em Lisboa, as obras dos novos empreendimentos ou continuam a bom ritmo, com os sons do equipamento e as vozes dos trabalhadores a ecoarem pela capital. Contudo, também neste país o mercado imobiliário entrou em desaceleração.

Mesmo assim os especialistas estimam que nem a pandemia da covid-19 faça diminuir o preço da habitação no Luxemburgo e em Portugal.


Luxemburgo. Rendas 'loucas' obrigam portugueses a irem viver para países vizinhos
"Os que vêm morar para cá têm pena de deixar o Grão-Ducado", diz Joaquim Loureiro, de Villerupt. Ali, as rendas são "70%" mais baixas. Portugueses e luxemburgueses que se mudam para países vizinhos estão a aumentar.

Depois da crise o que irá acontecer será uma travagem no aumento dos preços, eles vão manter-se estáveis, ao contrário das grandes subidas mensais antes da pandemia, mas os proprietários e empresas não irão baixar os valores, perspetivam especialistas luxemburgueses e portugueses.

De lembrar que durante a crise o governo do Luxemburgo não suspende o pagamento das rendas, como o Contacto noticiou ontem, dia 9.

Esperar para ver 

A principal consequência da pandemia do Luxemburgo será uma forte diminuição do volume da atividade no mercado imobiliário, depois da crise. Um decréscimo que será visível nas transações com casas antigas ou a estrear.

"É possível que os potenciais vendedores prefiram esperar, antes de baixarem o seu preço de venda, e como estes vendedores são também frequentemente compradores de outras propriedades, a atividade irá necessariamente diminuir no mercado antigo", defende Julien Licheron, coordenador do Observatório da Habitação no Luxemburgo à RTL.


"No Luxemburgo só ficarão a morar os ricos"
Em 2016 62% do total dos terrenos pertenciam a 15.907 indivíduos; 18,6% estavam nas mãos de 746 empresas privadas. O restante pertencia ao Estado, municípios e promotores públicos.

O mesmo se passará em relação aos novos empreendimentos: "O adiamento de alguns projetos conduzirá também a uma redução da atividade".

Travão na aceleração

Apesar deste travão na habitual aceleração deste mercado no Grão-Ducado. “Podemos prever que aceleração muito forte deva parar, mas não há qualquer indicação de que os preços vão cair”, adianta este especialista do Liser à RTL.

Julien Licheron lembra que os preços imobiliários registaram “uma forte tendência ascendente, mais 5% por ano em média desde 2010, com uma clara aceleração nos últimos 18 a 24 meses, mais 11%, por exemplo, entre o 4º trimestre de 2018 e o 4º trimestre de 2019”. O que esperará agora quando o país se começar a recompor da crise será então, segundo este responsável, uma desaceleração da tendência de crescimento que já se observava há 10 anos.

O Luxemburgo foi o país da União Europeia onde os custos da habitação mais subiram, no quarto trimestre de 2019. Aqui, os preços aumentaram quase o triplo, em comparação com os outros estados membros.

Resistência em diminuir preços

“Não surpreende que numa primeira fase se registe uma travagem no crescimento de preços”, afirma Ricardo Guimarães, diretor da Confidencial Imobiliário, empresa de estudos estatísticos do setor imobiliário, citado pelo jornal Público.  Numa segunda fase, acrescenta, “é de esperar que os preços possam manter-se estáveis, dado haver ainda muita incerteza sobre a duração da crise pandémica, havendo resistência dos proprietários em aceitar descontos elevados”.

 Aliás, em março o mercado português já se começou a ressentir da crise do coronavírus. Os preços das casas continuaram a subir, 0,4% (gráfico em cima) mas, numa percentagem muito menor do que no mês anterior, indicam os estudos desta consultora portuguesa.  


Apartamento no Luxemburgo pode custar até 15 anos de salário mínimo
Os preços do mercado imobiliário no Grão-Ducado dispararam nos últimos dez anos, apesar da falta de habitações que se verifica no país. Um recente estudo da Fondation Idea indica que para se adquirir um apartamento de 50 m2 em 2019 são necessários o equivalente a cerca de 15 anos de salário mínimo.

Menor subida de preços em março

A subida de apenas 0,4% demonstra uma desaceleração da variação, em cadeia, face ao crescimento de 1,8% que se tinha registado em fevereiro, indica esta empresa de estatísticas, em comunicado. Esta é a variação mensal “mais baixa desde o início de 2019, altura desde a qual os preços têm apresentado aumentos mensais sempre superiores a 1%”, à exceção de Agosto (mês em que subiu 0,6%)”.

Contudo, em comparação ao mesmo mês do ano passado, março de 2019, o Índice de Preços Residenciais (IPR) elaborado pela Confidencial Imobiliário, mostra que houve um aumento de 15,6%, um crescimento dentro do padrão.

Para muitas famílias luxemburguesas e portuguesas que aguardavam por "um milagre" no mercado imobiliário, essa notícia improvável não será dada para já. Porque, segundo os especialistas, nem uma pandemia consegue descer os preços das casas.

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