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Luxemburgo não financia ensino do português
Editorial Luxemburgo 2 min. 05.05.2021

Luxemburgo não financia ensino do português

Luxemburgo não financia ensino do português

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Editorial Luxemburgo 2 min. 05.05.2021

Luxemburgo não financia ensino do português

Madalena QUEIRÓS
Madalena QUEIRÓS
Onde é que há ensino de português no ensino oficial luxemburguês, sem ser o que é organizado e financiado pelo Instituto Camões? Já era tempo de uma aposta do Governo luxemburguês em possibilitar uma opção de português nas escolas públicas do Grão-Ducado.

 Falta vontade política. O Luxemburgo não se preocupa em financiar o ensino de português nas escolas públicas do país. Atualmente, há cerca de três mil alunos a aprender a língua portuguesa no Grão – Ducado, através do sistema disponibilizado e financiado pelo Instituto Camões. Com mais de 93 mil portugueses a viver no território é pouco.

Os portugueses são a maior comunidade migrante no país, representando quase 14% do total da população. É mais de um em cada dez habitantes. Somos muitos, mas a nossa língua parece valer tão pouco no Grão-Ducado.

Poderia haver muitas soluções para este problema como criar uma secção portuguesa nas escolas públicas europeias ou garantir a opção do português nas escolas oficiais. Um esforço para garantir a multiculturalidade, num país em que 31% dos imigrantes são portugueses.

Estas são hipóteses para reforçar a integração dos portugueses, mas para isso teria que haver vontade política do governo luxemburguês.

Apostar no português é uma aposta estratégica no futuro, já que somos uma comunidade com quase 300 milhões de falantes em todo o mundo. Um grupo de países lusófonos que representa uma riqueza mundial de dois mil milhões e euros, com uma população que não para de crescer. Em 2100 seremos quase 500 milhões no planeta a falar a língua de Camões.

Portugal, um país de emigrantes que trata mal os seus imigrantes

Um relato assustador é aquele que nos chega de Odemira, em pleno Alentejo. Em causa estão as condições desumanas a que estão a ser sujeitos milhares de migrantes que trabalham na região. Trabalhadores que, como tantos portugueses, partiram para um outro país à procura de uma melhor situação económica. Estima-se que, pelo menos três mil encontraram condições de habitabilidade impróprias que os conduziram a uma epidemia de covid-19.


Explorações agrícolas no Alentejo.
Migrantes explorados em Odemira. Crónica de um problema anunciado
Casos de covid-19 em explorações agrícolas expuseram condições desumanas de alojamento dos trabalhadores migrantes.

Portugal, um país com uma diáspora de mais de dois milhões de emigrantes espalhados pelo mundo deveria receber melhor quem lá chega à procura de uma oportunidade.

Como sublinha a jornalista do Contacto, Ana Tomás “a situação não é nova mas as restrições da pandemia vieram expor o problema a uma nova luz e gerar trocas de acusações sobre a atribuição de responsabilidades”.

As autoridades estão, só agora, a investigar as redes de imigração ilegal e de tráfico humano. Esperemos que seja o início do fim desta exploração inaceitável. 

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