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Luxemburgo. Mulheres com menos de 55 anos registam anomalias após toma da vacina AstraZeneca
Luxemburgo 5 min. 23.03.2021

Luxemburgo. Mulheres com menos de 55 anos registam anomalias após toma da vacina AstraZeneca

Luxemburgo. Mulheres com menos de 55 anos registam anomalias após toma da vacina AstraZeneca

AFP
Luxemburgo 5 min. 23.03.2021

Luxemburgo. Mulheres com menos de 55 anos registam anomalias após toma da vacina AstraZeneca

Henrique DE BURGO
Henrique DE BURGO
As anomalias associadas à toma da vacina da AstraZeneca no Luxemburgo foram quase todas observadas em mulheres com menos de 55 anos.

A confirmação foi feita à Rádio Latina pela responsável de comunicação do Ministério da Saúde, Monique Putz, depois de a imprensa internacional ter revelado este fim de semana mais dois estudos que põem em causa as conclusões da Agência Europeia do Medicamento (EMA) ao insistir em relacionar a vacina da AstraZeneca com os coágulos sanguíneos potencialmente mortais em casos raros.

Depois de a EMA ter assegurado não ter provas de que a vacina AstraZeneca tenha uma ligação direta com os casos de tromboembolismo detetados na Europa, o Luxemburgo retomou na sexta-feira a vacinação com doses deste fármaco, após a sua suspensão no país durante três dias.


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Confrontada com os recentes resultados das equipas de investigadores do Hospital Universitário de Oslo, na Noruega, e do Hospital Universitário de Greifswald, na Alemanha, Monique Putz refere que "após a vacinação, foram observados casos muito raros de coágulos sanguíneos anormais com níveis baixos de plaquetas sanguíneas (componentes que ajudam o sangue a coagular) e que quase todos os casos relatados envolveram mulheres com menos de 55 anos". 

A responsável de comunicação do Ministério da Saúde reitera que "o Governo leva a segurança da vacina muito a sério e que uma vigilância rigorosa é garantida para todas as vacinas". No entanto, volta a garantir que "segundo a EMA, a vacina AstraZeneca é segura e eficaz na prevenção de hospitalizações e morte por covid-19".

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Sobre as 4.141 doses do lote de vacinas da AstraZeneca que esteve a ser investigado devido a casos de tromboembolismo detetados na Europa, Monique Putz disse ainda à Rádio Latina que foram administradas no Luxemburgo apenas às pessoas da ‘fase 2’ da campanha de vacinação.

Segundo esclareceu a responsável, as doses em causa (lote ABV5300) foram administradas às pessoas da atual fase da campanha de vacinação, ou seja, às pessoas com mais de 75 anos (fase 2a) e às pessoas altamente vulneráveis (fase 2b), como doentes com trissomia 21, doentes em processo de transplante de órgãos ou em fase de tratamento agressivo ao cancro.

As vacinas da AstraZeneca começaram a ser administradas no Luxemburgo no dia 8 de fevereiro, ainda durante a primeira fase da campanha, destinada aos profissionais de saúde e aos idosos em lares. No entanto, nenhum destes grupos terá tomado as vacinas desse lote. 


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Segundo Monique Putz, não há informações que apontem nesse sentido até porque "o lote investigado foi entregue entre os dias 6 e 7 de março e colocado em quarentena depois das informações das autoridades austríacas", que alertaram para problemas relacionados com tromboembolismo.

Lote investigado foi administrado depois de permissão de vacinação às pessoas com mais de 65 anos

A gestão das vacinas da AstraZeneca tem gerado alguma controvérsia, também no Luxemburgo. No início deste mês de março, o Conselho Superior para as Doenças Infecciosas voltou atrás na sua posição assumida a 6 de fevereiro sobre este fármaco e passou a recomendar a sua administração também às pessoas com mais de 65 anos. Se não o tivesse feito, as doses do lote em causa não teriam sido administradas às pessoas da segunda fase, com mais de 75 anos ou doentes muito vulneráveis.

Antes, no dia 22 de fevereiro deste ano, a Direção de Saúde confirmou que vários profissionais da saúde em lares de idosos do Luxemburgo recusaram ser vacinados com a vacina da AstraZeneca. 

Apesar da reticência no Grão-Ducado e noutros países sobre este fármaco, o Governo luxemburguês decidiu no dia 24 de fevereiro (a menos de uma semana do início da 'fase 2' da campanha) acelerar a vacinação com a AstraZeneca, mudando a estratégia de vacinação. Na prática, o país passou a usar 75% das doses e guardou 25%.


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Segundo dados atualizados pelo Ministério da Saúde e citados por Monique Putz, a maior taxa de vacinação referente à primeira fase, que terminou no final de fevereiro, foi registada entre as pessoas pertencentes a estruturas de acolhimento para deficientes, com 91,8%. Seguem-se os residentes dos lares de idosos (com 85,8%) e os farmacêuticos (74,8%).

Entre os profissionais de saúde nos hospitais a taxa de pessoas que aceitaram ser vacinadas é de 68,3%, descendo para 56,5% entre os médicos liberais e para os 50,5% entre os profissionais de saúde fora dos hospitais. Monique Putz acrescenta que "há ainda 1.310 pessoas da 'fase 1', sobretudo do setor de assistência e cuidados de saúde, que se inscreveram para serem vacinadas em breve".

Sintomas e ida ao médico

Fazendo referência às informações divulgadas pela Direção da Saúde, Monique Putz relembra que em caso de sintomas relacionados com a vacina AstraZeneca, as pessoas devem “procurar atendimento médico imediatamente e mencionar a sua vacinação recente”. 

Entre os sintomas estão a “falta de ar, dor no peito ou estômago, inchaço ou frieza num braço ou perna, dor de cabeça grave (ou agravada) ou ainda visão turva após a vacinação, sangramento persistente, vários pequenos hematomas, manchas avermelhadas (ou arroxeadas) ou bolhas de sangue sob a pele.

Em caso de reações adversas, recorde-se que a ministra da Saúde, Paulette Lenert, garantiu em setembro de 2020, numa resposta parlamentar ao deputado Sven Clement, do Partido Pirata, que “a indemnização pelos danos que possam ocorrer na sequência da vacinação está prevista na lei de 4 de julho de 2000 (relativa à responsabilidade do Estado)”.  

Henrique de Burgo, jornalista da Rádio Latina.

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