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Luxemburgo muito afetado pelo stress e solidão durante pandemia, diz estudo
Luxemburgo 3 min. 09.07.2020

Luxemburgo muito afetado pelo stress e solidão durante pandemia, diz estudo

Luxemburgo muito afetado pelo stress e solidão durante pandemia, diz estudo

Photo: Shutterstock
Luxemburgo 3 min. 09.07.2020

Luxemburgo muito afetado pelo stress e solidão durante pandemia, diz estudo

Anne-Sophie de Nanteuil
Anne-Sophie de Nanteuil
Mais do que com finanças, os residentes do Grão-Ducado preocupam-se sobretudo com os entes queridos, segundo um estudo da Uni.

Conchita d'Ambrosio e Claus Vögele, professores da Universidade do Luxemburgo, deram uma entrevista à edição alemã do Luxemburger Wort onde falaram sobre o estudo realizado sobre as implicações psicológicas causadas pela pandemia de coronavírus. Este estudo incluiu o Luxemburgo, França, Alemanha, Itália, Espanha e Suécia. 

Segundo os dados apresentados, o confinamento criou mais stress e solidão entre os residentes de Luxemburgo, em comparação com os outros cinco países europeus também estudados. Como explicam este resultado?

Os resultados mostram que os residentes de Luxemburgo relataram níveis mais altos de stress e solidão, é verdade. Eles são seguidos de perto pela Itália e Espanha, embora as medidas de contenção no Grão-Ducado tenham sido menos severas. Isso mostra que os níveis de stress não são apenas o resultado do confinamento. Bem-estar, a percepção desse mesmo stress e preocupações são sempre influenciadas por uma infinidade de fatores. 

Claus Vögele
Claus Vögele
Photo: Universidade do Luxemburgo

Quais foram as principais fontes de preocupação dos residentes do Luxemburgo durante o confinamento?  

Em média, na Europa, as pessoas preocupam-se principalmente com as finanças, os planos futuros, ficar infetado com covid-19. No Luxemburgo, esses resultados são um pouco diferentes. Os residentes estão mais preocupados com terceiros, ou seja, amigos e familiares. O que é bastante lógico, já que os participantes desta pesquisa têm um alto nível de educação e segurança económica.  

Diante do ressurgimento dos casos, Xavier Bettel (DP) lembrou, na passada quarta-feira, a importância da aplicação rigorosa, por todos, das medidas de segurança. Como explicam que haja pessoas não cumprem estas medidas de saúde? 

Os nossos dados permitem-nos entender melhor as escolhas de cada indivíduo. Em primeiro lugar, dependem de condições materiais objetivas, como necessidades de subsistência, características do trabalho ou a possibilidade de contar com o seguro social. Depois, há as consequências psicológicas do distanciamento social, como aumento da solidão e angústia. Como os indivíduos observam o esforço necessário e os benefícios do  distanciamento social depende, sobretudo, de como percebem o próprio risco de serem infectados com covid-19. Em outras palavras: aqueles que são mais impulsivos e menos relutantes em arriscar provavelmente farão menos esforços para se distanciarem em segurança.

Conchita d’Ambrosio
Conchita d’Ambrosio
Christophe Olinger

Essas são escolhas muito egocêntricas. No entanto, a vossa pesquisa mostra que os moradores estão muito preocupados com as pessoas ao seu redor ... 

O respeito com a distância também depende de como as pessoas entendem os benefícios potenciais de seu comportamento: ser infectado também aumenta o risco de infectar outras pessoas. O distanciamento social varia de acordo com as preferências sociais: grau de altruísmo, reciprocidade, confiança na sociedade como um todo e vínculo social com os outros e, em particular, com os mais próximos (parceiro, família, colegas e amigos).

Estão a planear mais duas investigações. Quais são os objetivos? 

Vamos entrevistar as mesmas pessoas em pesquisas futuras. O objetivo é perceber como a vida das pessoas mudou ao longo do tempo. Também estamos a tentar determinar os fatores que motivaram as mudanças acima relatadas. 

Esperam resultados muito diferentes? 

No Luxemburgo, vemos um aumento no número de infecções. No entanto, em todos os países, a recuperação depende dos indivíduos que seguem medidas de distanciamento social e de como esse distanciamento pode ser reconciliado com a vida económica e social. 

Edição de Ana Patrícia Cardoso 

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