Escolha as suas informações

Luxemburgo. Ministério Público pede absolvição de Padrasto acusado de violação
Luxemburgo 2 min. 22.05.2020

Luxemburgo. Ministério Público pede absolvição de Padrasto acusado de violação

Luxemburgo. Ministério Público pede absolvição de Padrasto acusado de violação

Foto: DR
Luxemburgo 2 min. 22.05.2020

Luxemburgo. Ministério Público pede absolvição de Padrasto acusado de violação

Ana B. Carvalho
Ana B. Carvalho
Trata-se de um caso que envolve uma família residente na cidade de Dudelange.

Um jovem padrasto, de 31 anos, que havia sido acusado de múltiplos abusos da sua enteada, de 12 anos, na altura, aguarda agora a decisão da Justiça no dia 11 de junho, depois de ter assistido ao Ministério Público pediu a absolvição do réu uma vez que "a dúvida reina neste caso". O ónus da prova cabe ao Procurador-Geral da República.

O caso é de 2014 e o cenário é a cidade de Dudelange. O acusado não chegou a ter advogado que o defendesse neste caso que já dura há seis anos, escolhendo representar-se a sua própria defesa. A alegada vítima, entretanto maior de idade, diz não se lembrar de detalhes do ocorrido. 

"Ele tocou-me, ele fez coisas. Estava no sofá. Tudo começou com os dedos", diz a rapariga. Quanto ao resto, as suas declarações continuam a ser bastante vagas. "Não sei. Não sei. Não sei. Não sei. Não consigo lembrar-me". Resposta que se foi repetindo, segundo o Le Quotidien, ao longo do interrogatório. 

A alegada vítima diz que  "tentou esquecer e seguir em frente". A primeira audição policial teve lugar em julho de 2015, alguns meses após os acontecimentos. Também aí, o jornal refere não ter havido muitas declarações espontâneas sobre o que lhe aconteceu. "A transcrição da audiência em vídeo é trabalhosa", terá dito a juíza ao condutor do interrogatório.

Segundo o jornal Le Quotidien, a rapariga de 12 anos nunca tinha confiado diretamente à mãe os abusos de que acusava o padrasto. Foi o abrigo que a acolheu no início de 2015 que fez o relatório. O inquérito foi remetido para a polícia judiciária. 

Desde o início do processo que o padrasto, acusado de abusos sexuais, tem protestado. "Não consigo entender tudo isto...", repetiu na quarta-feira na sala de julgamento. Segundo o padrasto, a relação com a sua enteada era boa até ao dia em que começou a interferir na sua educação. Terá sido o Centro de Psicologia e a Apoio Social da escola que sugeriu que ajudasse a mãe. 


Como se sente uma criança quando é abusada sexualmente e ninguém acredita nela?
Do trauma da mentira à vergonha da queixa e aos anos de revolta em silêncio. O pesadelo e a falta de medidas para combater o abuso sexual de menores no Grão-Ducado.

O arguido terá mencionado muitas das discussões que surgiram em casa, das contas de telemóvel à vez que a adolescente tinha rapado o cabelo, descrevendo que a relação mãe e filha também se tinha tornado muito complicada. 

Ao que parece, no final de 2014, a adolescente tinha fugido e ido para o abrigo "Péitrusshaus", citando a violência da mãe. Foi nomeado um perito para se pronunciar sobre a credibilidade da adolescente. Tendo a rapariga recusado falar sobre os factos, teve de se basear no processo repressivo. No seu relatório, interrogou-se sobre o motivo: a vingança, talvez o desejo da adolescente em ser colocada num abrigo? Devido à falta de pormenores, não foi capaz de demonstrar a credibilidade da alegada vítima. "Não quero dizer que as suas afirmações não correspondem à verdade", fez questão de levantar, mas devido às suas "afirmações tão vagas e incoerentes", era impossível manter os delitos, cita o jornal.

Desde setembro do ano passado, a jovem vive novamente debaixo do mesmo teto com a mãe e o padrasto. "Se voltasse a acontecer, eu diria directamente à minha mãe", disse a rapariga no julgamento.


Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.