Luxemburgo. Mais centros médicos e apelo à inscrição de médicos
Luxemburgo. Mais centros médicos e apelo à inscrição de médicos
Por todo o país há espaços que estão a ser transformados em centros de atendimento médico, para reforçar as capacidades de tratamento dos doentes infetados, pelo novo coronavírus, que estão já a aumentar e vão aumentar ainda mais nas próximas duas semanas.
O anúncio foi feito pela ministra da Saúde, Paulette Lenert, durante a conferência de imprensa desta tarde onde explicou como o governo se prepara para fazer face ao pico da epidemia, prevista para daqui a cerca de 14 dias.
Assim, além dos quatro hospitais que estão já a receber e tratar os doentes infetados e do hospital temporário que está a ser instalado, ao lado do Centro Hospitalar do Luxemburgo (CHL), em Strassen, há novos locais que vão passar a funcionar como centros de saúde.
Em Colpach, um edifício da Cruz Vermelha está a ser reestruturado para poder acolher pacientes estáveis, com Covid-19.
As termas em Mondorf-les-Bains também estão a ser preparadas para receber pacientes.
A LuxExpo, a sala de concertos Rockhall, em Esch-sur-Alzette, e a sala de concertos hal do Däich, em Ettelbruck foram também adaptadas para centros de saúde provisórios, enquanto durar esta crise sanitária. A LuxExpo começará a funcionar amanhã, dia 23.
Número de casos vai aumentar
"Estamos à espera de um número crescente de infecções", diz a governante. Ao nível dos privados, serão reforçadas as consultas por videochamada e por telefone. E os centros de cuidados intensivos, irão ser divididos entre doentes infetados com coronavírus e doentes não infetados.
E se a nível de estruturas, a ministra está confiante de que irão ser suficientes para atender os pacientes, a grande preocupação do governo vai para a falta de profissionais de saúde e de material de proteção e equipamento. "Estes são os dois grandes riscos", vincou Paulette Lenert.
"O Luxemburgo precisa mais de pessoal médico do que de infraestruturas", reafirma Lenert. "O pessoal médico pode ficar retido do outro lado da fronteira e isso preocupa-nos", assumiu a ministra referindo-se aos trabalhadores transfronteiriços.
Apelo à inscrição de médicos e enfermeiros
Por isso foi criada uma plataforma especial governamental, a funcionar a partir de amanhã, onde irá ser anunciado todos os perfis que as autoridades de saúde necessitam ao nível de pessoal médico, enfermeiros e outros profissionais de saúde. Quem corresponda a estes perfis pode inscrever-se nesta plataforma
Atualmente, 173 trabalhadores fronteiriços já aceitaram a oferta do governo de se hospedar em hotéis locais durante a crise.
Material de proteção não pode faltar
Quanto ao material de proteção e equipamento ele "será sempre necessário enquanto durar esta crise".
Além do carregamento de 10 milhões de máscaras, médicas e de proteção, de ventiladores e outro material que irá chegar amanhã, da China, também empresas particulares estão a oferecer estes materiais.
Também mais testes médicos para diagnosticar a doença estão já a ser garantidos.
No entanto, quando não há sintomas, os testes não são recomendados. "A nossa ambição é generalizar os testes, não posso garantir que temos testes suficientes para um mês, mas queremos generalizar os testes", vinca Paulette Lenert.
Atualmente, estão a ser realizados 1.500 testes por dia no Grão-Ducado.
798 doentes no país
A atualização epidemiológica da doença no país realizada, esta manhã, revela um aumento de 128 casos de infeção nas últimas 24 horas, subindo para 798 o número de doentes com covid-19. De momento encontram-se 37 pessoas hospitalizadas, três das quais nos cuidados intensivos. Uma boa notícia é que não houve mais vítimas mortais desde sábado, mantendo-se as quatro mortes
A governante agradeceu aos médicos, polícias, às associações de solidariedade e todos os que ajudam neste momento, incluindo, "as empresas privadas que nos facultaram material em stock".
"Fiquem em casa"
A governante voltou a apelar à população para ficar em casa, e se tiver de sair para manter a distância social.
"Quero lançar um apelo a todos os que estão em contacto com o público, como os motoristas de autocarro, há que respeitar as medidas de higiene. E se se sentem a ficar doentes, por favor, fiquem em casa", pediu Lenert.
Ajuda aos países vizinhos
A situação dos nossos países vizinhos, "em particular a França é dramática", frisa Lenert. Por agora, o Luxemburgo está em "posição de ajudar e acolher alguns doentes" franceses, sobretudo da região Grand Est, a mais afetada pela epidemia em França. De momento, os hospitais têm capacidade para tal, e por isso, pode-se ajudar o país vizinho que está a braços com a sobrelotação hospitalar, falta de camas, sobretudo para doentes que necessitam de cuidados intensivos e de assistência respiratória.
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