Escolha as suas informações

Luxemburgo. Há mais bicicletas na rua, mas as infra-estruturas não estão preparadas
Luxemburgo 3 min. 29.05.2020

Luxemburgo. Há mais bicicletas na rua, mas as infra-estruturas não estão preparadas

Luxemburgo. Há mais bicicletas na rua, mas as infra-estruturas não estão preparadas

DR
Luxemburgo 3 min. 29.05.2020

Luxemburgo. Há mais bicicletas na rua, mas as infra-estruturas não estão preparadas

Ana B. Carvalho
Ana B. Carvalho
O número de ciclistas registados numa média diária quase duplicou nos últimos meses, mas também o número de acidentes cresceu.

Um pouco por toda a Europa a pandemia de covid-19 alterou vários hábitos quotidianos, inclusivamente na forma como as pessoas circulam. Muitas pessoas redescobriram a bicicleta durante este período da crise e o Luxemburgo não foi exceção. Segundo a organização Lëtzebuerger Vëlos-Initiativ, que zela pelo interesse dos ciclistas, no Grão Ducado, "raramente se viram tantas famílias com crianças na estrada em bicicleta como atualmente".

Na verdade, o número de ciclistas registados numa média diária quase duplicou (e em em alguns casos mais do que duplicou) em Março e Abril, em comparação com os mesmos meses dos anos anteriores, informou a organização.

As bicicletas saíram das garagens e as infra-estruturas precisam de ser adaptadas. Essa é a principal demanda da Lëtzebuerger Vëlos-Initiativ para "permitir viagens seguras, sem riscos e sem conflitos para peões e ciclistas. Por conseguinte, é importante que seja disponibilizado mais espaço, mesmo temporariamente, sob a forma de serão construídas infra-estruturas seguras para peões e ciclistas".  Uma vez que, "infelizmente, também se registaram vários acidentes entre condutores e ciclistas nas últimas semanas, o que sublinha uma vez mais a importância do papel das infra-estruturas cicláveis protegidas, mesmo no tráfego ligeiro", apontam. 

Philippe Herkrath, membro da organização, disse ao Contacto que "tanto quanto sabem, não existe ainda um plano concreto para a implementação de medidas no Luxemburgo". Porém, garante que "o Ministério está consciente desta questão". 


Milão cria plano para reduzir carros
É uma lição do confinamento para o futuro, dizem as autoridades da cidade italiana onde vão ser criados até ao fim do verão 35km de vias cicláveis e pedonais.

Propõe que haja incentivo há "mobilidade suave" através de diversas medidas. Por exemplo, sugerem que nos centros urbanos e aldeias se dê o estabelecimento sistemático de zonas seguras para peões e ciclistas para permitir que os peões respeitem a distância recomendada utilizando as estradas, sem a necessidade de fechar as ruas ao tráfego motorizado. 

Em locais onde os pavimentos são" demasiado estreitos para permitir a circulação de peões e ciclistas - no caso de utilização mista pedestre/ciclista - para intersectar com a distância lateral suficiente" solicitam que se encerre uma das faixas de estacionamento, ou de uma faixa de rodagem, a fim de colocar este espaço disponível para a mobilidade suave. 

Entre as várias propostas que enumeraram em comunicado, a organização que defende esta forma de viajar mais sustentável, com menos impacto ambiental, e que também "traz grandes benefícios à saúde", considera "crucial" que as infra-estruturas para ciclistas se comece a tornar prioridade no planeamento e construção de outros projetos. 

À medida que os países começam a aliviar as restrições ao confinamento para ressuscitar as então estagnadas economias, autoridades de vários países  apressaram-se a garantir que algumas formas de estar deveriam ser permanentes e não limitadas ao período de crise. Em diversos países europeus estão a ser criadas novas ciclovias para incentivar as pessoas a utilizarem as bicicletas em vez dos seus automóveis como meio de transporte principal.

Segundo a Euronews, capitais europeias incluindo Londres, Paris, Bruxelas e Roma, estão a preparar-se para construir centenas de quilómetros de novas pistas para ciclistas. 

A associação luxemburguesa Vëlos-Initiativ relembra ainda que  entre os vários benefícios que andar de bicicleta oferece, um deles é a possibilidade de respeitar rigorosamente o distanciamento pessoal. 

Para Philippe Herkrath é claro que o ciclismo re-surgiu nos últimos meses e muitas pessoas recomeçaram a utilizá-lo mais regularmente como meio de transporte e também como recreio.  "Provavelmente neste momento, não há sequer a preocupação com o impacto ambiental e a sustentabilidade deste meio de transporte", no entanto, Herkrath comenta que estão convencidos de que "este ressurgimento  conduzirá a uma mobilidade mais sustentável a longo prazo, pois esperamos que muitas pessoas tenham (re)descoberto a alegria que andar de bicicleta pode trazer e irão manter o bom hábito de usar a bicicleta para o seu deslocamento no futuro". 

O Contacto ficou a saber que François Bausch, vice-Primeiro-Ministro, ministro da Mobilidade e Obras Públicas, Lex Delles e do Turismo, irá apresentar medidas a curto prazo para promover a utilização da bicicleta no Verão de 2020.


Este artigo foi atualizado às 14:54 com a informação sobre o ministério da Mobilidade.

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.


Notícias relacionadas