Escolha as suas informações

Luxemburgo. Falta pouco para os seus filhos poderem começar a ser vacinados
Luxemburgo 7 min. 02.06.2021

Luxemburgo. Falta pouco para os seus filhos poderem começar a ser vacinados

Luxemburgo 7 min. 02.06.2021

Luxemburgo. Falta pouco para os seus filhos poderem começar a ser vacinados

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
O Governo debate esta quarta-feira, dia 2, a vacinação dos adolescentes dos 12-15 anos. Afinal, como é feita a vacina para os mais novos? Qual a eficácia e segurança? As respostas são dadas ao Contacto pelo diretor dos ensaios clínicos a jovens em Cincinnati, EUA e por uma pediatra do Luxemburgo.

O Governo debate esta quarta-feira, dia 2, a vacinação dos adolescentes dos 12-15 anos. Afinal, como é feita a vacina para os mais novos? Qual a eficácia e segurança? As respostas são dadas ao Contacto pelo diretor dos ensaios clínicos a jovens em Cincinnati, EUA e por uma pediatra do Luxemburgo.

Chegou a altura de vacinar contra a covid-19 os adolescentes e as crianças. A Agência Europeia do Medicamento (EMA), deu autorização para a vacina da Pfizer ser administrada aos adolescentes dos 12 aos 15 anos em todos os 27 países da União Europeia.

Atualmente, apenas a vacina da Pfizer pode ser usada nestas idades na Europa, pois foi a única que pediu esta autorização. A Moderna vai entrar em breve com um pedido idêntico nos Estados Unidos a que se seguirá a União Europeia.

O Luxemburgo pode em breve começar a vacinar os seus residentes dos 12-15 anos de idade. Com a aprovação da EMA para a vacina da Pfizer falta agora a autorização dos especialistas. Esta quarta-feira, dia 2, a vacina já vai ser debatida em Conselho de Ministros.

“O Ministério da Saúde já remeteu o assunto para o Conselho Superior de Doenças Infeciosas para um parecer sobre a vacinação de adolescentes neste grupo etário contra a covid-19”, declarou ao Contacto a porta-voz deste ministério. Na semana passada, o primeiro-ministro, Xavier Bettel, anunciou estar apenas à espera da aprovação do regulador europeu (EMA), cuja decisão foi conhecida na sexta-feira e de outras informações para o Luxemburgo “começar também a vacinar” os adolescentes destas idades.

Desta vez, não vai ser preciso esperar pela produção de vacinas dirigidas aos adolescentes. As vacinas já existem e estão disponíveis no mercado, o que torna o início da campanha de vacinação muito mais rápido.

Face a esta autorização tão rápida e intenção geral de vacinar os mais novos, muitos pais com filhos dos 12 aos 15 anos devem por esta altura, ter certamente várias questões sobre esta vacina covid pediátrica. Afinal, em breve, o Luxemburgo poderá começar a campanha de vacinação contra o vírus da pandemia nestas idades. Contudo, o Ministério da Saúde confirmou que tal como nos adultos a vacina não é obrigatória pelo que os adolescentes e os pais têm de autorizar a sua administração.

Para responder às principais questões sobre a vacina pediátrica, o Contacto

entrevistou quem melhor sabe e está preparado para responder a estas dúvidas: Um dos coordenadores de um dos ensaios clínicos da vacina Pfizer realizados a adolescentes dos 12-15 anos, no Hospital Pediátrico de Cincinnati, nos EUA. Foi com base nos resultados deste ensaio a 335 jovens e outros ensaios clínicos nos EUA que as entidades competentes, a agência norte-americana do medicamento (FDA) e depois a Agência Europeia do Medicamento (EMA) deram a sua aprovação para a esta imunização.

Composição e eficácia da vacina

A composição da vacina para os 12-15 anos é especial por ser destinada aos mais novos? E quantas doses são precisas?

“Não. A composição da vacina para as idades 12-15 anos é idêntica à vacina para os adultos, e também são precisas duas doses para o adolescente estar vacinado contra a covid”, declarou ao Contacto Paul Spearman, coordenador do ensaio clínico da vacina Pfizer no Hospital Pediátrico de Cincinnati, no estado norte-americano de Ohio. Como a vacina é igual, basta existirem doses da Pfizer no Luxemburgo e restantes países para começar a vacinação dos adolescentes.

E qual é a eficácia da vacina para os 12-15 anos? Os ensaios clínicos demonstraram uma “eficácia de 100%” na imunização dos 2.260 adolescentes que no total participaram nestes ensaios clínicos da Pfizer.

Este estudo “demonstrou respostas robustas de anticorpos que foram ainda mais elevadas do que as observadas em adultos. A proteção foi de 100%, baseada naqueles que receberam a vacina (1.131) versus os que receberam o placebo (1.129), uma vez que 18 casos de covid-19 que ocorreram, foram todos no grupo que estava a tomar placebo e nenhum entre os recetores de vacina”, precisou o médico Paul Spearman que é também o diretor da Divisão de doenças infeciosas deste Hospital de Cincinnati. No entanto, a amostra total de jovens dos 12-15 nos ensaios clínicos foi menor do que a amostra dos adultos no estudo da vacina da Pfizer, nesta população.

“Um estudo de eficácia real exigiria um número mais elevado de casos que permitisse dar uma forte indicação do grau de proteção. No entanto, e como no contexto do estudo completo da eficácia em adultos, a probabilidade de que a vacina seja altamente protetora [contra o vírus] nos adolescentes entre os 12-15 anos, é extremamente elevada. Se passássemos a um estudo muito maior, suspeito que a taxa de proteção continuaria a ser muito elevada, mas talvez não chegasse aos 100%”, estimou este médico, ex-presidente da Sociedade de Doenças Infeciosas Pediátricas dos Estados Unidos.

Qual o grau de imunidade?

Quanto à imunidade da vacina entre os adolescentes, quais são os resultados? “A resposta dos anticorpos foi superior nos adolescentes de 12-15 anos, em comparação com o grupo dos 16-25 anos, com 1,7 valores mais elevados”, declarou o médico , realçando que esta imunidade foi a encontrada no total dos 2.260 adolescentes testados, segundo os dados recolhidos e tratados pelo comité consultivo para a imunização do Centro de Prevenção e Controlo de Doenças dos EUA (CDC/ACIP, na sigla original).

Entre os adolescentes vacinados nos ensaios clínicos dos EUA quais foram os efeitos secundários? “As reações sistémicas mais comuns foram fadiga (78%), dores de cabeça (76%), arrepios (49%), dores musculares (42%), febre (24%), e dores articulares (20%), de acordo com o CDC/ACIP”, indicou Paul Spearman, salientando que os efeitos secundários foram mais frequentes e acentuados após a segunda dose da vacina, em comparação com a primeira inoculação. Estas reações “ocorreram, em média, entre o primeiro e o quarto dia após a toma da vacina e foram tratadas entre um um a dois dias, em média”, sublinhou Paul Spearman que é um dos membros do Comité Consultivo de vacinas da FDA.

Luxemburgo. Razões para vacinar

No Grão-Ducado, especialistas e governantes defendem a vacinação dos adolescentes, sobretudo agora que os grupos prioritários, pessoas de risco já estão vacinadas e o processo de vacinação entre os adultos está a decorrer, pois é nesta população que o vírus da covid causa infeções mais sérias, e mesmo mortais.

Agora é preciso começar a vacinar os mais novos. As razões são várias e sérias, como aponta ao Contacto, Isabel de la Fuente, médica pediátrica da Kannerklinik do Centro Hospitalar do Luxemburgo que defende a toma da vacina covid para os jovens “12-15-18 anos”.

“A vacina é muito segura nestas idades. Os dados da vacinação com a vacina Cominarty [nome comercial da vacina anti-covid da Pfizer] mostram um elevado nível de segurança e a Agência Europeia de Medicamentos deu um parecer favorável” recordou esta especialista.

“Além disso, a monitorização dos efeitos secundários tardios ou que possam surgir durante a vacinação alargada aos jovens serão acompanhados muito de perto”, frisou esta pediatra lembrando os “adolescentes e jovens adultos são dos grupos que estão a sofrer mais casos de infeção, neste momento”. Também o primeiro-ministro, Xavier Bettel, declarou que o vírus da covid-19 tende a concentrar-se na população que ainda não está vacinada. “Os casos de infeção entre os jovens estão a ser muito frequentes”, confirmou Isabel de la Fuente.

Por isso mesmo, um dos “objetivos da vacinação dos adolescentes” é o dos “proteger dos problemas de saúde ligados à covid-19, como infeções graves, hospitalizações, mortes”, ou com a doença pós covid, as “complicações relacionadas com o síndrome inflamatório multissistémico pediátrico (MIS-C) e covid de longa duração”, salienta a pediatra do Kannerklinik.

A par com as questões de saúde há o retomar dos contactos sociais tão importante nestas idades.

“Permitir aos adolescentes o regresso a uma vida social e escolar ‘mais normal’, com menos interrupções escolares e menos isolamento social”, é outro dos objetivos para a vacinação dos adolescentes apontado por Isabel de la Fuente.

Por último, a pediatra vinca que esta imunização entre os 12-15 anos vai “aumentar a cobertura vacinal na população em geral, a fim de diminuir as infeções globais e a ocorrência de variantes (graças ao efeito da vacinação sobre a transmissão do vírus a outros)”.

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.


Notícias relacionadas