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Luxemburgo entre os países europeus onde os internamentos por covid-19 mais têm aumentado
Luxemburgo 6 min. 11.08.2020

Luxemburgo entre os países europeus onde os internamentos por covid-19 mais têm aumentado

Luxemburgo entre os países europeus onde os internamentos por covid-19 mais têm aumentado

Foto: Lex Kleren
Luxemburgo 6 min. 11.08.2020

Luxemburgo entre os países europeus onde os internamentos por covid-19 mais têm aumentado

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
Os dados são do ECDC e colocam o Grão-Ducado ao lado de países como a Bulgária, Croácia, República Checa, Roménia e Eslovénia no que respeita a um crescimento das hospitalizações de pessoas infetadas pelo novo coronavírus.

O Luxemburgo é um dos países europeus onde, desde 2 de agosto, os internamentos hospitalares e/ou em cuidados intensivos, de doentes com covid-19, têm vindo a aumentar.

Os dados são do mais recente relatório do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC, na sigla em inglês) e colocam o Grão-Ducado ao lado de países como a Bulgária, Croácia, República Checa, Roménia e Eslovénia no que respeita a um crescimento das hospitalizações de pessoas infetadas pelo novo coronavírus. 

O documento do ECDC, publicado esta segunda-feira, 10 de agosto, e que avalia 31 países, salienta que "não foram observados outros aumentos, embora a disponibilidade de dados esteja incompleta e entre os países que relatam uma tendência crescente na incidência de casos covid-19, nos 14 dias em análise, não haja dados disponíveis sobre ocupações hospitalares e/ou de UCI para Malta e Espanha".

Espanha tem registado um aumento significativo de casos, tendo-se tornado novamente no país com maior transmissão de infeções, no contexto europeu, com oito vezes mais casos, num mês, e o quadruplo dos internamentos. Segundo dados avançados na imprensa, na passada sexta-feira, 7 de agosto, ao longo dos 14 dias anteriores, os espanhóis registaram 79,8 casos activos por 100 mil habitantes.

No mesmo relatório, o ECDC refere que, até à data, do total dos casos de infeção pelo novo coronavírus, comunicados na União Europeia/Espaço Económico Europeu e o Reino Unido, 28% tiveram de ser hospitalizados, com 14% desses internamentos a necessitarem de cuidados intensivos ou apoio respiratório. Apesar desses números gerais, o organismo sublinha que se verifica uma variação considerável entre países.

Em relação ao Luxemburgo, os gráficos mostram um ressurgimentos das hospitalizações e dos internamentos em cuidados intensivos, a partir do final de junho/início de julho, depois de uma trajetória de descida iniciada em meados de abril.

Fonte: ECDC


Risco de escalada

No final de julho, os investigadores do Luxembourg Research alertavam que "os aumentos das infeções levarão inevitavelmente a um aumento dos internamentos". E com uma segunda vaga duas vezes maior que a anterior, o risco de saturação é esperado. "Se a situação atual se mantiver, vai haver escassez de camas nos cuidados intensivos no final de agosto", alertaram os especialistas do projeto que estuda a covid-19 no Grão-Ducado.

O mesmo relatório do ECDC alerta para um alto risco de escalada da doença nos países que têm registado um maior aumento de casos, ainda que ressalve vários fatores a ter em conta. 

Em relação ao Luxemburgo, cuja estratégia de testagem foi sublinhada no mesmo documento como a mais alta entre os países europeus que mais testes realizam por habitante, o ECDC deixa, contudo, um alerta.

"As taxas de notificação [de casos positivos] estão altamente dependentes de uma série de fatores, incluindo a taxa de testes. O aumento dessa taxa [de casos confirmados] comunicada pelo Luxemburgo é parcialmente explicada pelo grande aumento dos testes, resultantes do implementação de uma estratégia de testes generalizada, que inclui o rastreio de indivíduos assintomáticos para Sars-CoV-2", começa por destacar. Porém, o organismo sublinha: "Na Bulgária, República Checa, Luxemburgo e Roménia, países que relataram um aumento recente de casos, tem havido uma tendência crescente das hospitalizações, o que sugere fortemente que o aumento das notificações não está apenas relacionado com um aumento dos testes".

O ECDC deixa, por isso, o aviso de que os países que estão a "notificar tanto um aumento de casos como de hospitalizações correm um risco muito elevado de uma escalada da covid-19", recomendando a reintrodução ou o reforço de medidas de distanciamento físico.

Portugal entre os cinco países europeus onde a pandemia está a recuar

O mesmo relatório do organismo europeu de controlo de doenças aponta também para o recuo das infeções em alguns estados e Portugal está entre os cinco países europeus em que os números da pandemia estão a descer.

De acordo com o documento, nos  últimos 14 dias antes de 2 de agosto, as infeções subiram em 26 países e desceram apenas em cinco: Portugal, Suécia, Letónia, Croácia e Eslovénia - apesar de nestes dois últimos as hospitalizações terem aumentado.  

Nesse período, Portugal registava 28,4 casos ativos por 100 mil habitantes, um valor que permanece acima da média europeia, que é de 21,5, mas que reflete uma descida nos casos de mais de 30%. Além de Portugal, só a Suécia registou semelhante diminuição. 

Luxemburgo nos seis que mais sobem

Por outro lado, há seis países em que aconteceu o oposto e o Grão-Ducado é um deles. 

Espanha, Bélgica, Luxemburgo, Malta, República Checa e Roménia registaram um aumento de casos na ordem dos 30% ou mais.  

No caso do Luxemburgo esta taxa também é explicada pelo facto de ser o país que realiza mais testes, como assinala o relatório:  10.659 por 100 mil habitantes.

O Grão-Ducado é um dos três países, juntamente com Espanha e Roménia, em que a taxa de casos positivos reportados é mais de 60 por 100 mil habitantes.

Taxa de mortalidade estável 

No que respeita à taxa de mortalidade por covid-19, na Europa, o relatório refere que se manteve estável nos 13 dias anteriores a 2 de agosto. 

A taxa de notificação por morte de covid-19, nos últimos 14 dias até esta data era de 4,1 por um milhão de habitantes, nos países da União Europeia, Espaço Económico Europeu e Reino Unido.

Portugal foi um dos seis países a registar, nesse período, uma incidência de óbitos resultantes da doença superior à média europeia. Conjuntamente com a Bulgária, Croácia, Roménia, Suécia e Reino Unido, o país tinha uma taxa de mortes superior a 5 por milhão de habitantes.

Por outro lado, nesse grupo de países, o ECDC destaca que três deles reportaram uma diminuição de 10% ou mais, dos óbitos por covid-19, comparativamente com a incidência de casos notificados durante os 14 dias até 19 de julho.

Portugal faz parte desse trio, com uma diminuição de 33%, juntamente com a Suécia (38%) e o Reino Unido (14%). 

Em sentido inverso, outros três países comunicaram aumentos de 10% ou superiores em comparação com a incidência nas duas semanas anteriores a 19 de julho: a Bulgária (48%), Croácia (257%) e Roménia (33%). 

Em termos gerais, o ECDC estima que, no espaço da UE/EEE e Reino Unido, tenham morrido 24% dos infetados hospitalizados que foram reportados (com um intervalo de 0,5 a 38,0% entre países).

As estatísticas comuns de mortalidade por todas as causas, relatadas pelo EuroMOMO, também começam a voltar aos níveis normais, na sequência de um período de aumento substancial do excesso de mortalidade que coincidiu com os picos pandémicos da covid-19.

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