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Luxemburgo é dos países que menos discriminam na UE
Luxemburgo 6 min. 30.10.2019

Luxemburgo é dos países que menos discriminam na UE

Luxemburgo é dos países que menos discriminam na UE

Luxemburgo 6 min. 30.10.2019

Luxemburgo é dos países que menos discriminam na UE

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Um estudo do Eurobarómetro revela os "bons" resultados. Mas, mesmo assim, continua a haver discriminação que é preciso combater.

O Luxemburgo é entre os 28 da União Europeia  um dos mais abertos à diversidade e que melhor aceita outras raças, credos ou orientações sexuais na sua sociedade. Mas neste país de imigrantes, a discriminação continua a existir.

 Uma sociedade multirracial, com várias religiões, e onde as pessoas podem assumir a sua identidade género e orientações sexuais. É assim que o Grão-Ducado é visto no relatório especial 'Discriminação na União Europeia', realizado pelo Eurobarómetro, através de um inquérito nos 28 países da EU e divulgado há dias.

Seja na esfera política, pública ou pessoal, os habitantes do Luxemburgo dizem não sentir que haja muita discriminação e que eles próprios se sentem confortáveis com outras vivências e religiões na sua família.

No geral, o Luxemburgo surge na maioria das vezes entre a sexta e a oitava posição da tabela dos 28 países da UE que menos discriminam.

Abertos às escolhas dos filhos

Mas vamos à esfera familiar. Uma das questões do inquérito em relação a cada etnia, orientação sexual, ou religião é a de que “se sentiria confortável se o seu filho namorasse com alguém” pertencente a cada um desses grupos.

Pois os inquiridos no Grão-Ducado mostraram estar abertos a todas as escolhas dos seus filhos.

Etnias e cor da pele  

Os residentes no Luxemburgo aceitam que um filho seu namore com alguém de uma etnia diferente (77%), ou cor de pele distinta, seja negro (77%), branco (86%) ou asiático (81%).

Aqui, considera-se raro haver discriminação sobre as etnias (60%), embora 31% dos inquiridos diga o contrário, estando o país em quinto lugar entre os que melhor aceitam as diferenças étnicas. A média europeia é de 59% de discriminação, contra 35% que acham ser rara.

À pergunta sobre a aceitação de uma relação amorosa de um filho com alguém da etnia cigana, os habitantes do Luxemburgo também estão no oitavo lugar da tabela, sendo dos que melhor aceitam, com 52% a sentirem-se confortáveis com a situação, 14% moderadamente confortáveis, e 20% inconfortável. O Reino Unido é o mais tolerante (74%).

Quanto à cor da pele, 34% dos luxemburgueses diz haver discriminação no país, contra 58% que considera rara. Percentagens bem diferentes da vizinha França que surge em primeiro lugar com 80% de discriminação, contra 17%.

Identidade género

Sobre uma relação de namoro de um filho com uma pessoa com outra identidade de género a aceitação também é grande: 51% afirmam estar confortáveis se um filho seu iniciar um relacionamento com uma pessoa transgénero, já outros 22% confessam não estar confortáveis. Mais uma vez, o Luxemburgo está em sétimo lugar.

Os residentes no Grão-Ducado também não discriminam as pessoas intersexo, segundo 45% dos inquiridos. Já para 17% existe discriminação. Mesmo assim, o Grão-Ducado é o país onde menos se discriminam estas pessoas, a seguir à Estónia.

Orientação sexual diferente

O mesmo sucede com pessoas com uma orientação sexual diferente: 85% dos inquiridos diz sentir-se confortável se um filho seu namorar com um gay, lésbica ou bissexual, e apenas 3% não se sente à vontade. O país que melhor aceita é a Holanda com 96%, estando o Luxemburgo na oitava posição, entre os 28 países.

Por outro lado, 68% dos inquiridos aceita que um filho seu namore com alguém do mesmo sexo (11% diz não estar confortável.

A nível da sociedade, o Grão-Ducado é o país da UE (a seguir à Eslováquia), onde a integração de pessoas com preferência sexual diferente na sociedade é mais fácil: 61% dos inquiridos disse ser rara a discriminação, mas esta existe para 21%. A França é o país onde se sente maior discriminação (73%).

Do mesmo modo, o Luxemburgo é o quarto país da EU a assumir-se “totalmente confortável” que uma pessoa com orientação sexual diferente ocupe um alto cargo político (84%).

O que na realidade acontece, sendo o primeiro-ministro Xavier Bettel homossexual assumido e casado com outro homem.

Diferentes religiões

Quanto à religião, considera-se ser totalmente rara a discriminação com base na fé ou crença no país (66%), embora 25%, acredite que tal aconteça. Também aqui é o sétimo na tabela com menos discriminação.

E se um filho seu se enamorar de uma pessoa com religião diferente da sua? Não há problema para 66% dos inquiridos.

 Seja judeu (77%), seja muçulmano (62%), seja budista (76%), ou cristão (85%) os habitantes do Luxemburgo são dos primeiros a aceitar a diferença. Mesmo se a pessoa for ateia (80%) é bem-vinda.

Cidadãos com incapacidades

Os cidadãos com necessidades especiais não se sentem excluídos nesta sociedade, de acordo com o inquérito. O Luxemburgo, é entre todos os países da UE o que menos discriminação faz para com as pessoas com incapacidade. 72% dos inquiridos afirma ser raro existir discriminação, enquanto 19% diz haver. França é mais uma vez o país onde se sente mais esta diferença (63%).

No Grão-Ducado, 75% dos inquiridos afirmou sentir-se confortável se um descendente seu estivesse numa relação com uma pessoa com algum tipo de incapacidade.

Alvo de discriminação

Porém, e apesar da abertura do país à diversidade, 22% dos inquiridos no Luxemburgo afirmam que, nos últimos 12 meses, num dado momento, já se sentiram discriminados, por alguma razão. 

A maioria das vezes tal aconteceu na escola ou universidade (12%), e na procura de um trabalho (8%). Mesmo assim, entre os 28 países, o Grão-Ducado é o quarto com menor percentagem de inquiridos a sentirem-se discriminados.

CET: Combater a discriminação

Nathalie Morgenthaler, diretora do Centre pour l’Egalité de Traitement (CET) no Grão-Ducado, salienta, em primeiro lugar, que a amostra de inquiridos do Luxemburgo para este estudo do Eurobarómetro é de 514 pessoas, o que considera “não ser muito representativo”.

E, que de facto, existe discriminação no país. Numa sondagem realizada pelo CET em 2015, os dados mostram que para os habitantes do Luxemburgo, em 2014, o nível de discriminação mantinha-se elevada para 39% dos inquiridos, igual a anos anteriores para 31%, e que tinha diminuído para 17% .

 Ataques no local de trabalho

De acordo com Nathalie Morgenthaler é difícil quantificar as discriminações. Mas elas existem. No último ano, recorreram ao centro 120 pessoas, vítimas de alguma foram de discriminação. “Muitos vieram ter connosco por medo, por não conhecerem a legislação, os seus direitos, para os ajudarmos”, refere ao Contacto esta responsável.

A maior discriminação acontece no ambiente profissional, vinca a diretora do CET. “Ou por assédio, ou por salários menores pagos a licenciados, do que eles têm direito, por exemplo. Há vários tipos de discriminação”, conta Nathalie Morgenthaler. As razões? Por causa da “cor da pele”, por se ser mulher, ou tantas outras razões.

Para combater esta realidade no Grão-Ducado, um país de imigrantes, o CET entre outras medidas propostas no seu relatório considera que a nível governamental “deveria existir um comité interministerial por cada tipo de discriminação”. 

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