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Luxemburgo convoca embaixadora de Israel que chamou "terroristas" a mortos em Gaza

Luxemburgo convoca embaixadora de Israel que chamou "terroristas" a mortos em Gaza

Foto: Anouk Antony
Luxemburgo 16.05.2018

Luxemburgo convoca embaixadora de Israel que chamou "terroristas" a mortos em Gaza

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Luxemburgo, Jean Asselborn, convocou hoje a embaixadora de Israel no país para explicar os atos de violência "inaceitável" durante os protestos na faixa de Gaza, onde morreram 60 palestinianos, na segunda-feira. A diplomata Simona Frankel, que é também embaixadora na Bélgica, já tinha sido convocada ontem por aquele país, depois de ter dito numa entrevista televisiva que todos os mortos eram "terroristas".

O ministro luxemburguês quer questionar a diplomata sobre "o uso desproporcionado de força contra os civis palestinianos na faixa de Gaza" e "as declarações públicas sobre este assunto feitas pela embaixadora de Israel", indicou o Ministério em comunicado. O Luxemburgo exige ainda "um inquérito internacional independente" e a adoção de medidas para "evitar novos atos de violência".

Ontem, em declarações à televisão belga RTBF, a diplomata israelita qualificou os palestinianos mortos pelos soldados israelitas como "terroristas". "Lamento a morte de qualquer ser humano, mesmo dos 55 terroristas que tentaram passar a fronteira", disse a embaixadora. Questionada sobre se o termo "terrorista" se aplicava às oito crianças mortas (incluindo um bebé de oito meses), Simona Frankel argumentou que foram todos instrumentalizados pelo "grupo terrorista Hamas". "Eles decidiram sacrificar os seus irmãos e irmãs, homens, mulheres e crianças, numa guerra mediática. Nós não queremos ganhar esta guerra mediática, preferimos ter críticas que condolências mais tarde", afirmou. 

Simona Frankel, embaixadora de Israel no Luxemburgo e na Bélgica, fez declarações polémicas a uma televisão belga.
Simona Frankel, embaixadora de Israel no Luxemburgo e na Bélgica, fez declarações polémicas a uma televisão belga.
Foto: Pierre Matgé

Um total de 60 palestinianos, oito deles menores, foram mortos em Gaza na segunda-feira por soldados israelitas quando participavam no protesto designado “marcha do retorno”, para reivindicar o regresso dos refugiados palestinianos às terras de onde foram expulsos ou fugiram após a criação do Estado de Israel, em 1948, e contra o bloqueio de Israel ao território. A inauguração da Embaixada norte-americana em Jerusalém na segunda-feira agravou o protesto, iniciado a 30 de março. A resposta do exército israelita deixou também 2.771 palestinianos feridos, metade dos quais a tiro, incluindo 225 menores, segundo dados do Ministério da Saúde palestiniano.


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