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Como é que a polícia procura pessoas desaparecidas?
Luxemburgo 4 min. 30.08.2022
Investigação

Como é que a polícia procura pessoas desaparecidas?

Há três casos não resolvidos há vários anos.
Investigação

Como é que a polícia procura pessoas desaparecidas?

Há três casos não resolvidos há vários anos.
Foto: Guy Jallay
Luxemburgo 4 min. 30.08.2022
Investigação

Como é que a polícia procura pessoas desaparecidas?

Thomas BERTHOL
Thomas BERTHOL
Por ocasião do Dia Mundial das Pessoas Desaparecidas, esta terça-feira, Henri Eippers, porta-voz da administração judiciária, explica como a polícia usa os apelos a testemunhas para tentar encontrar pessoas desaparecidas.

Uma fotogria de um rosto, depois o nome da pessoa, idade, constituição e onde foi vista pela última vez. Estes apelos a testemunhas lançados pela polícia para encontrar uma pessoa desaparecida foram numerosos este verão. Incidiam sobretudo em jovens, muitas vezes encontrados depois de alguns dias. Por ocasião do Dia Mundial das Pessoas Desaparecidas, assinalado esta terça-feira, Henri Eippers, porta-voz da administração judiciária, explica como funciona a investigação no caso dos desaparecidos.

“Esses casos têm início quando a família faz uma denúncia na esquadra. Dependendo do caso, há mais ou menos verificações a serem feitas. A polícia judiciária é então chamada quando se trata de uma grande operação de busca. 


Vinte alertas de desaparecimento de menores desde janeiro
Há ainda cinco pessoas por encontrar, de acordo com as autoridades.

Ao denunciar um desaparecimento, é-se atendido pelos agentes da esquadra, que tomam imediatamente as medidas necessárias. “Entre estas, destaca-se a recolha de informações, a descrição detalhada da pessoa desaparecida, o esclarecimento das circunstâncias [do desaparecimento], etc. Além disso, o agente responsável pelo caso entra em contacto com a família do desaparecido e realiza uma investigação no local do desaparecimento”, explica Ben Eich, funcionário da direção de comunicação. 

Henri Eippers destaca que, dependendo das circunstâncias, o desaparecimento de um adolescente não resulta necessariamente num apelo a testemunhas. No que diz respeito aos adultos, esse parecer é emitido em particular se as pessoas procuradas tiverem problemas de saúde e necessitarem de tomar medicamentos ou de apoio permanente, ou mesmo se houver uma mudança no seu comportamento. 

Quando se decide um apelo público?

“Além desses critérios, não devemos esquecer que um adulto tem o direito de se distanciar de um determinado ambiente ou da sua família e de cortar laços. Mas é preciso perceber quais são as circunstâncias que levaram ao desaparecimento”, diz ainda Henri Eippers. 

Segundo o responsável, em todos os casos é necessário determinar a urgência da situação. Estabelecido o carácter de urgência, a imprensa é rapidamente informada e é dada luz verde para lançar um apelo a testemunhas. “Cabe ao Ministério Público territorialmente competente decidir, em conjunto com os polícias responsáveis ​​pelo caso, os meios de investigação a implementar”, salienta.

 724 desaparecimentos registados em 2021 

Entre os critérios para o lançamento de um aviso de desaparecimento, os investigadores também se perguntam se há hipótese de encontrar uma pessoa desaparecida graças a um apelo público.  “Se as hipóteses são baixas, não há muito sentido em tornar o desaparecimento público, porque é uma notícia que traz muita publicidade e é uma invasão significativa de privacidade. Também procuramos saber, no caso dos jovens, se é um primeiro desaparecimento ou se é uma questão de fugas repetidas. Se for o último caso, evitamos apelar a testemunhas, porque corremos o risco de perder a atenção do público”, defende Henri Eippers. 

Em 2021, foram notificados 724 desaparecimentos no Luxemburgo, dos quais mais de metade (490) dizia respeito a menores. “A maioria dos casos são de fugitivos”, refere Henri Eippers. Uma estatística partilhada pela polícia grão-ducal. É, no entanto, difícil dar uma resposta geral sobre as razões destes desaparecimentos, porque "os vários relatos de desaparecimentos constituem mais situações muito particulares". 

Até agora, houve um 'alerta âmbar' no Grão-Ducado em 2018 para um menor desaparecido que poderia estar em perigo de vida. Durante esse alerta, é lançado um aviso de busca em todos os meios de comunicação, inclusive nas estações rodoviárias.

Três casos por resolver 

Enquanto que a maioria das pessoas procuradas reaparece após alguns dias ou é encontrada pela polícia, três casos ainda não foram resolvidos nos últimos anos. No dia 2 de julho de 2015, um bebé do sexo feminino de nome Bianca desapareceu perto de uma lagoa entre Pétange e Linger. Naquele dia, uma testemunha viu uma mullher a caminhar até à água com um bebé e a regressar sozinha. Mais tarde, os investigadores descobriram vestígios do ADN da criança desaparecida nas ruínas de um carro de bombeiros perto da lagoa. A mãe não foi acusada de homicídio, uma vez que o corpo da criança nunca foi encontrado. 

No estrangeiro, existem dois luxemburgueses que continuam na lista de desaparecidos. Desde 2019 que Nicolas Holzem (44 anos) não é visto, após ter partido para uma viagem de mota à América do Sul. Em 16 de junho de 2019, cruzou a fronteira entre Peru e Bolívia em Titali, nas proximidades do Lago Titicaca. Desde então que não dá sinais de vida. 

Os investigadores também procuram François Thillman, natural de Beringen, que desapareceu aos 28 anos na região de Paris, corria o ano de 2010. Foi visto pela última vez na noite de 11 de dezembro por uma testemunha, em Ivry-sur-Seine. "Nesses três casos, todos os caminhos possíveis foram estudados, mas se surgirem novos elementos, serão feitas novas investigações", assegura Henri Eippers.

Artigo publicado originalmente na edição francesa do Wort

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