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Luxemburgo. As principais causas da depressão em tempo de pandemia
Luxemburgo 3 min. 03.05.2020 Do nosso arquivo online

Luxemburgo. As principais causas da depressão em tempo de pandemia

Luxemburgo. As principais causas da depressão em tempo de pandemia

Luxemburgo 3 min. 03.05.2020 Do nosso arquivo online

Luxemburgo. As principais causas da depressão em tempo de pandemia

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Diretor da linha telefónica SOS Détresse explica as razões que estão a causar stress, ansiedade e problemas psicológicos entre os residentes no Luxemburgo. O número de apelos aumentou 30%.

 “Quanto mais longo for o confinamento maior será o risco das pessoas sofrerem uma depressão, que pode ser grave e desenvolverem problemas psicológicos”, garante Sébastien Hay, diretor do SOS Détresse, telefone 45 45 45, a linha telefónica de apoio psicológico gratuita, anónima e confidencial para a prevenção da depressão.

Entre 1 de março e 26 de abril o SOS Détresse recebeu 722 pedidos de apoio de pessoas angustiadas, dos quais 289 eram relacionados com a covid-19.


Confinamento. Das angústias aos conflitos com vizinhos nas casas do Luxemburgo
Diariamente a hotline covid-19 dá apoio psicológico a quem está deprimido, teme pelo futuro ou com problemas dentro das quatro paredes. Há psicólogos a falar português.

Houve um aumento de 30% dos telefonemas em relação ao ano passado, reconheceu ao Contacto Sébastien Hay, ressalvando não poder garantir que o crescimento se deva à pandemia.

Neste período que coincide com o confinamento da população, o SOS Détresse recebeu 616 chamadas telefónicas das quais 258 com preocupações ligadas à pandemia, e 106 mensagens por email, das quais 31 sobre a covid-19.  Clique aqui para informações da linha SOS Détresse.

Falta de reconforto familiar

O cansaço do confinamento e da distância social, da falta de reconforto presencial de familiares e amigos aumentam o stress e os problemas psicológicos de quem está a viver entre quatro paredes quase há dois meses.

“Esta situação é nova, nunca ninguém passou por algo assim e isso traz muitas questões existenciais”, vinca Sébastien Hay, além das “inseguranças quanto ao futuro”.

O medo de regressar ao trabalho e ser contagiado, o receio de ficar sem emprego ou sem rendimentos suficientes ao final do mês devido à crise sanitária provocam ansiedade e conduzem a estados depressivos.


Pandemia de Covid-19 já está a fazer crescer pedidos de apoio psicológico
A saúde mental é mais uma das preocupações colaterais do combate ao novo coronavírus. Ao Contacto, a Ligue Luxembourgeoise d’Hygiène Mentale dá conta de uma subida do número de pedidos de assistência de pessoas mentalmente vulneráveis e antecipa um agravamento com o confinamento, com consequências que durarão para lá da pandemia.

Preocupação com férias compradas

“Há pessoas que nos telefonam contando que já tinham viagens e férias compradas e temem não ser reembolsados. Além de que não podem concretizar os seus planos por causa da pandemia”, conta este psicólogo.

Mesmo a perspetiva do fim do isolamento social traz ansiedades. “Como poderei manter a distância social?” Sébastien Hay perspetiva que mesmo no regresso lento à vida normal, há problemas psicológicos que se irão manter. Porque tudo o que se está a viver é uma novidade.

O estar fechado em casa com a família, dia e noite, também pode gerar novos conflitos e ser motivo de stress, como relata quem telefona para o SOS Détresse.  “Mesmo quem está em teletrabalho tem de conciliar o seu trabalho com a atenção a dar aos filhos pequenos, passando-se tudo em simultâneo”, explica Sébastien Hay. E há quem não se consiga concentrar no trabalho com os barulhos familiares, sobretudo das crianças pequenas.

Situações que conduzem a conflitos conjugais e que também já foram desabafados ao telefone desta linha de apoio. A preocupação para com familiares, sobretudo os mais idosos, que não podem neste momento visitar, o medo deles poderem ser infetados são outra das grandes preocupações de quem procura esta ajuda telefónica.


Covid-19. Na fronteira de França com o Luxemburgo a angústia é portuguesa
Há milhares de portugueses que trabalham no Luxemburgo com contratos temporários na construção civil - a maioria vive do lado francês da fronteira. Quando a pandemia chegou, centenas viram-se de um dia para o outro sem emprego nem qualquer tipo de apoio. Muitos furaram o confinamento e voltaram a Portugal. Esta é história dos que ficaram e tentam aguentar.

Possível aumento depressão

“Em geral, sempre que há uma mudança drástica na vida, um choque traumático a probabilidade de uma pessoa desenvolver uma depressão aumenta”, refere este psicólogo clínico. E a pandemia provocada por este vírus desconhecido, pode, de facto, contribuir para o aumento de depressões. Este é o alerta feito por especialistas de todo o mundo.

Embora a depressão esteja ligada a pensamentos suicidas e mesmo a mais trágico desfecho, Sébastien Hay afirma que entre quem procura apoio no SOS Détresse “as tendências suicidas não tem aumentado”.

Contudo, quando os casos de depressão são mais sérios, os psicólogos do outro lado desta linha telefónica encaminham os doentes para os serviços especializados, salienta este responsável. “É visível a importância que o governo do Luxemburgo está a dar à saúde mental nesta crise pandémica, tendo instalado novas linhas telefónicas de apoio psicológico e outras necessárias como a da violência doméstica”, frisa Sébastien Hay.

No final, este psicólogo clínico deixa uma mensagem a todos os voluntários. “O meu muito obrigado a todos os voluntários que apesar dos riscos estão a ajudar e a dar o seu apoio nesta crise”.

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SOS Détresse
A SOS Détresse é um serviço telefónico de apoio psicológico criado há 40 anos no Luxemburgo. Disponível todos os dias, a associação é muitas vezes a última linha para quem procura ajuda para vários problemas, incluindo depressão.