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Luxemburgo. As crianças têm medo deste vírus 'invisível'
Luxemburgo 4 min. 11.05.2020

Luxemburgo. As crianças têm medo deste vírus 'invisível'

Luxemburgo. As crianças têm medo deste vírus 'invisível'

Luxemburgo 4 min. 11.05.2020

Luxemburgo. As crianças têm medo deste vírus 'invisível'

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Miúdos e jovens estão a viver um “caos emocional” provocado pela pandemia. A psicóloga da linha de apoio Kanner Jugendtelefon, no Luxemburgo, revela ao Contacto os temores dos mais novos e como os pais podem ajudar os filhos.

Se para os adultos é difícil compreender como um vírus é capaz de fechar o planeta inteiro em casa imagine como será para uma criança pequena? De repente, deixa de ir à escola, de poder estar com os amiguinhos, de ver os avós ou simplesmente brincar na rua, durante mais de dois meses. 

Por causa de um vírus “invisível” que as assusta e deixa tristes, como conta ao Contacto psicóloga Aline Hartz do Kanner Jugendtelefon, a linha telefónica de apoio psicológico infantil e jovem do Luxemburgo, através do número 116111, gratuito, anónimo e confidencial.

“Há crianças que têm medo deste vírus invisível que, como dizem, os pode deixar doentes, a eles ou aos que mais amam”, explicou ao Contacto esta psicóloga do Kanner Jugendtelefon, que também dá apoio aos pais através do serviço Parent Listening.

Embora as chamadas não tenham sofrido um aumento, a covid-19 tornou-se um dos assuntos que levam crianças e jovens a marcar o 116111, ou a escrever para o apoio online. As conversas têm sido “muito intensas” pois a pandemia mexe muito “com as emoções” dos mais novos, salientou Aline Hartz.


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 "Muito tristes" e saudosas

“As crianças que nos telefonam compreendem que se trata de um vírus, algo que definem como invisível, indescritível, transparente e que se propaga pelo ar”, vinca. Um ‘bicho’ que as angustia, que “as destabiliza, as torna inquietas e sentindo-se impotentes”, contou esta especialista.

O confinamento e a pandemia provocaram “receios” e houve crianças, “bastante tristes”, sobretudo pelas “saudades dos amigos, familiares, pessoas de confiança”. No caso dos filhos de pais separados, alguns meninos falaram sobre as saudades do outro progenitor, com quem não vivem.

O coronavírus e o confinamento geraram um “caos emocional” nos mais novos que se sentiram “assoberbados” por tantos sentimentos, referiu a psicóloga. Emoções que nunca tinham vivido com tal intensidade e outros anseios novos que a crise lhes trouxe.

Ansiedades e pensamentos suicidas

Nos adolescentes e jovens, quem mais recorreu a este serviço de apoio psicológico, sobretudo ao serviço online do Kanner Jugendtelefon , foram aqueles que já antes se confrontavam com “ansiedades, pensamentos negativos e fortes emoções”, e que se intensificaram com a crise da covid-19. Entre eles houve situações muito graves.

“Alguns diziam sentir-se perdidos, sofriam de isolamento e evocavam pensamentos suicidas, por vezes, graves e outros falavam de comportamentos autoinfligidos”, frisou Aline Hartz.


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A violência doméstica foi causa de alguns pedidos de ajuda: “Chegaram-nos alguns apelos de jovens que sofrem com situações de conflitos com irmãos ou com os pais. Alguns porque são vítimas de violência física e psicológica, por vezes, de abusos sexuais. Trata-se de situações que já eram frequentes antes da crise, mas que foram agravadas pelo aumento da tensão devido ao confinamento da família a uma área limitada”.

Felizes com regresso à escola 

Os mais novos estão a regressar à escola e no dia 11 foi a vez dos alunos do ensino secundário voltarem às aulas. Os estudantes dos últimos anos já têm aulas presenciais desde o dia 5. Agora só falta as crianças do ensino fundamental, com entrada prevista para dia 25.

Querem as crianças voltar às suas escolas? A maioria sim, e estão “impacientes”. “Alguns disseram estar mesmo felizes, especialmente por poderem reencontrar os seus amigos, mas também por poderem voltar a aprender as matérias ‘normalmente’”, anuncia Aline Hartz.

Apesar da alegria sentida, os mais novos continuam receosos com o novo coronavírus.  Como devem os pais lidar com esses medos? Aline Hartz deixa o conselho aos pais: “Leve o seu tempo. Ouça os seus filhos e esteja disponível. Responda às perguntas deles, não às suas. Esteja interessado nos seus pensamentos, reflexões, emoções e medos. Por vezes, pode não ter as respostas às perguntas dos seus filhos, mas não importa. Não se pode saber tudo. Pode-se procurar a resposta em conjunto ou, por vezes, simplesmente não há resposta”.


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