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Luxemburgo. A máscara deve ser obrigatória nas salas de aula?
Luxemburgo 7 min. 02.09.2020 Do nosso arquivo online

Luxemburgo. A máscara deve ser obrigatória nas salas de aula?

Luxemburgo. A máscara deve ser obrigatória nas salas de aula?

Foto: AFP
Luxemburgo 7 min. 02.09.2020 Do nosso arquivo online

Luxemburgo. A máscara deve ser obrigatória nas salas de aula?

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Pais e professores dividem-se. Pediatras defendem que Governo deve decidir. Esta semana o ministro da Educação dá a resposta.

O novo ano letivo está à porta e os casos de infeção tendem a aumentar no Luxemburgo. Os especialistas da ‘task force’ covid-19 do Grão-Ducado alertam para a possibilidade de uma terceira vaga da epidemia afetar o país a partir de meados deste mês, após o regresso das férias e início do ano escolar.

A prevenção dos contágios nas escolas, entre as crianças e adolescentes, é uma das prioridades dos governos europeus por esta altura, mas os países têm adotado medidas diferentes no que respeita ao uso de máscara pelos estudantes nas escolas, sobretudo nas salas de aula.

Veja-se o caso dos países vizinhos do Luxemburgo. Enquanto em França todos os alunos, a partir dos 11 anos, são obrigados a usar máscara nas salas de aula, bem como no interior de todo o estabelecimento escolar, na Bélgica a obrigatoriedade não é específica da idade, mas do grau de ensino, e no secundário é exigido a todos os alunos o uso da máscara nas escolas. Já na Alemanha a obrigação de usar máscara pelos alunos é decidida por cada estado federal. Berlim foi já acusado de ter adotado medidas fracas “permissivas” perante os casos de infeção registados em mais de 41 escolas da cidade que obrigaram a centenas de alunos e professores ficar de quarentena, duas semanas depois do início do ano escolar.

Em Espanha, outros dos países que a par com França e Alemanha regista atualmente um aumento diário de casos de infeção, o Governo impôs esta semana o uso de máscara obrigatória aos alunos por toda a escola, incluindo as salas de aula.

No Luxemburgo os alunos vão ser obrigados a usar máscara nas salas de aula? Que outras medidas de prevenção vão ser adotadas nas escolas do país? O ministro da Educação irá responder a estas questões até ao final da semana, quando anunciar os planos de segurança e combate à propagação da covid-19 nos estabelecimentos escolares para o novo ano letivo, que se vai iniciar no próximo dia 15.


As viseiras não substituem a máscara
O uso de apenas viseiras, por exemplo, nos restaurares poderá vir a dar multa.

A máscara é um dos elementos mais importantes para prevenir o contágio da covid-19, sendo o seu uso obrigatório nos locais públicos fechados em quase todos os países. Em Paris ou Barcelona esta imposição estende-se ao ar livre e até na rua os residentes têm de usar esta proteção facial.

Patrick Theisen, presidente da Sociedade Luxemburguesa de Pediatria lembra que a recomendação da OMS diz que a partir dos 12 anos todas as pessoas devem usar máscara. A par com o distanciamento social e a higiene das mãos é uma medida fundamental para evitar o contágio da doença. Sobre a questão da máscara não tem uma posição fechada. “Penso que essa é uma decisão que cabe ao Governo. Como vemos, cada país tem adotado medidas diferentes e não podemos ainda dizer qual é o melhor exemplo a seguir, pelo que tem de ser o executivo a decidir”, defende ao Contacto Patrick Theisen.

O que dizem os professores

Nesta matéria os representantes dos pais e professores do Luxemburgo têm opiniões diferentes.

“O uso da máscara nas salas de aulas deveria ser obrigatório a partir dos 13 anos, pois está provado que os adolescentes são infetados e transmitem o vírus. Acontece que em muitas salas das escolas do país não poderá ser respeitada a distância física de dois metros entre as cadeiras dos alunos, pois não há espaço suficiente com as turmas completas”, justifica Raoul Scholtes falando em nome dos professores do ensino público secundário.

Para este representante a “máscara é essencial para a proteção das gotículas maiores que possuem maior concentração do vírus” e são diretamente projetadas pelas pessoas infetadas. Isto na altura em que os adolescentes ou docentes não sabem ainda que estão infetados.

No entanto, para além do uso da máscara, as salas de aula também “têm de ser ventiladas duas a três vezes a cada meia hora para eliminar os aerossóis, as pequeníssimas partículas que contém o vírus e que permanecem no ar por mais tempo, em ambientes fechados”, relembra o presidente da Feduse. Por isso, Raoul Scholtes alerta que as janelas e a porta das salas de aula têm de ser abertas várias vezes, durante a classe para ventilação do espaço, eliminando assim os aerossóis infeciosos que possam estar no ar.

No restante estabelecimento escolar, como nos corredores e restantes espaços interiores e exteriores, os alunos devem usar sempre a máscara dado que é um local público, lembra este dirigente.

A opinião dos pais

Já a Representação Nacional dos Pais do Luxemburgo (RNP) não concorda com a imposição a nível nacional do uso de máscara nas salas de aula defendendo que esta medida deve ser decidida pelas “direções de cada escola”, afirma ao Contacto Alain Massen, presidente da RNP.

No entanto, todos os alunos, “a partir dos seis anos, devem ser obrigados a usar máscara no restante recinto escolar, bem como na estrada de acesso, nos corredores e parque infantil”, aventa o representante dos pais dos alunos do Luxemburgo.

No ensino básico, a RNP é da opinião que “o uso de máscaras pode ser opcional assim que as crianças se sentarem nos seus lugares nas salas de aula”. Também no ensino secundário, onde há mais alunos por sala de aula e quando as distâncias não puderem ser garantidas, as “máscaras podem ser usadas mesmo durante as aulas”. Contudo, “as escolas deveriam ter alguma liberdade para tornar as máscaras obrigatórias ou opcionais”, vinca Alain Massen.

Até porque, como justifica, “tem de se considerar que a situação sanitária é diferente numa escola em Esch-sur-Alzette de outra no norte do país. É por isso que os diretores das escolas devem ter uma certa liberdade” para decidir.

Planos para vários cenários

Os representantes dos professores e dos pais voltam a estar de acordo sobre a importância do Ministério da Educação desenvolver antecipadamente vários planos para diferentes cenários epidemiológicos da covid-19 que possam vir a acontecer ao longo deste ano escolar.

Para a Representação Nacional dos Pais este é a situação “mais importante” que a tutela deve acautelar: “o desenvolvimento prévio de vários cenários, desde o cenário com poucas infeções, o cenário com mais infeções, mas com situação estável, ao cenário de catástrofe com um aumento exponencial das infeções”.

De acordo com os diferentes cenários “há que adotar as medidas necessárias”, frisa Alain Massen. E acrescenta: “O mais importante é que todo este catálogo de medidas (que devem ser mudadas acordo com o cenário) deve ser conhecido antecipadamente por estudantes, professores e pais”.

Também o representante dos professores sublinha a necessidade do ministério antecipar já várias reações à evolução da epidemia.

“Os planos de prevenção para as escolas devem estar preparados para todas as situações. Se por acaso acontecer o pior e o número de infeções aumentar exponencialmente, e esperemos que tal não aconteça, o ministério deverá ter já preparado um plano melhor para os alunos do que aquele que foi adotado em maio, o da divisão de turmas semanalmente, em que metade tinha ensino presencial e a outra metade ficava em casa”, declara Raoul Scholtes.

Para a Feduse o “ministro já devia ter anunciado os planos de prevenção nas escolas dado que o ano letivo está prestes a começar e os professores e os pais não sabem como se vão organizar”.

Até ao final da semana os 50.343 alunos do ciclo fundamental e os 42.807 do secundário do Luxemburgo vão ficar a saber como vai ser o regresso às aulas para todos em tempo de epidemia. 

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