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Lixeiras ilegais do Luxemburgo já ameaçam a fauna e flora francesas
Luxemburgo 9 4 min. 22.01.2020 Do nosso arquivo online

Lixeiras ilegais do Luxemburgo já ameaçam a fauna e flora francesas

Lixeiras ilegais do Luxemburgo já ameaçam a fauna e flora francesas

Foto: Pierre Matgé
Luxemburgo 9 4 min. 22.01.2020 Do nosso arquivo online

Lixeiras ilegais do Luxemburgo já ameaçam a fauna e flora francesas

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
As toneladas de lixo tóxico depositado pelo Grão-Ducado e pela Bélgica nas florestas da fronteira francesa são um "caso muito grave".

A 17 de janeiro, motoristas franceses bloquearam um camião com matrícula holandesa que estava a despejar ilegalmente excrementos de animais num terreno em Hussigny-Godbrange, provenientes de uma propriedade agrícola luxemburguesa.  A polícia francesa foi chamada e obrigaram o proprietário luxemburguês a vazar os resíduos nos seus terrenos. Este justificou ser mais simples despejá-los em França, pois no Luxemburgo não o pode fazer.

O caso contado nas páginas do Republican Lorrain é apenas um de muitos exemplos de descargas de lixo ilegal que residentes no Luxemburgo e na Bélgica fazem na fronteira francesa, somando-se já centenas de toneladas. E os despejos continuam a aumentar. Até já existe tráfico do lixo destes dois países para a França, segundo a imprensa.

Foto: Pierre Matgé

Em Hussigny, Audun-le-Tiche ,Rédange, Hayange, Haucourt-Moulaine a Pont à Mousson, toneladas e toneladas de lixo selvagem industrial, tóxico e poluente continuam a ser despejadas e acumuladas em aterros nas florestas e localidades francesas, oriundo do Luxemburgo e da Bélgica, declara ao Contacto, o francês Gautier Berera do ‘Collectif Citoyen: j’aime Ma Forêt’.


Luxemburgueses estão a deitar lixo nos bosques de Audun-le-Tiche
Franceses estão cansados de limpar lixeiras com produtos tóxicos e avançam com medidas.

Limpa-se o lixo e ele volta a aparecer

Na página do Facebook deste coletivo começa a ser raro o dia em que não é publicada uma nova fotografia com lixo encontrado, sejam sacos de lixo doméstico na beira da estrada francesa, ou grandes depósitos novos de lixo industrial ou lixeiras que aumentam de volume, em locais já habituais.

Só para dar um exemplo, em Rédange foram depositados ilegalmente quase 200 toneladas de lixo e em Haucourt-Moulaine, perto de Longwy, formou-se um aterro selvagem, com 550 toneladas de lixo.

“Os depósitos selvagens estão a tornar-se insuportáveis e, acima de tudo, cada vez mais numerosos. Uma vez limpos, eles reaparecem rapidamente”, vinca Gautier Berera, acrescentando que muitas cidades foram “afetadas por estas centenas de toneladas de resíduos industriais despejados por pessoas desonestas”.

Uma situação que este representante do coletivo francês considera já “muito grave” pois está a ameaçar a biodiversidade das florestas francesas.

"Aves mortas perto das lixeiras"

“Os animais, como as aves, javalis ou roedores que vivem na floresta e a flora são diretamente afetados por esta poluição sem consequências. Estes resíduos são realmente perigosos e podem levar a uma pandemia local sem precedentes”, declara Gautier Berera. Pelas "doenças causadas pelos germes" e toxicidade dos depósitos de lixo.

E tem exemplos para dar: “Quantas vezes nós já vimos aves e roedores mortos perto destas lixeiras. Trata-se de produtos altamente tóxicos, como gasolina, produtos domésticos, peças de motores com amianto. Estamos a falar de uma grave crise da saúde”.

Para o ‘Collectif Citoyen: J’aime Ma Forêt’, o que está a acontecer é um “crime contra a natureza e toda a sua biodiversidade”. O problema é que não há que queira agir: “Chamámos a Câmara Municipal e o Office National des Fôrets (ONF) e nada. Disseram que ‘o problema não é com eles’”.

Na lixeira de Hayange, conseguiu-se apanhar “em flagrante um despejo feito pela transportadora luxemburguesa Josh de material da empresa belga Mondial. A transportadora ou os serviços Mondial ficaram de retirar o lixo e limpar o local, mas o lixo continua lá”. 

Tudo isto aconteceu há meses e motivou uma investigação dos serviços da Alfândega para comparar os diferentes lixos. A investigação da alfândega está em curso. Mas é imperativo que este lixo seja limpo. Pela prefeitura ou pela região. E depressa”, avisa Gautier Berera.

À edição francesa do Wort e sobre este despejo ilegal a empresa Josh disse que foi uma “vítima” da Mondial, tendo sido enganada.

O presidente da câmara de Rédange, Daniel Cimarelli referiu ao site Les Frontaliers que existem alegados casos de tráfico de lixo com destino à sua região, de transportadoras que recolhem lixo de empresas belgas e luxemburguesas e os transportam para os despejar do outro lado da fronteira francesa, em aterros ilegais em Rédange. Claro que as empresas pagam estes serviços. As autoridades já têm em curso uma investigação para descobrir a origem destes depósitos.

O local do despejo selvagem em Rédange (vermelho) está situado perto da fronteira com o Grão-Ducado (amarelo).
O local do despejo selvagem em Rédange (vermelho) está situado perto da fronteira com o Grão-Ducado (amarelo).
Fonte: Geoportail

Exigir "medidas imediatas"

Perante a gravidade da situação e a inércia das autoridades, Gautier Berara exige que sejam tomadas “medidas imediatas para proteger a biodiversidade”.  Este responsável encaminha o alerta para os presidentes das câmaras que são quem tem de cuidar “das suas cidades e das suas florestas” e da “polícia” responsável pela área dos resíduos. 

Cabe aos autarcas agir, “avisar a polícia de alfândega e enviar a polícia municipal aos locais e accionar os meios contra os poluidores”, lembra este responsável. Contudo, como até agora os autarcas “têm feito muito pouco”, o representante do ‘Collectif Citoyen: J’aime Ma Forêt’ pede então “aos municípios que assumam a responsabilidade” de resolver o problema.

Para Gautier Berera as florestas e a “natureza devem ser protegidas com barreiras” e os “guardas florestais devem regressar, para as vigiar, entre outras atividades”.

Mas, acima de tudo, no seu entender, “os serviços da alfândega deveriam ter uma papel mais ativo na área da ecologia, mas infelizmente, têm pouco pessoal”. 

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