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Linha da frente. Enfermeiros desesperam com silêncio do primeiro-ministro
Luxemburgo 2 min. 30.10.2020 Do nosso arquivo online

Linha da frente. Enfermeiros desesperam com silêncio do primeiro-ministro

Linha da frente. Enfermeiros desesperam com silêncio do primeiro-ministro

Foto:Guy Jallay
Luxemburgo 2 min. 30.10.2020 Do nosso arquivo online

Linha da frente. Enfermeiros desesperam com silêncio do primeiro-ministro

Mais de metade dos enfermeiros que trabalham no Luxemburgo são estrangeiros e ainda assim há 80 postos de enfermagem por ocupar. Atentos às novas restrições, estes profissionais de saúde lamentam a ausência de medidas concretas para resgatar a classe profissional.

Face ao último discurso do Estado da Nação, a Associação Nacional de Enfermeiros do Luxemburgo lamenta a escassez de horizontes para a preservação da profissão que, juntamente com os médicos e com os auxiliares, está, desde março, na linha da frente do combate à pandemia. Há falta de profissionais e o grau de formação no Grão-Ducado fica abaixo do nível das fronteiras. Estima-se que 65% dos enfermeiros contratados no Grão-Ducado são estrangeiros. Contra a prioridade dada à "ajuda à imprensa, às empresas, finanças municipais, licenças desportivas", os enfermeiros luxemburgueses reivindicam a revalorização da profissão que dizem estar em vias de extinção. 

Apesar das tentativas, o primeiro-ministro nunca recebeu os representantes da classe profissional. Citada pelo Wort, Anne-Marie Hanff defende que "podemos congratular-nos como o Bettel por termos comprado 90 milhões de máscaras, 34 milhões de luvas, 2,5 milhões de fatos protectores e 4 scanners", apesar de não esquecer que "as pessoas que têm de os usar" estão aparentemente esquecidas.  Sobre isso, o silêncio é radiofónico", lamenta. 

Importar 

De acordo com a organização "mesmo após a campanha de recrutamento expresso dos últimos dias, pode estimar-se que ainda existe uma escassez de cerca de 80 postos de enfermagem nos vários estabelecimentos de saúde do país", numa altura em que todas as unidades hospitalares se viram obrigadas a reformular a organização face ao descontrolo da segunda vaga de infeções da pandemia. 

Criticam a constante importação de trabalhadores transfronteiriços para compensar a ausência de profissionais devidamente formados no Grão-Ducado. "Temos de resolver esta dependência. Mas, por enquanto, o Governo não está a fornecer a solução para satisfazer a necessidade...", já reconheceu a ministra da Saúde, Paulette Lenert, embora o tão esperado "bacharelato inovador em enfermagem" continue na gaveta. 

Numa altura em que 65% dos profissionais de saúde que atuam no país provém de França, Alemanha e Bélgica - como mostram os dados mais recentes da OCDE - os representantes dos enfermeiros advertem para a falta de correspondência entre os cursos de enfermagem ministrados do país com a realidade hospitalar. Cobram portanto a promessa de Xavier Bettel que levantou a possibilidade de abrir uma nova instituição de formação para enfermeiros ou auxiliares de enfermagem, sem que nenhum passo tenha sido dado nesse sentido. 

Segundo o relatório LAIR do ano passado, um total de 7.344 enfermeiros trabalham no Luxemburgo, sendo que apenas 35,3% vivem efetivamente no país. Dentro deste número total, existem 1.130 enfermeiros especializados. 

Em 2034, 40% de todos os enfermeiros atualmente em funções serão reformados.

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De acordo com Sylvain Vitali, da federação dos hospitais luxemburgueses, "com o aumento e envelhecimento da população, a necessidade de enfermeiros é maior do que há 20 anos", alertou este responsável, citado pelo l'essentiel.