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Líder indígena vem ao Luxemburgo defender as florestas e as tribos da Amazónia
Luxemburgo 3 min. 13.05.2019

Líder indígena vem ao Luxemburgo defender as florestas e as tribos da Amazónia

Líder indígena vem ao Luxemburgo defender as florestas e as tribos da Amazónia

Geraldo Magela/Agência Senado/wikipedia
Luxemburgo 3 min. 13.05.2019

Líder indígena vem ao Luxemburgo defender as florestas e as tribos da Amazónia

Raoni Metuktire pretende arrecadar com esta viagem pela Europa um milhão de euros para proteger a reserva do Xingu, localizada na Amazónia, lar de vários povos indígenas ameaçados pela indústria madeireira e pelo agronegócio.

A jornada de três semanas do líder indígena Raoni Metuktire, que começou este domingo em Paris, vai ter uma paragem pelo Luxemburgo. No dia 20 de maio, Raoni - que está a percorrer a Europa em defesa das florestas da Amazónia e das suas tribos - vai reunir-se com o primeiro-ministro Xavier Bettel e o Grão-Duque Henri. 

Pertencente à etnia Kayapó, Raoni, que ganhou renome internacional nas últimas décadas, vai aproveitar a visibilidade internacional para tentar arrecadar um milhão de euros para proteger a reserva do Xingu, uma reserva localizada na Amazónia, lar de vários povos indígenas ameaçados pela indústria madeireira e pelo agronegócio.


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Raoni vem acompanhado por outros três líderes indígenas que vivem no Xingu. Depois de Paris, os quatro líderes vão seguir para a Bélgica, Suíça, Luxemburgo, Mónaco e Itália, onde irão encontrar-se com o Papa Francisco no Vaticano, segundo a Associação Forêt Vierge, da qual Raoni é presidente honorário.

Os fundos arrecadados serão usados para substituir os sinais nos limites da vasta reserva do Xingu e para comprar drones e equipamentos técnicos para monitorizar a região e protegê-la contra incêndios, informou a Forêt Vierge, em comunicado. Algumas das comunidades no Xingu precisam ainda de recursos a nível da saúde, educação e conhecimento técnico para a extração e comercialização de produtos renováveis obtidos na selva. "Desta forma, os povos indígenas poderiam viver de maneira digna na reserva, protegendo a floresta e suas culturas ancestrais, em vez de ir para áreas rurais ou urbanas", explica o comunicado.


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A viagem do líder indígena ocorre num período de grande tensão devido ao aumento das ameaças à Amazónia por parte dos setores de mineração e agricultura que encontraram no Presidente do Brasil um aliado. Um dos primeiros atos de Jair Bolsonaro como Presidente foi transferir a responsabilidade sobre as demarcações de terras indígenas do Ministério da Justiça para o da Agricultura que, historicamente, defende os interesses dos grandes proprietários de terras. A medida foi fortemente criticada por organizações não-governamentais, mas Bolsonaro acusou estas instituições de "explorarem e manipularem" os índios. 

Em abril deste ano, Bolsonaro reafirmou a sua intenção de rever demarcações de reservas indígenas no país e de explorar a região amazónica em conjunto com os norte-americanos. O chefe de Estado brasileiro disse que há uma "política errada sobre a Amazónia" e reiterou que a suposta "indústria de demarcações de terras indígenas" que começou em 1992, durante o Governo do ex-Presidente Fernando Collor de Mello, impede o desenvolvimento daquela região. "Setenta por cento dos índios têm a nossa cultura e querem o desenvolvimento da terra", disse o chefe de Estado brasileiro.


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As declarações de Bolsonaro alertaram as comunidades indígenas que lutam há dezenas de anos para proteger o seu território e as suas culturas. No dia 23 de abril, cerca de cinquenta indígenas brasileiros criticaram, em Nova Iorque, nos Estados Unidos, a política "trágica" do Presidente do Brasil, num protesto em que gritaram que "a Amazónia não está à venda". "É urgente que o mundo ouça a voz, o grito dos povos indígenas. Somos ameaçados pelo agronegócio, hidroeletricidade, pelo desmatamento e pela indústria mineira", disse a Coordenadora Nacional da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), Sonia Guajajara, num Fórum Indígena da ONU.

Para Sonia Guajajara, o Governo de Bolsonaro, que defende a exploração da floresta e dos recursos nacionais do país, "representa uma tragédia para o povo brasileiro". "Mas nós já resistimos há cinco séculos, por que não resistir a quatro anos de fascismo?", questionou.


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A taxa de desflorestação da Amazónia, que caiu drasticamente entre 2004 a 2012, voltou a disparar: em janeiro de 2019, o desmatamento foi 54% superior do que em janeiro de 2018, segundo o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazónia (Imazon), uma organização não-governamental que monitoriza esta floresta tropical.

A Amazónia, considerada o "pulmão do planeta", tem um número impressionante de espécies: 40.000 plantas, 3.000 peixes de água doce, quase 1.300 aves e 370 répteis.  

Agências



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