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Juncker afasta regresso à política e culpa o Luxemburgo pelas revelações da Openlux
Luxemburgo 3 min. 22.02.2021

Juncker afasta regresso à política e culpa o Luxemburgo pelas revelações da Openlux

Juncker afasta regresso à política e culpa o Luxemburgo pelas revelações da Openlux

Foto: Pierre Matgé
Luxemburgo 3 min. 22.02.2021

Juncker afasta regresso à política e culpa o Luxemburgo pelas revelações da Openlux

A assistir de fora, Jean-Claude Juncker diz que o Governo "está a fazer a coisa certa" em relação à covid-19.

Não. Não está nos planos de Jean-Claude Juncker voltar à política nacional, depois de terminado o mandato à frente da Comissão Europeia em 2019. "Dei quase tudo o que tinha e não posso voltar à política porque passei lá muito tempo e, às vezes, pensava mesmo que já lá passava demasiado tempo", encerrou o assunto na entrevista que o L'Essentiel publica esta segunda-feira. 

"Ainda estou interessado na política, a raiva e o entusiasmo dominam-me de vez em quando, mas eu calo-me. Há quem me peça conselhos e orientação. Eu dou os conselhos que posso dar, mas não dou palpites nem conselhos não solicitados", partilha o homem que liderou o Governo luxemburguês entre 1995 e 2013, pela mão dos conservadores do CSV. 


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"A coisa certa"

A assistir da bancada ao avanços e recuos que acompanham a pandemia, Jean-Claude Juncker considera que o Governo liderado por Xavier Bettel "tenta responder no presente e comete erros de apreciação". De qualquer forma, tendo em conta que a atuação do Executivo se "assemelha aos Governos dos países vizinhos", diz que  "no fogo e na ação, tenta fazer a coisa certa".

Nem o conhecimento profundo dos procedimentos europeus, permite ao antigo primeiro-ministro apontar o dedo à estratégia desencadeada para responder à crise sanitária. Face ao momento inédio, Juncker "não tem a arrogância de comentar as ações do governo luxemburguês". Acrescenta até que não tem por hábito fazer avaliações públicas sobre os comandos do país. "Nunca critico os meus antecessores e os meus sucessores", diz antes de entrar num dos temas mais sensíveis das estruturas luxemburguesas. 

"A culpa é nossa" 

Convidado a comentar as revelações da investigação jornalística OpenLux, conduzida pela Le Monde e por outros 16 orgãos de comunicação social, Juncker admite que a fama de paraíso fiscal "é um pouco nossa". 

O conservador aproveitou a oportunidade para quebrar o silêncio sobre o tema que tem gerado controvérsia na Câmara dos Deputados, com o próprio CSV, na pessoa de Laurent Mosar, a dizer que a coligação chefiada por Bettel respondeu bem às conclusões que começam a pôr a nu as contradições da opacidade do registo das 55 mil empresas offshore sediadas no Luxemburgo.


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"A culpa é um pouco nossa", contraria Juncker. "É nossa responsabilidade. Fui ministro das Finanças e todos aqueles que estavam comigo no barco do Governo sabem, com precisão e precisão, que sempre fui contra esta facilidade que os banqueiros luxemburgueses pensam que podem implementar. Ficar rico nas costas e nas costas dos países vizinhos nunca foi a minha chávena de café", diz sem meias medidas o homem, cujas responsabilidade políticas também foram questionadas em 2014, quando rebentaram as fugas de informação do LuxLeaks.  

"Quando cheguei a Bruxelas depois de ter antecipado o fim do segredo bancário no Luxemburgo, sem saber que me tornaria Presidente da Comissão", sublinha, "e depois de ter defendido nos meus vários discursos no Parlamento Europeu a ideia de harmonizar a fiscalidade das empresas, lancei, juntamente com o Comissário francês Pierre Moscovici, 24 directivas sobre harmonização fiscal", diz em própria defesa. 


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"Acredito que devemos impor requisitos fiscais mínimos aos gigantes da Internet. Temos de chegar a acordo sobre a base comum de avaliação da tributação das empresas. Sim, sim, acredito que tudo isto deve ser feito", dá indicações para o futuro. 

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