Escolha as suas informações

Jovens. As marcas que a covid-19 vai deixar no futuro
Luxemburgo 3 min. 27.01.2021

Jovens. As marcas que a covid-19 vai deixar no futuro

Jovens. As marcas que a covid-19 vai deixar no futuro

Luxemburgo 3 min. 27.01.2021

Jovens. As marcas que a covid-19 vai deixar no futuro

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
A pandemia já está a afetar mais de metade dos adolescentes e jovens adultos do Luxemburgo, segundo indica um estudo da UNI, e vai continuar a mudar as suas vidas nos próximos anos.

Mais de metade dos adolescentes e jovens adultos do Luxemburgo estão preocupados com a pandemia e as suas consequências. A revelação é feita no estudo "YAC - Young People and COVID-19": Resultados preliminares de um Inquérito Representativo a Adolescentes e Jovens Adultos no Luxemburgo", realizado entre julho e setembro de 2020. 

“Mais de 50% dos adolescentes e jovens adultos (12-29 anos) no Luxemburgo declaram estar (muito) preocupados com a COVID-19 e potenciais mudanças como resultado da COVID-19”, especifica ao Contacto Robin Samuel, um dos autores deste estudo realizado pela Universidade do Luxemburgo junto de 5119 pessoas.

A influência da imigração

As maiores preocupações surgem entre os adolescentes e jovens de famílias imigrantes residentes no País. “Os inquiridos com antecedentes migratórios relatam mais frequentemente estar (muito) preocupados com o Covid-19 e que têm menos probabilidades de lidar bem com a situação, em comparação com pessoas sem antecedentes migratórios. Isto muito provavelmente está ligado aos aspetos socioeconómicos”, relata este investigador sublinhando não poder falar em concreto dos portugueses e lusodescendentes porque “não fizemos tal distinção no estudo entre as nacionalidades estrangeiras residentes no País”.

A crise pandémica alterou o funcionamento das escolas e obrigou a mudanças no ensino, o que representou uma causa de stress para alguns estudantes. “Como mostra o relatório sobre os resultados preliminares do YAC, cerca de 28% dos estudantes declaram que não sentiram a mudança, enquanto uma parcela semelhante de estudantes declaram sentir-se mais stressados (38%) ou menos stressados (34%) pelo trabalho escolar antes da COVID-19, em comparação com o presente”, referiu o investigador.

Para a maioria dos alunos a afinidade com a escola era maior antes da pandemia, com 54,1% dos estudantes a responder que “gostavam mais da escola antes do que agora (final do verão, outono de 2020), enquanto 17,9% gostavam menos (final do verão, outono de 2020)”, frisa o autor do estudo. E adianta que a menor identificação com a escola “parece ser mais forte para os inquiridos mais jovens do que para os mais velhos”.


Adolescentes. Uma geração à deriva no meio da pandemia
São cada vez mais os jovens que procuram apoio psicológico. Têm a vida em "suspenso", e a crise está a causar-lhes sérios problemas emocionais. Os seus testemunhos ao Contacto são um grito de alerta.

Covid condiciona futuro

E que marcas vai deixar esta pandemia, ainda sem previsão de abrandamento, no futuro desta nesta geração? “Nos próximos anos, os jovens podem ser confrontados de forma muito dura, com consequências ao nível da educação e inseguranças financeiras, que irão provavelmente aumentar as desigualdades socioeconómicas”, sugerem os estudos internacionais, realça Robin Samuel.

A crise poderá obrigar estes jovens a “atrasar a sua entrada no mercado de trabalho e a viver experiências de desemprego no início da sua vida profissional, o que afetará os seus rendimentos económicos e a sua saúde”, referem outros estudos. 

Os anseios e problemas com que os mais novos se debatem agora, em plena crise, poderão também ter implicações na sua vida afetiva, com “possíveis atrasos de desenvolvimento psicossocial nalguns jovens, sobretudo ao nível da autonomia em relação aos progenitores e ao nível dos relacionamentos amorosos”, entre outros, vinca Robin Samuel referindo-se igualmente a conclusões de outras investigações realizadas pelo mundo. 

Em relação aos jovens do Luxemburgo, o investigador anuncia que o inquérito YAC-Young People vai ter uma segunda fase que vai decorrer este ano para se continuar a estudar as implicações da covid-19, na população dos 12 aos 29 anos. Uma terceira fase do estudo está prevista para 2023/24.

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.


Notícias relacionadas