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JIF marca greve de mulheres lembrando as que estão na linha da frente da pandemia
Luxemburgo 3 min. 27.11.2020

JIF marca greve de mulheres lembrando as que estão na linha da frente da pandemia

JIF marca greve de mulheres lembrando as que estão na linha da frente da pandemia

Foto: Contacto
Luxemburgo 3 min. 27.11.2020

JIF marca greve de mulheres lembrando as que estão na linha da frente da pandemia

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
8 de março de 2021 é a data marcada para a segunda greve da plataforma, que reúne várias organizações. Entre as reivindicações está o reconhecimento do trabalho de prestação de cuidados, essencialmente feminino, que a pandemia pôs em evidência.

A plataforma JIF lançou, esta sexta-feira, 27 de novembro, a campanha para a segunda greve das mulheres no Luxemburgo, que está marcada para 8 de março de 2021, no Dia Internacional da Mulher. 

Segundo a organização, a pandemia expôs ainda mais a necessidade de reconhecimento do trabalho de prestação de cuidados, pago e não pago, exercido maioritariamente por mulheres. E é essa a base das reivindicações da greve do próximo ano, que já tinha estado também na origem dos protestos da primeira, realizada em março de 2020, e que, de acordo com as contas da JIF, reuniu mais de duas mil pessoas nas ruas.

"A plataforma JIF não mudará o seu foco em 2021", refere o comunicado da organização, que na manifestação deste ano reivindicou "mais dinheiro, mais tempo e mais respeito pelo trabalho de cuidados" e ação por parte do Governo. 

Agora, com a pandemia em plena segunda vaga, a plataforma quer sublinhar a reivindicação, lembrando que por causa da crise de covid-19, o trabalho de cuidados remunerado e não remunerado passou a ser visível e destacado pelo seu contributo para "salvar vidas". 


Fotogaleria. Greve das mulheres no Luxemburgo
Foram muitas as mulheres que saíram à rua no Luxemburgo no sábado para reivindicar igualdade e direitos.

"O Luxemburgo viveu o seu primeiro estado de crise sanitária e durante o período de confinamento, os prestadores de cuidados foram aplaudidos, os empregados de caixas foram agradecidos e toda uma série de empregos foram considerados indispensáveis."

Para a organização, é urgente uma ação do Governo para melhorar o estado do trabalho de cuidados. Trabalho, na maior parte dos casos, desempenhado predominantemente por mulheres, mas que não impede, de acordo com a plataforma, que elas sejam também das mais afetadas pelo desemprego que a crise tem provocado.

"As pessoas mais expostas aos riscos de saúde e às consequências económicas da pandemia são também as mais precárias, as mulheres em geral, incluindo as trabalhadoras domésticas, as famílias monoparentais, imigrantes indocumentados, as mulheres imigrantes e os sem-abrigo em particular. A taxa de desemprego tem aumentado, com a particularidade de muitas mais mulheres estarem atualmente desempregadas", salienta a JIF.

Entre as medidas defendidas pela plataforma está a "reavaliação significativa do SSM e das profissões que dele dependem" e que não deve continuar a ser adiada. Por outro lado, a organização alerta para o facto de "a semana de 60 horas com até 12 horas de trabalho por dia" ser cada vez mais "imposta a várias categorias de pessoal, particularmente no sector da saúde".

O teletrabalho em conjugação com as tarefas domésticas e de cuidado, em casa, é outra das realidades para a qual a JIF quer chamar a atenção, lembrando que essa sobreposição veio aumentar o trabalho, sobretudo não remunerado, sobre as mulheres.

"Com o teletrabalho e o encerramento das escolas surgiram novas tensões entre casais na negociação da assunção do trabalho doméstico e da educação das crianças. Novas cargas de trabalho tiveram de ser asseguradas, especialmente pelas mulheres", refere a JIF, reivindicando a partilha equitativa do trabalho de cuidados e redução das horas de trabalho que as mulheres acumulam.

Em tempos de crise pandémica, a plataforma entende que o próprio futuro do sistema de saúde dependerá do reconhecimento e valorização do trabalho remunerado e não remunerado de cuidados.   

Antes da greve, e já a partir desta sexta-feira, está prevista a realização de várias iniciativas, por parte da organização. Envio de boletins informativos regulares, reuniões abertas em todo o país, em formato presencial ou online, entre outros eventos temáticos. 


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