Jean-Paul Carvalho

“Ser arquiteto é trabalhar em coisas realistas. Também é assim na política”

Jean-Paul Carvalho
Jean-Paul Carvalho
Foto: Ricardo Vaz Palma

Jean-Paul Carvalho é arquiteto e está no Luxemburgo desde pequenino. Aos 46 anos, pai de dois filhos – o Gabriel e a Magda – candidata-se pelo Déi Gréng à Câmara de Esch-sur-Alzette.

O que é que leva um arquitecto de profissão a candidatar-se a um cargo político, nomeadamente a um cargo numa autarquia?

O presidente dos Verdes (Déi Gréng) em Esch, Martin Kox, que conheço há alguns anos, convidou-me para me candidatar à lista. Nos últimos anos tento ajudá-lo na câmara nas áreas de arquitetura e de urbanismo. Convidou-me, não para ser um dos candidatos principais, mas para estar presente numa lista e aceitei. Ser arquiteto é trabalhar em coisas pragmáticas e realistas, e isto também é assim na política. Se chove é preciso um telhado para nos protegermos, é preciso ter uma visão do futuro. E como político, Martin Kox tem esse tipo de visão. O objetivo é, por isso, trazer essa visão, a parte da arquitetura social e urbanistíca.

Mora em Esch. Como vê a cidade?

Sim, moro desde sempre. De bairro em bairro, mas sempre em Esch. Tem um potencial muito grande, seja a própria cidade, sejam as pessoas. Há lojas que têm mais de 50 anos, mas também há lojas jovens, novas. A cidade tem pessoas que lá vivem desde sempre e uma geração mais jovem: pessoas que vêm de fora para estudar ou trabalhar. Há um bom mix em Esch. Mas também é verdade que a cidade tem uma visibilidade um pouco triste em certas zonas.

B.I.


Nome: Jean-Paul Carvalho;


Localidade em que é candidato: Esch-sur-Alzette;


Profissão: Arquiteto;

Idade: 46 anos;

Partido: Déi Gréng;

Posição em que jogaria numa equipa de futebol: Prefiro artes marciais porque se trabalha em equipa para o bem comum, com respeito pela vida. A imagem atual do futebol é mais de dinheiro. Mas fora essa imagem, talvez avançado ou guarda-redes, porque trabalham para a equipa.

Quais são os principais problemas que Esch tem?

Seria bom redinamizar o centro da cidade. Nos últimos anos houve muita energia positiva em Esch e também em Belval. É bom redefinir e dar uma energia forte ao centro da cidade, como outras câmaras o fazem. Recriar uma identidade clara trará outra vez população para o centro de Esch, para vir às compras. As lojas abrem novamente, as pessoas vêm viver outra vez para o centro de Esch. Não precisariam de carro – ou precisariam menos – porque passariam a fazer mais a sua vida na cidade e andariam mais de bicicleta. Isso resolve uma parte.

E como se pode fazer esta redinamização?

Há várias pistas. Uma delas é contabilizar todas as lojas que estejam vazias e dessas, perceber quais pertecem à câmara ou onde a câmara pode ter influência. Nesses lugares vazios, podia começar-se por emprestar o espaço, por uma semana ou duas, a jovens, para terem uma instalação artística. Isso, no curto-prazo, e com custos muito baixos, já dá uma outra imagem. Dá um efeito bola de neve, de chamar a atenção: as pessoas percebem que há uma loja vazia, que nunca tinham percebido, apesar de passarem por ali tantas vezes. Traz uma imagem fresca. Cria emoções para que as pessoas se sintam bem, para marcar uma recordação positiva. Pode ser um atelier, por exemplo, ou a venda de comida de uma determinada cultura. Só para chamar a atenção para o facto de que o lugar está vazio e pode ser ocupado por alguém com um projeto.

Que outros problemas identifica?

Há certos bairros em Esch, onde as pessoas têm medo de ir. Isso há em todas as cidades. Outro problema são os acessos. As pessoas não estão contentes porque é difícil chegar a Esch. A cidade do Luxemburgo, por exemplo, tem quatro ou cinco entradas. E quanto mais entradas tem mais fácil é para entrar e para sair. E Esch não tem isso. Muitas vezes cria-se confusão na entrada e saída da cidade e isso cria mau-estar. E as pessoas que andam de bicicleta no centro também o sentem, porque de repente há muitos carros. Isso é um trabalho urbanístico e para isso não há milagres.

As suas prioridades passam então por tentar ultrapassar estas dificuldades que agora elencou...

Paula Cravina de Sousa

(Leia a entrevista na íntegra na edição do Contacto desta quarta-feira)

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba a nossa newsletter das 17h30.