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"Iogurte em vez da água!". Cidadãos e ambientalistas voltam a questionar projeto de fábrica em Bettembourg
Luxemburgo 3 min. 13.08.2020

"Iogurte em vez da água!". Cidadãos e ambientalistas voltam a questionar projeto de fábrica em Bettembourg

"Iogurte em vez da água!". Cidadãos e ambientalistas voltam a questionar projeto de fábrica em Bettembourg

Foto: Lex Kleren/Luxemburger Wort
Luxemburgo 3 min. 13.08.2020

"Iogurte em vez da água!". Cidadãos e ambientalistas voltam a questionar projeto de fábrica em Bettembourg

Catarina OSÓRIO
Catarina OSÓRIO
Entre 31 de julho e 10 de agosto o projeto para a instalação da fábrica grega de iogurtes Fage, em Bettembourg, gerou cerca de 15 questões e dúvidas de cidadãos e ambientalistas.

O projeto da construção da fábrica grega de iogurtes Fage já leva quatro anos de avanços e recuos. E nem a mais recente consulta pública conseguiu convencer alguns habitantes de Bettembourg e a associação ambientalista natur&ëmwelt.  

Após a abertura anunciada para 2016 na zona industrial de Wolser, em 2020 os terrenos ainda continuam vazios. Entre 31 de julho e 10 agosto, o dossier de 900 páginas esteve disponível para quem quisesse ler e opinar. Segundo contou à RTL o burgomestre de Bettemburgo, Laurent Zeimet, cerca de 15 cidadãos a associações ambientais questionam sobretudo o elevado consumo de água e a eliminação das águas residuais que podem ter repercussões no rio Alzette. Este é um dos pontos também salientado pela associação ambientalista natur&ëmwelt

"Iogurte em vez de água!"

Em comunicado enviado às redações (intitulado "Iogurte em vez de água!") a asbl questiona mesmo por que razão as famílias são alertadas todos os anos para a poupança de água, sendo aconselhadas a investir em novos equipamentos, e ao mesmo tempo esteja a ser aprovado um projeto contra esta política. " Mas porque é que os particulares devem gastar dinheiro com isto quando ao mesmo tempo está a ser aprovada a construção de uma fábrica de iogurte, cuja produção está prevista consumir água potável à escala de uma pequena cidade de 18.000 habitantes?", perguntam os ambientalistas. 

Outra das dúvidas da natur&ëmwelt prende-se com as reservas de água potável. Segundo a edição francesa do Luxemburger Wort, o Sindicato das Águas do Sul (SES, na sigla francesa) [...] prometeu fornecer a quantidade máxima de 400 metros cúbicos de água por hora". No entanto este tem, por sua vez, de solicitar reservas ao Sindicato das Água da Barragem de Esch-Sur-Sûre (Sebes, na sigla francesa), que são detidas apenas para emergências. 

"É mais urgente abastecer uma fábrica de iogurtes com água como meio de produção do que assegurar o abastecimento de água potável à população? Se as reservas de água potável da Sebes forem colocadas à disposição da fábrica de iogurte, quais são as reservas restantes?", questionam os ambientalistas. 

natur&ëmwelt mostra ainda algumas reticências quanto ao estudo de impacto ambiental e diz mesmo que as consequências para a biodiversidade do Alzette  não estão claras. Por último, criticam o timing da consulta pública "durante as férias de verão" sugerindo que o objetivo será apressar o processo ou calar um possível protesto generalizado. 

A Fage, que escolheu sedear-se no Luxemburgo, afirma já ter gasto mais de 41 milhões de euros no projeto, incluindo 30 milhões na compra do terreno. E é este processo que continua a deixar dúvidas na cabeça de muitos, incluindo na  do burgomestre de Bettemburgo. 


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"Como foi possível a venda do terreno mesmo antes de os procedimentos terem sido iniciados?", questionou-se Laurent Zeimet à RTL. O caso está a ser investigado pelo Tribunal de Contas, dado que uma venda sem a concessão do Estado dos direitos de utilização para terrenos industriais é invulgar no país. Ainda segundo a estação de TV luxemburgesa, há outras questões que continuam a preocupar as autarquias, como por exemplo o aumento do tráfego rodoviário na região.

100 postos de trabalho

O investimento de 100 milhões de euros do grupo leiteiro poderá criar até 100 postos de trabalho numa primeira fase, número que "pode estender-se aos 200, tal como assegurou o diretor da Fage", disse o burgomestre de Dudelange, Dan Biancalana, ao Wort em julho passado.

Após o fim da consulta pública, os conselhos comunais de Bettembourg e Dudelange terão agora de dar o seu parecer e enviá-lo para os ministérios responsáveis. Finalmente, é esperada (ou não) luz verde. O ministro da Economia, Franz Fayot tem insistido que o projeto será benéfico para a região e para o país. Mas muitas questões continuam sem resposta.

Segundo a edição francesa do Luxemburger Wort, a unidade fabril que está prevista produzir cerca de 80 mil toneladas de iogurte grego por ano, não deverá estar operacional antes de 2022. 

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