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Imprensa luxemburguesa é pluralista, mas ainda dependente de interesses empresariais
Luxemburgo 2 min. 19.04.2019 Do nosso arquivo online

Imprensa luxemburguesa é pluralista, mas ainda dependente de interesses empresariais

As revelações do caso Luxleaks, mediatizado por Antoine Deltour, "estabeleceram um precedente que favorece a liberdade de expressão", refere o relatório.

Imprensa luxemburguesa é pluralista, mas ainda dependente de interesses empresariais

As revelações do caso Luxleaks, mediatizado por Antoine Deltour, "estabeleceram um precedente que favorece a liberdade de expressão", refere o relatório.
Foto: Chris Karaba
Luxemburgo 2 min. 19.04.2019 Do nosso arquivo online

Imprensa luxemburguesa é pluralista, mas ainda dependente de interesses empresariais

Henrique DE BURGO
Henrique DE BURGO
O panorama da liberdade de imprensa em Portugal é melhor que o do Luxemburgo. Portugal está no 12° lugar, o Grão-ducado no 17° e Cabo Verde no 25°.

"Pluralista, mas dependente de interesses empresariais". Este é o veredicto sobre o panorama da imprensa luxemburguesa, referido no relatório mundial da liberdade de imprensa, divulgado ontem pela ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF).


Luxemburgo desce dois lugares no 'ranking' da liberdade de imprensa
Luxemburgo desce dois lugares no 'ranking' da liberdade de imprensa

Apesar de ter caído 0,94 pontos percentuais em relação ao ano passado, o Grão-Ducado continua a ocupar o 17.º lugar da lista de 180 países.

Num ranking liderado pela Noruega (7,82), Suécia (7,90) e Holanda (8,31), em que o mais importante é ter menos pontos de penalização, o Luxemburgo volta a figurar no “Top 20” da liberdade de imprensa, com 15,66 pontos, quando no ano passado tinha o valor de 14,72.

Entre os países lusófonos, melhor que o Luxemburgo está Portugal, no 12° lugar (12,63 pontos) enquanto Cabo Verde aparece no 25° lugar (19,81 pontos) e o Brasil está na segunda metade da tabela, no lugar 105 (32.79).

Pierre Matgé

De acordo com o relatório dos Repórteres Sem Fronteiras, o Luxemburgo tem uma variedade de meios de comunicação, mas os subsídios estatais acabam por significar que “os jornais diários refletem fielmente as opiniões dos principais partidos políticos do país”. 


CONTACTO/Liberdade de imprensa: Luxemburgo não recorreu de condenação
O Luxemburgo não recorreu da condenação do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem por violar a liberdade de imprensa no caso das buscas policiais ao semanário português CONTACTO. A decisão do tribunal sediado em Estrasburgo que deu razão ao jornal transitou agora em julgado, tornando-se definitiva.

O documento chega mesmo a questionar a “independência” da Rádio 100.7, financiada pelo Estado, e da RTL, grupo que é indiretamente financiado pelo Estado, através de uma concessão de serviço público.

Os Repórteres Sem Fronteiras referem ainda que os jornalistas continuam a lutar para ter acesso a documentos públicos, com as autoridades a dificultar, muitas das vezes, o acesso a documentos técnicos, enquanto os sistemas judiciais resistem a disponibilizar à comunicação social alguns detalhes sobre as suas decisões.

Foto: Chris Karaba

Outro dos desafios apontados no relatório prende-se com os interesses económicos, que tendem a “amordaçar” a comunicação social, seja através de proprietários individuais ou de publicidade.

Apesar das críticas, o documento sublinha, pela positiva, as revelações do caso Luxleaks, que "estabeleceram um precedente que favorece a liberdade de expressão". O caso mediatizado pelo lançador de alerta Antoine Deltour, denunciou acordos fiscais feitos entre o Estado luxemburguês e várias multinacionais, com estas a beneficiar de uma fatura fiscal reduzida, com taxas de imposto muito baixas.


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