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Hospitais alemães estão a recusar atender doentes do Luxemburgo
Luxemburgo 3 4 min. 13.08.2020

Hospitais alemães estão a recusar atender doentes do Luxemburgo

Hospitais alemães estão a recusar atender doentes do Luxemburgo

Archivfoto: Gerry Huberty
Luxemburgo 3 4 min. 13.08.2020

Hospitais alemães estão a recusar atender doentes do Luxemburgo

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
São conhecidos pelos menos três casos. Partido Democrático quer saber o total de residentes proibidos de entrar nos hospitais na Alemanha e quais as medidas que o Governo irá tomar contra estas “recusas chocantes”.

Um casal com uma criança, residente no Luxemburgo, deslocou-se ao hospital da cidade de Homburg, na região alemã do Sarre, para uma consulta de  especialidade que estava marcada desde “março ou abril”. O paciente levava consigo o resultado negativo do teste covid-19 que apresentou à entrada do estabelecimento, mas mesmo assim foi-lhe recusado o acesso ao hospital e à sua consulta. A justificação dada? Vinham do Luxemburgo.

O episódio foi contado pela própria família ao deputado Claude Lamberty do Partido Democrático que como assumiu ao Contacto ficou "extremamente chocado” com a situação.

Para além deste caso, Claude Lamberty leu ainda na imprensa que o Ministério da Saúde do Luxemburgo revelou ter já conhecimento de mais dois casos de residentes no Luxemburgo a quem tinha sido igualmente recusado o atendimento nos hospitais alemães.

Ministra tem de resolver

De imediato este deputado e o deputado Gusty Graas, também do DP decidiram colocar uma questão parlamentar à ministra da saúde Paulette Lenert sobre este problema por eles considerado “muito grave”.

 Na questão parlamentar, escrita a 7 de agosto estes deputados pedem à ministra da saúde para informar sobre o número concreto destas recusas de atendimento dadas pelos hospitais alemães aos habitantes do Grão-Ducado e quais as “principais razões evocadas”. 

“Senhora ministra, quais as medidas que estão a ser preparadas para garantir que os pacientes luxemburgueses sejam atendidos sem restrições nos hospitais alemães?”, questionam ainda Claude Lamberty e Gusty Graas no documento. “Espero que dentro de uma semana, 10 dias nos seja dada a resposta pela ministra da saúde”, estima o deputado do PD.


Alemanha impõe testes obrigatórios ao Luxemburgo
A partir de sábado, a Alemanha exigirá que todos os viajantes que regressem de regiões de risco sejam testados para o covid-19. O Grão-Ducado está na lista.

Fronteiras não vão encerrar

Questionado se o motivo do não atendimento está ligado à taxa de infeção covid-19 do novo coronavírus no Luxemburgo, e aos números elevados das novas infeções com que se debate a Alemanha, nos últimos tempos, Claude Lamberty mostra-se cauteloso e prefere aguardar pela resposta oficial do Governo. “E o que o Ministério da Saúde irá fazer para terminar com estas recusas”.

Quanto às ameaças do novo encerramento das fronteiras alemãs com o Luxemburgo, o deputado declarou que o Ministro do Interior alemão já confirmou que as “fronteiras não irão encerrar”.

Luxemburgo "tem sabido gerir a crise"

“Além de que o Luxemburgo tem sabido gerir bem a crise da covid-19, a nossa estratégia foi felicitada a nível internacional, e a nossa missão tem sido sempre transparente”, declara Claude Lamberty.

Contudo, apesar das fronteiras continuarem abertas, “os hospitais têm de atender os pacientes do Luxemburgo, por isso espero que, em breve, teremos uma resposta oficial da ministra da saúde.

“É inacreditável que isto esteja a acontecer. Mesmo que seja apenas um caso é muito triste. Espero que tenham sido apenas estes três casos isolados e não esteja a haver muito mais recusas”, vinca este deputado sublinhando que numa “Europa unida os cidadãos europeus com testes negativos à covid-19 e com consultas marcadas em hospitais noutros países têm de ser atendidos e tratados”.

Só urgências no Sarre e Renânia-Palatinado    

No Sarre e na Renânia-Palatinado há estabelecimentos que só aceitam agora pacientes do Luxemburgo em casos de urgência, conforma revela uma reportagem publicada no Luxemburger Wort.

"O Hospital Universitário Saarland (em Homburg) ainda está disponível para tratamentos urgentes de pacientes residentes em Luxemburgo - nenhuma emergência é rejeitada, nenhuma quimioterapia e nenhuma operação de tumor é cancelada", declara ao Luxemburger Wort (LW), o Diretor médico Wolfgang Reith. Já os restantes tratamentos que não são críticos devem ser adiados. O mesmo foi dito pela clínica Knappschaftsklinikum Saar.

"O estado fornece a estrutura legal, mas o hospital tem a palavra final", declarou, por seu turno, o porta-voz do Ministério da Saúde da Renânia-Palatinado assumindo que a situação é complicada em relação aos pacientes vindos do Luxemburgo. Tal como no Sarre, neste estado alemão os hospitais, como Hospital Brothers, em Trier, e University Medical Center, em Mainz, só aceitam doentes do Grão-Ducado para tratamentos e intervenções urgentes.

E no Hospital Brothers é o médico responsável quem decide “com base em critérios médicos o que é uma urgência médica”, declara ao LW uma fonte.

Já o Aachen University Hospital da Renânia do Norte-Vestfália informou o LW que “os doentes residentes no Luxemburgo continuarão a ser tratados, incluindo doentes externos”, contudo, devem trazer um teste covid-19 negativo. Se não trouxerem terão de o fazer primeiro.

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