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Horeca. Mais apoios, pausa na contestação
Luxemburgo 3 min. 16.02.2021

Horeca. Mais apoios, pausa na contestação

Horeca. Mais apoios, pausa na contestação

Foto: António Pires
Luxemburgo 3 min. 16.02.2021

Horeca. Mais apoios, pausa na contestação

Teresa CAMARÃO
Teresa CAMARÃO
À espera "para ver no que dá", o movimento que está por detrás das manifestações que têm invadido a centro da capital vai guardar os cartazes em casa esta semana. Restaurantes e bares voltam à carga se os novos apoios não funcionarem, como explicou ao Contacto um dos porta-vozes do Horeca Tous Ensemble.

Ainda o ministro das Classes Médias, Lex Delles, não tinha terminado a conferência de imprensa em que anunciou o novo pacote de apoios dirigidos ao setor, já a curiosidade borbulhava nas redes sociais. "Há mais alguma manifestação prevista?", questionava um dos mais de dois mil membros do grupo do movimento Horeca Tous Ensemble, no Facebook. 

"Neste momento, penso que é demasiado cedo para falar num novo protesto. Vamos esperar pelos primeiros efeitos dos novos apoios, ver como é que o Governo recupera o atraso e ainda o que a [Federação] Horesca vai dizer", apressou-se a responder um dos rostos mais conhecidos das manifestações que têm varrido o centro da capital há seis semanas consecutivas. "Esta é a minha opinião pessoal, mas pode mudar dependendo da situação", advertia, no entanto, o barman Clément Elie. 

Em entrevista ao Contacto, o luxemburguês, que tem assumido o papel de porta-voz do descontentamento do setor nos protestos, confirmou a intenção. "Estamos à espera para ver o que a nova ajuda trará ao nosso setor", resumiu. 

"Se percebermos que ainda existem problemas com a chegada da ajuda, faremos novamente manifestações para que todos possam receber a ajuda prometida". Para já, certo é que o recolher obrigatório entre as 23h e as 6h e o encerramento de bares e restaurantes é para manter, pelo menos, até 14 de março, como anunciaram, em coro, o primeiro-ministro e a ministra da Saúde. 

Balão de oxigénio 

Já na semana passada, o setor tinha ouvido Xavier Bettel comprometer-se em ajudar os restaurantes. Com 300 milhões de euros pagos às empresas desde o início da crise de saúde em 2020, "o governo luxemburguês decidiu reforçar as suas medidas de apoio", em especial às empresas que estão em risco de fechar as portas, muitas já em processo de liquidação. 

De resto, só as empresas em processo de fecho administrativo vão ser beneficiadas com o reforçado talão de cheques luxemburguês. Assim, neste novo pacote "foi decidido que a ajuda para custos não cobertos imunizará até 25% do volume de negócios mensal para o cálculo das receitas, para o período de fevereiro a junho de 2021". Por outras palavras, o Executivo está disposto a não taxar 25% das receitas das empresas em processo de falência. Assume ainda os chamados custos não cobertos das empresas que comprovem quebras de pelo menos 75% do volume de negócio no rescaldo do primeiro ano de pandemia.

Mas há mais. Daqui em diante, também as empresas em fase de arranque podem "beneficiar da ajuda para custos não cobertos", bem como da ajuda à recuperação, mesmo que tenham iniciado as suas atividades após 31 de outubro do ano passado, com o novo prazo de início de atividade a fixar-se a 31 de dezembro. Além disso, as empresas cujo volume de negócios caiu menos de 25% em janeiro deste ano podem beneficiar do pacote de estímulos que o Governo desenhou com a 'bazuca' de 140 milhões de euros que a Comissão Europeia injetou nos cofres do Estado para combater os efeitos da crise sanitária. 

Agora é ver no que dá. Naquela que foi a maior manifestação de sempre da Horeca – com cerca de mil pessoas – , faz esta quinta-feira uma semana, um painel digital escancarava o mais recente balanço do setor. Eram "330 dias de restrições, 160 dias completamente fechados, 22 mil empregos e três mil empresas afetadas". Esta quarta-feira somam-se mais seis dias de restrições e encerramento. Até 14 de março, data em que termina o decreto que resguarda a opção do Governo, terá passado mais um mês. Com a ameaça da propagação das novas variantes da covid-19, o prazo e qualidade de vida da restauração continua a ser uma incógnita. 

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