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Há dois anos o Luxemburgo declarava o estado de emergência e a vida dos residentes ficava em suspenso
Luxemburgo 5 min. 17.03.2022 Do nosso arquivo online
Pandemia

Há dois anos o Luxemburgo declarava o estado de emergência e a vida dos residentes ficava em suspenso

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Há dois anos o Luxemburgo declarava o estado de emergência e a vida dos residentes ficava em suspenso

Foto: Guy Jallay/Luxemburger Wort
Luxemburgo 5 min. 17.03.2022 Do nosso arquivo online
Pandemia

Há dois anos o Luxemburgo declarava o estado de emergência e a vida dos residentes ficava em suspenso

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
A 17 de março de 2020, com 140 infetados com SARS-CoV-2, o Grão-Ducado decidia impor o estado de emergência para conter o avanço da pandemia, que começava a alastrar na Europa

A 17 de março de 2020, o Luxemburgo decretava pela primeira vez o estado de emergência devido à covid-19. A decisão, que foi tomada quando havia 140 infetados no país, durou mais de três meses e permitiu ao Governo adotar medidas e leis excecionais de combate à pandemia, sem que estas tivessem de passar pelo Parlamento e pelo Conselho de Estado. Uma das consequências imediatas foi a paralisação total do setor da construção. 


Politik, Chamber, aktuelle Stunde zum Corona-Virus, Ankündigung Xavier Bettel, Paulette Lenert, Foto: Lex Kleren/Luxemburger Wort
Luxemburgo decreta "estado de emergência". Setor da construção vai parar
Já há 140 infetados no país.

A declaração do estado de emergência veio acompanhada com a recomendação aos cidadãos para ficarem em casa - o que acabaria por levar mesmo a um confinamento total-, à limitação dos contactos sociais e ao encerramento de todas as atividades não essenciais.

Os restaurantes passaram a poder funcionar apenas em regime de "take away" ou entrega em casa e o cumprimento das regras pelos residentes passou a ser monitorizado pelas autoridades policiais. As viagens foram restringidas e os transportes públicos passaram a funcionar com a distância de segurança de "dois metros" para os poucos passageiros a circular. O teletrabalho impôs-se e as aulas presenciais nas escolas foram suspensas. Os hospitais prepararam-se para os piores cenários.


Covid-19. Na fronteira de França com o Luxemburgo a angústia é portuguesa
Há milhares de portugueses que trabalham no Luxemburgo com contratos temporários na construção civil - a maioria vive do lado francês da fronteira. Quando a pandemia chegou, centenas viram-se de um dia para o outro sem emprego nem qualquer tipo de apoio. Muitos furaram o confinamento e voltaram a Portugal. Esta é história dos que ficaram e tentam aguentar.

Com a declaração do estado de emergência, a população no Luxemburgo conheceu uma quase total de restrições de circulação, vendo replicado, de certa forma, o cenário que já se observara na China ou, depois, no norte de Itália. 

A situação de estado de emergência só seria levantada a 24 de junho, mas a maioria das medidas sanitárias manter-se-ia em vigor com a então criada 'lei covid', aprovada dois dias antes pelo Parlamento. Essa lei, que foi sendo sucessivamente atualizada, manteve algumas restrições e trouxe o alívio de outras tantas, com a generalização do uso da máscara e a progressiva vacinação da população, a partir de 2021.

A criação do certificado digital covid da União Europeia, no ano passado, impulsionou o CovidCheck no Luxemburgo, dando ao certificado utilizações internas para além das viagens internacionais, como o acesso a serviços e atividades que passaram a requerer a apresentação do certificado de vacinação, de recuperação ou de teste com resultado negativo.


Nova 'lei covid'. Fim das máscaras e o adeus ao Covidcheck a partir de sexta-feira
Isto significa que quase todas as medidas sanitárias deixam de estar em vigor a partir de hoje à noite . Mas ainda há exceções.

As novas variantes, as novas vagas e as resistências à vacinação levaram a sucessivos avanços e retrocessos no alívio das medidas de combate à pandemia e a readaptações do CovidCheck (2G, 3G). 

O Governo mandou avaliar a possibilidade de implementar a vacinação obrigatória para alguns setores da sociedade - mas ainda não avançou com a aplicação da medida - e as leis covid foram sendo atualizadas conforme os avanços ou recuos necessários para conter a evolução da pandemia.

A 28ª. lei covid foi votada na sexta-feira passada, que, já depois de liberados os acessos a várias atividades e serviços, como bares e discotecas - os últimos a reabrir - pôs praticamente fim à obrigatoriedade do uso da máscara e do CovidCheck. Os únicos lugares onde estes continuarão a ser exigidos serão os hospitais e lares e, no caso das máscaras, mantém-se a obrigatoriedade nos transportes públicos. 

Este levantamento das medidas restritivas pode, contudo, sofrer novos reajustes e até retrocessos. 

Dois anos depois da declaração do primeiro estado de emergência devido à pandemia, os números mostram que esta ainda está longe de acabar.

 Número de casos positivos volta a aumentar

O boletim semanal, divulgado esta quarta-feira pelo Ministério da Saúde, dá conta de que na semana de 7 a 13 de março o número de casos positivos para o vírus SARS-CoV-2 aumentou 24%. Nos últimos três dias, o índice de transmissibilidade (Rt) também se manteve acima de 1, o valor de referência. 

A tudo isto soma-se o ressurgimento de novos casos um pouco por toda a Europa. Esta quarta-feira, a Alemanha voltou a apresentar pelo segundo dia consecutivo um novo recorde da incidência, registando mais de 1.600 infeções acumuladas por 100.000 habitantes.


Anúncio publicitário sobre a possibilidade da vacinação contra a covid-19 numa farmácia, em Berlim.
Alemanha com novo máximo de casos quando debate vacinação obrigatória
Um dos projetos, apresentado por um grupo de deputados da coligação composto por sociais-democratas, verdes e liberais, propõe a vacinação obrigatória para todos os adultos a partir dos 18 anos.

O mapa epidemiológico europeu, do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) atualizado esta quinta-feira, 17 de março, mostra a esmagadora maioria dos países europeus no nível mais alto da incidência de casos (vermelho escuro) - Luxemburgo incluído. A taxa de incidência, reportada a 14 dias, leva em conta o peso da vacinação.

Neste momento, a taxa de cobertura vacinal contra a covid-19, no Grão-Ducado, corresponde a 78,3% da população elegível. Durante a última semana foram administradas um total de 2.842 doses: 230 pessoas receberam uma primeira dose, 850 uma segunda dose e 1.455 pessoas receberam uma dose complementar e 307 receberam uma segunda. Estes números fazem com que o número total de vacinas administradas a 15 de março, no país, fosse já de 1.270.982, de acordo com o boletim epidemiológico mais recente do Ministério da Saúde.

Por outro lado, o número de infeções ativas no Luxemburgo continua a subir. No dia 15 deste mês, eram  12.620 o número de casos ativos, mais 1.711 que no dia 13 -data de referência do último balanço semanal. 

Em janeiro deste ano, o ECDC estimava que a maioria dos cidadãos europeus teria imunidade por infeção ou vacinação anticovid-19 até à primavera ou verão, podendo passar-se a tratar o vírus de forma endémica em vez de pandémica. No entanto, e apesar de haver mais instrumentos de combate ao vírus que em março de 2020, os últimos números parecem fazer adiar este cenário, pelo menos, por mais algum tempo, e o Grão-Ducado não deverá ser exceção.

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