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Há 34 anos, a Notre-Dame do Luxemburgo foi danificada pelo fogo
Luxemburgo 6 3 min. 16.04.2019

Há 34 anos, a Notre-Dame do Luxemburgo foi danificada pelo fogo

Luxemburgo 6 3 min. 16.04.2019

Há 34 anos, a Notre-Dame do Luxemburgo foi danificada pelo fogo

A catástrofe de Notre-Dame de Paris é uma reminiscência do incêndio que ocorreu durante as obras de requalificação na torre da catedral de Notre-Dame do Luxemburgo, em 1985.

Estamos em 1985. Luxemburgo prepara-se para a visita do Papa João Paulo II, nos dias 15 e 16 de maio, e para a "Octave", um dos eventos religiosos mais tradicionais do Grão-Ducado. Dez dias antes, no dia 5 de abril de 1985, a antiga torre da catedral de Notre-Dame do Luxemburgo estava a ser restaurada quando de repente o telhado começou a arder, por volta das 13h45. A torre foi destruída pelo fogo e desabou, como o pináculo da catedral de Notre-Dame de Paris nesta segunda-feira.

Por volta das 14 horas, o incêndio é relatado ao corpo de bombeiros. Seis minutos depois, as chamas já chegaram ao teto da catedral. Em apenas 20 minutos, a torre desmorona e vigas incandescentes caem no pátio interno entre a Biblioteca Nacional e a catedral. Outras peças em chamas perfuram o teto da nave e provocam ainda mais incêndios. A cruz cai no parque atrás do Ministério dos Negócios Estrangeiros.


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Com nove séculos de história, o incêndio que destruiu parte da Catedral de Notre-Dame, em Paris, provocou reações de choque no mundo inteiro. Durante 15 horas, televisões, rádios e jornais relataram a tragédia que levou à perda de parte de um dos mais importantes monumentos de França e da Europa. Em Lisboa, há 140 anos, a revista ilustrada O Ocidente relatava também um evento trágico que abalou os portugueses.

Com o colapso da torre, o carrilhão da catedral também é destruído e os próprios sinos ficam danificados por causa do calor intenso. A intervenção dos bombeiros impede que o fogo se espalhe para a própria catedral e, duas horas depois, o incêndio é extinto.

Nem a "Octave" nem a visita do Papa foram adiadas. No verão, a torre da catedral foi reconstruída. No início de setembro, a estrutura da torre já estava de pé e, no dia 13 de setembro de 1985, a cruz foi fixada no pináculo de 32,5 metros. A partir de 11 de outubro de 1985, o galo começou a girar ao sabor do vento e a 17 de outubro, a reconstrução foi oficialmente concluída.

Entre fevereiro e março de 1986, dez novos sinos foram fabricados na fundição de Karlsruhe, na Alemanha. O carrilhão com os seus 37 novos sinos estava pronto para ser utilizado no início da "Octave", um ano depois da sua destruição. Após a consagração solene dos novos sinos no dia 7 de junho de 1986, os sinos da catedral soaram pela primeira vez nos telhados da cidade no dia 10 de julho de 1986.

Foto: Le Sibenaler

Notre-Dame do Luxemburgo preparada para uma tragédia

O Luxemburgo está preparado para enfrentar o pior cenário, explica Laurent Massard, bombeiro e membro do Departamento de Planeamento e Prevenção do Corpo Grão-Ducal de Incêndio e Segurança (CGDIS). "Embora não haja sistema de irrigação dentro da catedral, foram instalados tubos rígidos em todos os andares do edifício", diz Massard. Esses tubos facilitam o fornecimento de água aos serviços de emergência durante o combate ao incêndio. Assim, os bombeiros não precisam de entrar com as mangueiras nos corredores estreitos e nas escadas sinuosas e podem movimentar-se mais facilmente. "Também existem saídas de emergência na catedral", acrescenta Massard.


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Autoridades francesas já interrogaram cerca de 30 pessoas.

Contudo, cada minuto conta quando ocorre um incêndio. O Departamento de Planeamento e Prevenção criou, dessa forma, um extenso arquivo para permitir que os bombeiros atuem efetivamente em caso de emergência. Os documentos - que são constantemente atualizados e adaptados -   incluem, entre outras coisas, as posições ideais para estacionar os veículos de emergência fora do edifício e os locais de acesso a todos as bocas-de-incêndio à volta. Para além disso, contêm também planos detalhados da igreja e edifícios adjacentes, como o Ministério dos Negócios Estrangeiros ou a Biblioteca Nacional. Duas instituições que também seriam ameaçadas se um incêndio ocorresse na catedral de Notre-Dame.


A corrida dos mais ricos para pagar a reconstrução da Notre-Dame
Será a "crème de la crème" das marcas de luxo francesas, como a Louis Vuitton, Gucci, Guerlain, ou Moët & Chandon, entre outros, que irão financiar a reconstrução da mais famosa catedral de França. As três famílias mais ricas de França, entraram numa competição cerrada e, só elas, doaram 500 milhões dos já mais de 700 milhões reunidos para salvar a "Dama de Paris". Em apenas 24 horas.

Os documentos incluem ainda a descrição das obras de arte e "tesouros" que se encontram no interior da catedral, com a respectiva fotografia e a indicação do local onde se encontram. Em caso de emergência, estas obras valiosas podem ser resgatadas, se as circunstâncias o permitirem.

Armand Thill e Maximilian Richard

Os artigos originais foram publicados no Luxemburger Wort



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