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Guineenses desalojados já têm duas casas à escolha
Luxemburgo 5 min. 28.11.2018

Guineenses desalojados já têm duas casas à escolha

Guineenses desalojados já têm duas casas à escolha

Foto: Gerry Huberty
Luxemburgo 5 min. 28.11.2018

Guineenses desalojados já têm duas casas à escolha

Henrique DE BURGO
Henrique DE BURGO
A família Piedade, desalojada de casa em Larochette no passado mês de outubro, já não deverá passar o rigoroso inverno ao frio. Esta quarta-feira vai mudar de casa.

"Neste momento temos duas ofertas. Só falta agora ver a escola das crianças e a maison relais [atividades de tempos livres]. Num ou noutro caso vamos ter de mudar de residência, de comuna", diz ao Contacto Edicarlos Piedade. Depois de sucessivas semanas a "saltitar" entre três pousadas da juventude e um parque de campismo, a família guineense, desalojada em outubro devido à venda forçada da casa onde morava em Larochette, já tem razões para sorrir.

Esta quarta-feira, a família Piedade vai trocar a pousada da juventude de Larochette por um novo espaço em Heinerscheid [em Clervaux]. O casal português Ana Figueira e José Manuel dos Santos (conhecido como DJ Nolito) prometeu acolhê-los, como o Contacto revelou na edição da passada quarta-feira, e hoje é o dia da mudança.

"Temos cozinha equipada, sofás e algumas coisas para a sala, mas faltam guarda-roupas, uma cama de casal e três camas para as crianças. Já fiz um pedido no Facebook e esperamos ter as coisas prontas para esta quarta-feira. Queremos que, quando chegarem, possam encontrar tudo pronto e bonitinho, com um ar acolhedor", diz Ana Figueiredo, natural de Aveiro e residente no Luxemburgo há 16 anos. A família portuguesa ficou de fazer as últimas obras nos quartos sobre o café-restaurante, em Heinerscheid, e vai pôr à disposição dos guineenses mais um quarto do que o previsto.

"No sábado estivemos com a família portuguesa. Como somos cinco, eles aumentaram-nos para três o número de quartos e esta quarta-feira vamos fazer as mudanças para lá, até conseguirmos outra coisa", garante Edicarlos Piedade.

Foto: Gery Huberty

Quanto à segunda oferta, trata-se de um primeiro andar de uma casa, perto da fronteira com a Bélgica, em Troisvierges, no norte do país. "Na sexta-feira estive reunido com o CNDS-Wunnen [organismo social que faz parte do Comité Nacional de Defesa Social]. Disseram-nos claramente que a casa fica muito longe e que a minha mulher não vai conseguir chegar a tempo ao trabalho por causa do transporte. Há uma família cabo-verdiana que mora no rés-do-chão e disponibilizaram-nos o primeiro andar com três quartos. Mas vamos lá na mesma ver essa casa esta semana. Não quero recusar nenhuma oferta. Só temos de ver o que é melhor para a escola das crianças e para o trabalho", diz o imigrante que, à conta de visitas a novas casas, das mudanças e de levar os filhos mais pequenos à escola, ficou novamente sem trabalho. Mas nem tudo está perdido, porque há quem lhe tenha pedido o currículo.

"Burgomestre de Larochette pediu-me o CV"

"Estive com a burgomestre da comuna de Larochette e o office social no fim de semana. Como fiquei sem trabalho novamente, a burgomestre pediu-me o currículo para ver se arranja alguma coisa", conta Edicarlos. "Com a ajuda de profissionais, espero que a família encontre soluções para os seus problemas e tenha um recomeço. Nos últimos anos, o office social de Larochette disponibilizou muitas ajudas sociais à família. Um dos seus problemas, a habitação, foi atualmente sanado, mas falta ainda encontrar um trabalho fixo e normalizar a situação financeira", diz, por seu turno, a burgomestre Natalie Silva.

Com a mudança para a nova comuna, o office social de Larochette "deixa de ter acesso aos dados da família", garante Natalie Silva. "Mas vai estar à disposição do novo office social".

Edicarlos e Alamuta Piedade vão ter uma nova casa.
Edicarlos e Alamuta Piedade vão ter uma nova casa.
Foto: Gerry Huberty

Comunidade guineense solidária com a família

As boas notícias para a família Piedade poderão também chegar da própria comunidade guineense no Luxemburgo. A Associação Guineense de Cabienque no Luxemburgo está atenta à situação do casal natural de Bissau e dos três filhos, de cinco, dez e 16 anos. "O presidente liga-me quase todos os dias. Disse-me que tem o contacto de alguém que poderá arranjar-me trabalho definitivo já em janeiro. Não tem como ajudar-me de outra forma, mas o apoio psicológico que me dá tem sido muito bom, assim como o de outras pessoas da comunidade, que têm sido incansáveis a preparar cartas ou outras diligências".

O imigrante guineense falou também com o embaixador da Guiné-Bissau no Luxemburgo, Joaquim Mendes de Carvalho, que tem residência em Bruxelas. "Mostrou-se solidário, mas não pode fazer muito mais, porque o Luxemburgo não tem acordos com a Guiné".

Os filhos de Edicarlos e Alamuta vão ter um Natal mais feliz.
Os filhos de Edicarlos e Alamuta vão ter um Natal mais feliz.
Foto: Gerry Huberty

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