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Greve ambiental. “Quando for grande quero estar viva”
Luxemburgo 3 min. 13.03.2019

Greve ambiental. “Quando for grande quero estar viva”

Greve ambiental. “Quando for grande quero estar viva”

Foto: AFP
Luxemburgo 3 min. 13.03.2019

Greve ambiental. “Quando for grande quero estar viva”

Nuno Ramos de Almeida
Nuno Ramos de Almeida
Na próxima sexta-feira, prevê-se que mais de 10 mil estudantes vão tomar as ruas do Luxemburgo para lutar contra a inação dos governos que leva o planeta à beira do desastre ecológico.

São 20 pessoas numa sala. Todos muito jovens. As mulheres predominam: são 12. Juntam-se na Okozenter na cidade do Luxemburgo e discutem os preparativos para a greve ambiental de 15 de março. Estamos a dez dias da manifestação. Começam por decidir se vão participar numa rede internacional com os outros movimentos que estão a preparar a greve ambiental global de 15 de março; fazem o ponto da situação da preparação nas escolas; abordam a possibilidade de se fazer uma ação mediática antes de 15 de março; e discutem aquilo que alguns consideram ter sido uma ingerência do Ministério da Educação no processo da greve estudantil ambiental.

O movimento reuniu com o Ministério para ver as condições em que os alunos podiam participar nesta mobilização de jovens e que esta iniciativa poderia ser divulgada nas escolas do Luxemburgo. Houve um entendimento entre movimento e ministério, de forma a que, com a autorização dos pais, os estudantes pudessem participar na ação sem terem faltas injustificadas. Mas o processo e o entendimento não é obrigatoriamente positivo para todos, alguns dos participantes levantam a questão que “uma greve ambiental devia ser uma greve de facto, e ela é feita contra as políticas dos governos, nomeadamente deste, que levou até esta situação”.

A reunião prossegue em grupos de trabalho para responder às questões de programa, logística, comunicação e outras.


Sara, Joana e Sílvia
As três lusodescendentes que querem parar o aquecimento global no Grão-Ducado
Desde há um ano que os jovens do mundo estão mais inquietos. Perceberam que o mundo que as anteriores gerações lhe pretendem deixar arrisca-se a ser um escombro em forma de planeta. O Contacto foi conhecer três organizadoras da greve global do clima de 15 de março no Luxemburgo.

No dia 15 de março, mais de uma vintena de liceus de todos os cantos do país vão sair às ruas do Luxemburgo. O movimento nasceu um pouco por todo o mundo a partir de um grito de uma geração que vê que está em risco de herdar um planeta moribundo.

À margem da reunião, na cidade do Luxemburgo, duas das iniciadoras do protesto no Grão-Ducado, as lusodescendentes Silvia Almeida e Sara Sousa falam de um processo de tomada de consciência ambiental que passou por decisões individuais em relação ao que comiam e aos cuidados individuais que tinham com o ambiente. Mas que desaguou num processo coletivo em que, com outros, pretendem conseguir políticas governamentais e um funcionamento da economia que ponha cobro à destruição do planeta. “Se as pessoas mudam a sua forma de ver as coisas, a economia e a política têm de mudar”, não se cansa de repetir a Sara.

Na próxima sexta-feira mais de 10 mil jovens vão concentrar-se no Glacis para se baterem por uma alteração das políticas ambientais no Luxemburgo, na Europa e no mundo. Juntam-se, deste modo, a uma vaga global de manifestações sobre este tema no mesmo dia.

Os alertas sobre a destruição do planeta vêm de longe. Já em 1976, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) alertava para o abismo que se aproximava, “mas na época a preocupação das pessoas estava concentrada num conflito atómico e num possível inverno nuclear que se seguiria”, lembra o secretário-geral emérito da OMM ao Le Monde. A OMM vai ser uma das promotoras do GIEC (Grupo de Especialistas Intergovernamentais sobre e Evolução do Clima) e “foi-se progressivamente passando das probabilidades às certezas em relação à influência da atividade humana no aquecimento do planeta”, explica a cientista Elena Manaenkova, secretária-geral adjunta da OMM. 2018 foi um dos anos mais quentes de sempre registados no planeta: “Se continuarmos assim, a temperatura subirá no mínimo mais três graus até ao fim do século”, alerta Manaenkova.


O ator que envergonhou os políticos luxemburgueses com uma simples pergunta
Brice Montagne é ator e ativista do ambiente. Este mês, subiu ao palco do Grand Théâtre para interpretar a peça “Breaking the waves”, a adaptação para teatro do filme homónimo de Lars Von Trier. Mas não foi só em palco que o jovem ecologista fez ondas. Com uma simples pergunta, pôs a nu a ignorância dos deputados luxemburgueses sobre mudanças climáticas.

Os cientistas já se cansaram de alertar que o tempo para garantir grande parte da vida na Terra se está a esgotar: para reduzir a poluição e limitar o aumento da temperatura a um limiar abaixo dos dois graus é preciso gastar 1,1 trilião de dólares por ano, cerca de 1 % do PIB (Produto Interno Bruto), uma soma ridícula, próxima daquilo que os Estados gastam em subvenções e apoio às industrias que extraem a energia fóssil. Temos menos de 20 anos para salvar grande parte da vida existente.

É por isso que, como uma fagulha, a luta se espalhou entre os jovens que nas sextas-feiras começaram a parar as suas cidades na Holanda, França, Alemanha, Finlândia, Bélgica, Dinamarca ou Austrália. E cada dia somam-se mais vozes a dizer: “Quando eu for grande quero estar viva”, como rezava um cartaz, numa manifestação em Paris. 

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