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Greenpeace: #singforclimate no Luxemburgo
Luxemburgo 2 4 min. 30.11.2018

Greenpeace: #singforclimate no Luxemburgo

Greenpeace: #singforclimate no Luxemburgo

Luxemburgo 2 4 min. 30.11.2018

Greenpeace: #singforclimate no Luxemburgo

Vanessa CASTANHEIRA
Vanessa CASTANHEIRA
Este domingo, realiza-se na Abadia de Neimënster, a partir das 12h, a iniciativa a nível global “Sing for climate”, um evento aberto ao público e que tem como objetivo acordar consciências para a necessidade de passar à ação nas questões de proteção ambiental.

Antes de tudo, convém dizer que que não é o planeta Terra que está em risco. É sim, o futuro da raça humana. O planeta vai continuar cá com ou sem humanos. O que era uma estimativa e um cenário negro, é hoje um cenário próximo e cada vez mais real: entre 2030 e 2050 só um milhão de pessoas terá livre acesso a todos os bens. É preciso e urgente proteger o clima e abrandar o ritmo do aquecimento global. Temos de o fazer já ou “Let do it now”, como a música que se tornou num hino pela proteção do clima através do movimento “Sing for the climate”, uma iniciativa mundial que também se realiza no Luxemburgo, no próximo domingo, na Abadia de Neimënster.

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“Sing for the climate” iniciou-se na Bélgica, em 2008. A letra de “Let do it now”, ao som da música “Bella Ciao” - tema icónico da resistência italiana – já passou por 477 cidades de 48 países e foi cantado por cerca de meio milhão de pessoas. O tema, tal qual também uma música de intervenção, apela à necessidade urgente de acordar e de tomar medidas para diminuir o aquecimento global e salvar as formas de vida tal como a conhecemos.

Diogo Guia, da Greenpeace Luxemburgo, lança o desafio a todos em tom de brincadeira: “Venham fazer-se ouvir, venham também divertir-se e ter um minuto de fama”.

Números alarmantes, factos reais

O longo e quente Verão que se fez sentir no Luxemburgo este ano não foi por acaso. As chuvas torrenciais no norte do país em junho também não. Os fogos descontrolados em Portugal e nos EUA não são resultado da inércia dos meios de combate. O aquecimento do planeta é a causa de catástrofes naturais, do descongelamento repentino do Permafrost, do colapso da Grande Barreira de Coral na Austrália e do descongelamento do Antártico três vezes mais rápido nos últimos cinco anos.

E o que fazer agora? Em nada os números são animadores. Vejamos: em 2015, no conhecido e anunciado como “esperançoso” Tratado de Paris, os países acordaram tomar medidas individuais para que os termómetros não ultrapassassem os 2°C acima do nível pré-industrial. Em 2018, em véspera da 24° Conferência do Clima, que arranca na próxima segunda-feira na Polónia, os valores são outros. Os países que se sentarem à mesa das negociações têm a percepção que a temperatura não pode ser superior a 1.5 °C dos níveis da era pré-indústrial, segundo o Painel Intergovernamental de Proteção Ambiental (IPCC na sigla inglesa). Ou seja, países como China, Vietname ou Índia são determinantes. São os países que mais dependem de carvão, o mais poluente dos combustíveis fósseis e que simplesmente tem de deixar de ser usado.

Diogo Guia garantiu ao Contacto que “o cenário piorou bastante entre 2015 e 2018 e agora não se pode dar liberdade para os países tomarem as medidas que julguem necessárias. Têm de sair medidas concretas e funcionais da conferência”.

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O Contacto falou com o ativista à entrada de Kirchberg, onde em setembro surgiu uma réplica da Torre Eiffel. Questionado qual a relação da torre na zona considerada como um dos maiores centros financeiros da Europa, Diogo Guia garante que “é uma forma de protesto e de despertar a consciência da população “e sobretudo dos governantes e instituições financeiras para as questões ambientais”. “Há 12 fundos de investimento no Luxemburgo com aplicações em companhias petrolíferas e isso não pode continuar”, explicou Diogo Guia, admitindo ainda que a iniciativa #ParisInKirchberg pretende “sentar-se com partidos e instituições para alertar para a necessidade da transparência dos fundos e de investimento em produtos financeiros verdes”. “O Luxemburgo mostra o que fez, mas ainda não deu planos para o futuro”, lamentou o ativista.

Se o Luxemburgo continua a ter uma enorme e crescente contribuição em carbono e se continua a não ter taxas adequadas aos combustíveis fósseis, o que dizer de nós? “Consumimos demasiados recursos, até comida”, respondeu Diogo Guia quando questionado sobre a pegada ecológica individual. E aqui os números são já conhecidos: entre 2030 e 2050 só um milhão de pessoas terá livre acesso a todos os bens. Faz lembrar aqueles cenários apocalípticos dos filmes de Hollywood sobre uma qualquer catástrofe que coloca em causa a sobrevivência humana e nos quais existem bunkers para uma percentagem miníma da população. Afinal esses cenários não são tão cinematográficos.

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