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Grão-Duque Jean: A juventude
Luxemburgo 9 2 min. 23.04.2019

Grão-Duque Jean: A juventude

Grão-Duque Jean: A juventude

Foto: Corte grã-ducal/RTL
Luxemburgo 9 2 min. 23.04.2019

Grão-Duque Jean: A juventude

Dos estudos em Inglaterra ao exílio forçado por causa da II Guerra Mundial e ao regresso como herói para libertar o Luxemburgo.

Nascido a 5 de janeiro de 1921 no castelo de Colmar-Berg, o príncipe Jean Benoît Robert Antoine Adolphe Marc d'Aviano descendia dos Nassau-Weilburg pelo lado da mãe, a Grã-Duquesa Charlotte, sendo príncipe de Bourbon-Parma pelo lado do pai, o príncipe Felix, sendo o primeiro da dinastia a nascer em solo luxemburguês. O Grão-Duque Jean era bisneto do rei português D. Miguel, pai da sua avó Maria Ana de Bragança, que foi Grã-Duquesa e regente do Luxemburgo. 

Os laços familiares com Portugal vêm tanto do lado materno como do lado paterno. A mãe do Grão-Duque Jean foi a Grã-Duquesa Charlotte, a segunda filha do grão-duque Guilherme IV de Luxemburgo e de sua consorte, Maria Ana de Bragança. Já o pai do Grão-Duque Jean, o príncipe consorte do Luxemburgo, Félix Bourbon-Parma, primo de Charlotte, com quem casou, foi um dos 24 filhos do deposto Roberto I de Parma e da sua segunda esposa, a infanta portuguesa Maria Antónia de Bragança, irmã de Maria Ana.


A infanta portuguesa que conquistou o Grão-Duque e governou o Luxemburgo
Chamava-se Maria Ana de Bragança e foi regente do Luxemburgo entre 1908 e 1912. O casamento da filha de D. Miguel de Portugal com o futuro Grão-Duque Guillaume IV levou a coroa a mudar de religião e abriu caminho a uma linhagem de mulheres. O Museu Nacional de História e Arte do Luxemburgo recorda o casamento que uniu Portugal e o Grão-Ducado muito antes da chegada dos primeiros imigrantes portugueses, numa exposição com o apoio da Embaixada e da Casa Grã-Ducal.

Jean do Luxemburgo reinou como Grão-Duque entre 1964 e 2000, retirando-se então para o castelo de Fischbach.

Crescendo no castelo de Colmar-Berg, partiria com 13 anos rumo a Inglaterra para estudar. Entre 1934 e 1938 esteve no colégio de Ampleforth, voltou ao Luxemburgo com 17 anos e prosseguiu os estudos no próprio palácio grão-ducal com o apoio de diversos professores.


Jean do Luxemburgo, o bisneto de um rei português que foi herói nacional
Neto de Maria Ana de Bragança, filha do rei português D. Miguel, Jean do Luxemburgo assistiu aos acontecimentos mais importantes do seu país durante os seus 98 anos de vida. E não foi apenas uma testemunha passiva da História. O ex-soberano, falecido na madrugada de terça-feira, lutou para libertar o Grão-Ducado junto do Exército britânico, depois de uma fuga para o exílio que passou por Portugal.

A guerra na Europa e as invasões dos nazis levaram a Grã-Duquesa Charlotte a deixar o país com a família e o seu governo. Na madrugada de 10 de maio começa o caminho do exílio que passa por França e por Portugal, com vistos emitidos por Aristides de Sousa Mendes, cônsul de Bordéus. O príncipe Felix embarca com os filhos para os Estados Unidos, enquanto a Grã-Duquesa Charlotte ruma a Inglaterra para ali organizar a resistência e apoiar o seu povo. Entretanto, os príncipes do Luxemburgo instalam-se no Quebec, cabendo ao futuro Grão-Duque estudar Direito e Economia política na Universidade Laval.

A partida para os Estados Unidos, que levou à separação forçada da mãe.
A partida para os Estados Unidos, que levou à separação forçada da mãe.
Foto: Arquivo Luxemburger Wort

De 1941 em diante, o príncipe Jean vai desencadear várias ações de sensibilização da opinião pública norte-americana a favor da luta anti-nazi. Viaja então por todo o país e também para o Brasil, no Estado de Minas Gerais, onde vive uma importante comunidade luxemburguesa.

Em outubro de 1942 parte com o pai para Inglaterra para se juntar ao Exército britânico, entrando nos Irish Guards, um regimento de elite. No ano seguinte, a partir da BBC, dirige mensagens de apoio ao povo luxemburguês.

O príncipe Jean com o pai em Londres (1943).
O príncipe Jean com o pai em Londres (1943).
Foto: Corte grã-ducal/coleção privada

A 11 de junho de 1944, o príncipe Jean participa no desembarque na Normandia, cinco dias após o Dia D. Mais tarde, participa na libertação de Bruxelas antes do reencontro com o pai para marcar presença na libertação do Luxemburgo. O seu regresso é celebrado em triunfo.



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Grand-Duc Jean com o seu filho Henri.