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Grão-Duque Henri. "Sem a comunidade portuguesa, o Luxemburgo não seria o que é hoje"
Luxemburgo 5 min. 11.05.2022
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Grão-Duque Henri. "Sem a comunidade portuguesa, o Luxemburgo não seria o que é hoje"

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Grão-Duque Henri. "Sem a comunidade portuguesa, o Luxemburgo não seria o que é hoje"

Foto: Guy Wolff/Luxemburger Wort
Luxemburgo 5 min. 11.05.2022
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Grão-Duque Henri. "Sem a comunidade portuguesa, o Luxemburgo não seria o que é hoje"

Madalena QUEIRÓS
Madalena QUEIRÓS
Em declarações exclusivas ao Contacto, o Grão-Duque Henri fala sobre a visita de Estado a Portugal, esta quarta e quinta-feira, e expressa o carinho e o contributo incomparável da comunidade portuguesa no Luxemburgo.

Se dúvidas houvesse da importância dada pelo Luxemburgo a Portugal elas ficam dissipadas com a visita de Estado do casal grão-ducal à capital portuguesa, esta quarta e quinta-feira. É a primeira vez na história que o Grão-Duque e a Grã-Duquesa visitam oficialmente pela segunda vez um país e o escolhido foi Portugal.

Em declarações exclusivas ao Contacto, o Grão-Duque Henri, sublinha que este encontro "é não só um testemunho da grande proximidade entre o Luxemburgo e Portugal, mas também a afinidade pessoal com este belo país". Uma ligação que começa no séc. XIX, quando o futuro Grão-Duque Guillaume IV casou com a princesa portuguesa, Maria Ana de Bragança, filha do rei português D. Miguel. Nas veias do Grão-Duque Henri corre assim sangue português. 

Quase um século depois deste casamento, que uniu duas famílias reais, Portugal foi o país escolhido pela Grã-Duquesa Charlotte e sua família para estar algumas semanas, em 1940, quando fugiam da ocupação nazi do Luxemburgo. Ficariam então em Cascais na que é hoje a Casa de Santa Maria de Cascais, que o Grão Duque vai visitar nesta passagem de dois dias por Portugal. 

Jorge Sampio e o Grâo-Duque cumprimentam os cidadãos em Esch-sur-Alzette na visita do então presidente de Portugal ao Luxemburgo, em 2004.
Jorge Sampio e o Grâo-Duque cumprimentam os cidadãos em Esch-sur-Alzette na visita do então presidente de Portugal ao Luxemburgo, em 2004.
Foto: Marc Wilwert

Curioso é o fato da história do célebre Aristides Sousa Mendes se cruzar com a família grã-ducal. Já que Cônsul português de Bordéus emitiu vistos a alguns membros da família grã-ducal e a ministros do governo luxemburguês de então. Do passado para o futuro, o Grão-duque Henri pretende com esta visita "reforçar estes laços já bem estabelecidos. Desta vez, o enfoque será no intercâmbio económico e comercial com o primeiro Fórum Económico Luso-Luxemburguês em Lisboa". Em pano de fundo desta proximidade está a comunidade portuguesa de quase cem mil pessoas que habita o Grão-Ducado e que cuja contribuição "para o desenvolvimento do Luxemburgo é incomparável. Devemos muito à comunidade portuguesa. Sem eles, o Luxemburgo não seria o que é hoje", conclui o Grão-Duque Henri. 


A minha vida com o Grão-Duque
Em entrevista ao Contacto, a Grã-Duquesa revela o segredo do seu amor com Henri, fala da ligação especial com os portugueses e confessa que a vida não é um conto de fadas.

Qual é o principal objetivo desta visita de estado a Portugal? 

Uma visita de Estado representa o mais alto nível de relações entre dois países, uma reunião que é propícia a desenvolvimentos diplomáticos, económicos e culturais. Uma visita de Estado permite assim a expressão de sentimentos profundos de solidariedade e amizade entre duas nações e povos a ser reconhecida ao mais alto nível. Estes sentimentos são muito fortes entre o Luxemburgo e Portugal. 

A contribuição da imigração portuguesa para o desenvolvimento do Luxemburgo é incomparável. Devemos muito à comunidade portuguesa. Sem eles, o Luxemburgo não seria o que é hoje.

Esta é a segunda visita de Estado a Portugal para a Grã-Duquesa e para mim, o que é um acontecimento raro na vida de um chefe de Estado. Este encontro é, portanto, não só um testemunho da grande proximidade entre o Luxemburgo e Portugal, mas também da minha afinidade pessoal com este belo país. 

Esta visita estava inicialmente prevista para a primavera de 2020. Foi adiada duas vezes por causa da pandemia. Esta é a primeira visita de Estado do Grão-Ducado após o início da crise sanitária. Durante os últimos dois anos, as populações do Luxemburgo e de Portugal sofreram muito. Ao mesmo tempo, porém, temos experimentado uma solidariedade exemplar entre as nossas populações e entre os nossos países, como demonstra a ajuda mútua entre Portugal e o Luxemburgo. Estas ligações permaneceram muito fortes, mesmo durante a crise. 


Construir uma autoestrada de dois sentidos entre Portugal e o Luxemburgo
O que é que Portugal pode aprender com o Luxemburgo? O que é que Portugal pode ensinar ao Grão-Ducado? Uma autoestrada que se quer de dois sentidos e que deverá começar a ser construída na visita de Estado do Grão-Duque a Portugal, a 11 e 12 de maio.

Existem fortes laços históricos entre Portugal e o Luxemburgo. O que espera do futuro das relações entre os dois países? 

Os laços existentes entre as nossas duas nações são extremamente estreitos a nível político, cultural e humano. Celebraremos o 131º aniversário do estabelecimento das nossas relações diplomáticas em 21 de maio de 2022 e temos posições convergentes sobre a maioria das questões políticas europeias e internacionais. O intercâmbio social e cultural entre os nossos países é muito frutuoso. Espero que esta visita de Estado nos permita reforçar estes laços já bem estabelecidos. Desta vez, o enfoque será no intercâmbio económico e comercial com o primeiro Fórum Económico Luso-Luxemburguês em Lisboa. 

Atualmente, cerca de cinquenta empresas luxemburguesas de vários setores estão presentes em Portugal. Outras empresas mostraram interesse em fazer a prospeção deste mercado e algumas PME luxemburguesas – principalmente no domínio das tecnologias de informação e comunicação (TIC) – começaram aí a criar filiais. Ao mesmo tempo, uma dúzia de empresas portuguesas estão estabelecidas no Luxemburgo. Estou convencido de que ainda há muito potencial por explorar em ambas as direções. Especialmente nas áreas-chave do espaço, TIC e finanças verdes: estes setores têm um potencial muito interessante para novas parcerias. 


"Portugal pode aceder a investidores de todo o mundo através do Luxemburgo"
A ministra da Finanças luxemburguesa, Yuriko Backes, revela em declarações ao Contacto que a visita de Estado do Grão-Duque Henri a Portugal, esta semana, quer aproximar os serviços financeiros dos dois países.

Na sua opinião, qual é a importância da comunidade portuguesa no Luxemburgo? 

Durante esta visita de Estado, tenho particular prazer em visitar a exposição "Portugal e Luxemburgo – Países de Esperança em Tempos de Necessidade" na Cidadela de Cascais, uma exposição que presta homenagem à migração e integração bem-sucedida dos nossos compatriotas lusodescendentes. A sua presença no Grão-Ducado data dos anos 60, quando Portugal começou a constituir uma reserva de mão-de-obra muito importante, primeiro para a agricultura e Horeca, depois para a indústria siderúrgica e construção, e finalmente para o setor dos serviços. 


Lisbon 25 09 1940
A fuga para a liberdade da família grã-ducal
Como a Grã-Duquesa do Luxemburgo escapou à invasão nazi e conseguiu, ao fim de mil e uma peripécias, refugiar-se em Portugal, juntamente com uma comitiva de 72 pessoas. Uma das acompanhantes, então criança, recorda esses dias.

A contribuição da imigração portuguesa para o desenvolvimento do Luxemburgo é incomparável. Devemos muito à comunidade portuguesa. Sem eles, o Luxemburgo não seria o que é hoje. Os últimos indicadores estatísticos mostram que o número de cidadãos portugueses no Luxemburgo continua a aumentar. E esta imigração parece estar a diversificar-se, uma vez que inclui cada vez mais pessoas altamente qualificadas. De facto, a comunidade portuguesa deixa uma forte marca na sociedade luxemburguesa e contribui para a sua riqueza multicultural.


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