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Grão Duque Henri. “A prosperidade do Luxemburgo não teria sido possível sem os portugueses”
Luxemburgo 2 min. 17.02.2020 Do nosso arquivo online

Grão Duque Henri. “A prosperidade do Luxemburgo não teria sido possível sem os portugueses”

Grão Duque Henri. “A prosperidade do Luxemburgo não teria sido possível sem os portugueses”

Foto: Anouk Antony
Luxemburgo 2 min. 17.02.2020 Do nosso arquivo online

Grão Duque Henri. “A prosperidade do Luxemburgo não teria sido possível sem os portugueses”

Ricardo J. Rodrigues
Ricardo J. Rodrigues
Em raras declarações ao Contacto, o Grão Duque Henri diz que a Europa precisa urgentemente de amizades “corajosas” - como a que Portugal e o Luxemburgo construíram nos momentos decisivos.

 “A amizade que une Portugal e o Luxemburgo é um exemplo perfeito de tolerância na Europa e é bom que falemos disso num tempo em que a intolerância parece estar a voltar ao continente”, dizia o Grão-Duque Henri no final da manhã de sexta feira. A casa real luxemburguesa raramente fala com a imprensa, mas o chefe de estado acabara de cumprir duas visitas oficiais que o fizeram aceder a uma breve conversa com o Contacto.

O monarca tinha percorrido a mostra sobre Aristides Sousa Mendes nos Arquivos Nacionais. Depois foi conhecer a recém-inaugurada exposição “Portugal e Luxemburgo – Países de Esperança em Tempos Difíceis” na Abadia de Neimenster. E foi aí que as coisas se tornaram pessoais.

“Tenho relações muito profundas com Portugal e bastante orgulho no meu sangue português, penso que isso traz algum calor à nossa vida familiar”, começou por gracejar, evocando a sua bisavó Maria Ana de Bragança, Grã-duquesa do Luxemburgo entre 1905 e 1912 e regente do país entre 1908 e 1912 – assumindo as rédeas do Estado durante a doença terminal do marido, Guilherme IV, e a menoridade da sua filha mais velha, Maria Adelaide.

Mas há outra história que também lhe está colada à pele. Esta tem 80 anos e ainda lhe faz atirar palavras de gratidão para cima da mesa. “Homens como Aristides de Sousa Mendes revelaram uma coragem enorme de dizer não. Disseram não à intolerância e à desumanidade. Precisamos também hoje de pessoas assim. Precisamos de homens e mulheres com coragem de dizer novamente não.”

Foi o cônsul de Bordéus que passou os vistos de muitos elementos da comitiva real que entrou no país em junho de 1940.

Salazar aceitaria a presença da Grã-duquesa Charlotte e do seu executivo, desde que não pusessem em causa a neutralidade portuguesa. Fugindo em maio do Luxemburgo e em junho de Paris, que as tropas nazis se preparavam para tomar, seguiam 74 pessoas distribuídas por 17 carros. Dormiriam uma noite entre o Buçaco e Coimbra e, à chegada à capital portuguesa, os monarcas instalar-se-iam em Cascais e os ministros na Praia das Maçãs, em Sintra.

Ao cabo de umas semanas, Charlotte enviaria dali a família para os Estados Unidos (incluindo a sua mãe, Maria-Ana de Bragança, que morreria em Nova Iorque, e o seu primogénito, Jean, pai do atual grão-duque) e decidiria a partir de Portugal como reagir à anexação nazi. Escolheu a resistência, e de Lisboa partiu para Londres para ir dizer isso mesmo ao seu povo através dos microfones da BBC.

Nos anos 1960, a rota inverteu-se. Milhares de portugueses fizeram do pequeno Grão-Ducado o porto de abrigo para escapar à fome, à guerra e à perseguição política do Estado Novo. “Hoje temos aqui uma comunidade de 100 mil portugueses e só podemos estar-lhes agradecidos”, diz o monarca. “Ajudaram a reerguer o nosso país das cinzas e contribuem todos os dias para a nosso desenvolvimento.” Henri acredita que é precisamente na tolerância entre os povos que se constrói o progresso. E atira: “Sem os portugueses, a prosperidade que o Luxemburgo vive hoje não teria sido possível.”

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