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Grão-Ducado preparado para as vespas assassinas
Luxemburgo 4 min. 16.01.2019

Grão-Ducado preparado para as vespas assassinas

Grão-Ducado preparado para as vespas assassinas

Foto: Foto: LW
Luxemburgo 4 min. 16.01.2019

Grão-Ducado preparado para as vespas assassinas

Álvaro Cruz
Álvaro Cruz
Já provocaram vítimas mortais na Europa e mais recentemente em Portugal. Ainda não chegaram ao Luxemburgo, mas as autoridades grã-ducais garantem que estão preparadas para um eventual ataque.

O número de vespas asiáticas, cientificamente conhecidas como vespas velutinas, tem crescido de forma preocupante durante os últimos anos na Europa. Embora ainda não tenha sido detetado qualquer caso no Luxemburgo, vários foram registados em países vizinhos e as autoridades do Grão-Ducado afirmam estar preparadas para enfrentar o perigo.

Oriundas de regiões tropicais e subtropicais do continente asiático, abundam em países como China, India, Afeganistão e Indonésia. Já provocaram vítimas mortais em vários países europeus, como aconteceu em Portugal, no concelho de Vila Verde, no final do passado mês de dezembro, com um imigrante luso que vivia na Suíça e se encontrava de férias.

A vítima terá cortado uma árvore no terreno da família onde se encontrava um ninho de vespas asiáticas e foi atacada. Sofreu um choque anafilático provocado pela picadela que lhe causou uma reação alérgica e acabou por entrar em paragem cardiorrespiratória, vindo a falecer pouco depois.

Na Europa, a vespa ’assassina’ já foi identificada em países como Suíça, Itália, Reino Unido, Espanha, Portugal e também França, Alemanha, Bélgica, estes três últimos com fronteira com o Grão-Ducado.

Presença no Luxemburgo considerada como altamente provável

No Luxemburgo ainda não foi detetado qualquer caso, mas o país está preparado para a eventualidade, como explica Pierre Weicherding, médico-chefe da Inspeção Sanitária da Direção de Saúde luxemburguesa: “Ainda não nos foi comunicado nenhum caso de vespa asiática no Grão-Ducado, mas a sua presença é considerada como altamente provável”, explica.

“Estamos atentos ao fenómeno porque os três países fronteiriços (Alemanha, França e Bélgica) registam a presença de vários casos do designado ’frelon asiatique’, com especial incidência para a França. A picada é bastante dolorosa porque o ferrão é mais comprido do que o das abelhas vulgares e, em alguns casos, chega a matar, devido às alergias provocadas pelo veneno nas vítimas, provocando o edema de Quinque”, explica. No entanto, Pierre Weicherding precisa que “a vespa asiática, normalmente, é menos agressiva do que as vespas comuns ou abelhas quando se encontram longe do ninho. Quando se encontram perto do ninho, os níveis de agressividade aumentam substancialmente podendo, então, causar danos consideráveis”, precisa.

O médico-chefe da Inspeção Sanitária da Direção de Saúde luxemburguesa lembra ainda que, “ além do perigo dos ataques que empreendem quando se encontram perto dos ninhos, as vespas asiáticas representam um perigo para a biodiversidade, com destaque para o impacto negativo que causam, destruindo as colmeias de abelhas para se alimentarem”, lembra. “Estamos a seguir o fenómeno com atenção, mas ainda não tomámos medidas específicas de prevenção. Contudo, recomendamos às pessoas que, se suspeitarem de algum ninho, não se aproximem e comuniquem às autoridades competentes. Se isso eventualmente acontecer, estamos preparados para agir em conformidade”, concluiu.

Morfologia da vespa asiática

Segundo dados da Associação NATIVA-NATureza, a vespa-asiática ou velutina “é uma vespa de grandes dimensões: o corpo das rainhas pode atingir os 3 cm e o das obreiras 2,5 cm. A cabeça é preta com face laranja-amarelada”. O corpo “é castanho-escuro ou preto aveludado, delimitado por uma faixa fina amarela e um único segmento abdominal quase inteiramente amarelado-alaranjado”. Os ninhos primários têm entre 5 e dez cm de diâmetro, são redondos ou em forma de pêra, com cerca de 50 a 80 cm de diâmetro, e são geralmente feitos em árvores altas, em áreas rurais e por vezes urbanas”.

Além disso, “alimentam-se de vários insetos como moscas, traças, abelhas e outras vespas, atacando colmeias em grupo, sobretudo no verão”. A maioria dos casos de picadas “deve-se a ninhos enterrados ou perto do solo que sejam perturbados por vibrações” em casos como “limpezas da vegetação, aparo de sebes, regas, limpeza de fachadas ou muros com jatos, passagem por caminhos estreitos rodeados por vegetação, etc”. Por outro lado, os ninhos mais altos, de forma geral, só em casos de corte do seu suporte é que poderão criar problemas”.

Para o portal www.sosvespa.pt, “não existe nenhum método de controlo eficaz para eliminar a vespa-asiática. A instalação descontrolada de armadilhas e a destruição dos ninhos é prejudicial para a biodiversidade, principalmente de insetos polinizadores”.

Em termos de métodos, “a destruição dos ninhos deve ser feita por técnicos habilitados para limitar a sua dispersão. Não devem usar-se armas de fogo nem destruir parcialmente o ninho. Isto porque dissemina as vespas que constituem assim novos ninhos”.

As picadas são perigosas? O que fazer?

“A picada da vespa asiática, sendo apenas uma, não difere da das vespas normais ou das abelhas”, refere o portal. No caso de picadas múltiplas, “deve procurar-se socorro urgente, mesmos não sendo a pessoa alérgica, devido à quantidade de veneno que pode afetar alguns dos órgãos vitais, inclusive a longo-prazo.”

Á. Cruz com agências

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