Grão-Ducado prepara-se para mais cheias provocadas pelo aquecimento climático
Grão-Ducado prepara-se para mais cheias provocadas pelo aquecimento climático
Se as águas continuarem a subir com o aquecimento climático, a área perto da zona costeira, onde vive 40% da população mundial, pode vir a ser inundada. Com apenas mais três metros, a Holanda desaparece. É esse o risco se o glaciar Thwaites, na Antártida, com uma área que é o dobro do território de Portugal, continuar a descolar-se do continente e a degelar a um ritmo que os cientistas descobriram agora ser muito superior ao que se suponha. No melhor dos cenários, as águas subirão 80 cm a um metro. No pior, três a quatro metros.
O Luxemburgo não corre esse risco, mas as mudanças climáticas também têm consequências. O Governo luxemburguês aprovou no ano passado um plano estratégico para minimizar as consequências do aquecimento climático no país, explica Bruno Alves, geógrafo e assessor no Ministério do Ambiente do Luxemburgo. A Estratégia de Adaptação às Mudanças Climáticas "analisa os riscos" em 13 setores de atividade, avalia a sua probabilidade, e propõe 42 medidas, não para erradicar os efeitos, mas para os minimizar.
Se a continuação da subida das águas do mar é provável e vai ter consequências planetárias, essa não é a maior ameaça para o Luxemburgo, exemplifica Bruno Alves. O plano identifica 13 aéreas de risco para o país: energia, silvicultura, infrastruturas, gestão de crise e desastres, ordenamento do território, agricultura, saúde, ecossistemas e biodiversidade, turismo, espaços urbanos, gestão da água e economia. Em cada setor, são analisadas as consequências, de acordo com a probabilidade de surgirem e da sua importância para o Luxemburgo, explica o geógrafo.
À cabeça está o risco de inundações e enxurradas violentas, com a consequente erosão dos solos, perda de áreas agrícolas, danos a casas e pessoas e contaminação da água potável. "Uma preocupação que já se viu no ano passado são as chuvas intensas no verão, que conduzem a cheias, como no vale do Ernzer, Larochette e em outras localidades", aponta Bruno Alves. "São consequências que podem continuar e provocar muitos danos, sendo um risco grande para as pessoas".
O fenómeno é provocado pelo aquecimento global. Entre 1981 e 2010, a temperatura média no país subiu um grau. Até 2050, o aumento das temperaturas poderá ser de mais dois graus em relação aos níveis pré-industriais, e ter consequências devastadoras. Mas o impacto das mudanças climáticas já está aí, explica Bruno Alves. Noites tropicais, "com temperaturas acima dos 20 graus", e "uma mudança nas estações do ano", com chuvas torrenciais no verão, que "caem em pouco tempo", inundam localidades e casas, "provocam a erosão dos solos e destroem os seus nutrientes". E podem provocar a contaminação dos lençóis de água subterrâneos, pondo em risco o acesso a água potável das populações. Uma das áreas de risco apontadas no plano estratégico é a região de Mullerthal, onde fica Larochette.
Algumas das medidas previstas no plano são "o reforço das zonas de captação de água", "a sensibilização da população para gastar menos" este recurso e a "renaturação dos cursos de água" (eliminando construções e terrenos aráveis em seu redor).
Outra consequência possível do aquecimento climático, "mas mais difícil de analisar", indica Bruno Alves, é o aumento da "mortalidade das pessoas mais frágeis, como as pessoas idosas", durante o verão, por causa da subida das temperaturas.
A Estratégia de Adaptação às Mudanças Climáticas está disponível para já apenas em alemão, mas o Governo está a preparar a tradução do documento para francês, que deverá estar pronta em março.
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