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Grão-Ducado não consegue ajudar alunos em desvantagem
Luxemburgo 2 min. 26.10.2018 Do nosso arquivo online

Grão-Ducado não consegue ajudar alunos em desvantagem

Grão-Ducado não consegue ajudar alunos em desvantagem

Foto: Matic Zorman
Luxemburgo 2 min. 26.10.2018 Do nosso arquivo online

Grão-Ducado não consegue ajudar alunos em desvantagem

Paula CRAVINA DE SOUSA
Paula CRAVINA DE SOUSA
Imagine uma corrida em que alguns dos participantes partem alguns minutos mais tarde. O esforço que terão de fazer para chegar aos primeiros participantes terá de ser muito superior e a maior parte não conseguirá mesmo chegar à meta num tempo aceitável. Na escola, imagine o mesmo cenário: os alunos que têm algum tipo de desvantagem têm maiores dificuldades em conseguir um desempenho melhor.

Ora, em alguns países, os alunos com desvantagem conseguem ter tão boas notas como os outros estudantes. Mas não é o caso do Luxemburgo. Os países nesta situação têm de desenvolver políticas para reduzir os entraves à mobilidade social entre alunos.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) publicou um estudo sobre a Igualdade na Educação – Quebrar Barreiras para a Mobilidade Social, onde se conclui que o Grão-Ducado é mesmo um dos países menos bem colocados. O Luxemburgo é um dos países com uma das percentagens mais baixas de alunos com algum tipo de desvantagem – seja ela devido ao background socio-económico ou migrante, por exemplo – que não conseguem estar entre as melhores notas.

A OCDE debruça-se sobre duas análises: uma que compara com as notas de ciências dos alunos a nível nacional e outra que compara as avaliações daqueles alunos nas três áreas – leitura, matemática e ciência – do estudo Pisa. O Grão-Ducado não compara bem em nenhum deles, encontrando-se abaixo da média da OCDE. Isto significa que poucos dos alunos em desvantagem conseguem ficar entre os melhores. Neste cenário encontram-se também a Hungria, Israel, o Chile ou o Peru, por exemplo. O estudo conclui que, neste caso, os países com performance de topo não conseguem ajudar os seus alunos em desvantagem a ultrapassar as barreiras e a sair-se tão bem como os melhores.

O documento explica que, em média, entre 10 a 20% dos estudantes em desvantagem em quase todas as economias que participaram no estudo PISA 2015 são resilientes em termos nacionais. A situação implica que estes alunos conseguem estar entre os 25% melhores em ciência, apesar de terem algum tipo de desvantagem. O Luxemburgo fica, então, abaixo daqueles valores. A OCDE afirma também que apenas 11% destes estudantes têm uma performance tão boa como a dos melhores alunos no seu país.

Diminuir diferenças socioeconómicas

Assim, mais do que desenvolver políticas de ensino que ajudem todos os estudantes – tanto os alunos em vantagem como aqueles que partem com uma desvantagem –, é fulcral encontrar formas de diminuir as diferenças socioeconómicas. Talvez assim se possa, segundo a OCDE, potenciar a mobilidade social e educacional entre estudantes em desvantagem.

Se os sistemas de ensino em todo o mundo conseguissem dar as mesmas oportunidades a todos os alunos para que tenham sucesso na escola, não haveria diferenças na performance dos estudantes causadas pelo status socioeconómico.

O estudo explica que os alunos que são resilientes em termos académicos são frequentemente encontrados em escolas com um perfil socioeconómico mais vantajoso e um ambiente escolar mais favorável. Para estes estudantes torna-se mais fácil aprender e têm uma atitude mais positiva em relação à aprendizagem que se traduz em questões como maior assiduidade e notas mais altas, com uma reduzida taxa de chumbos. Estes alunos tendem a não ter um ’backgroung’ migrante, precisa a OCDE.


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