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Grão-Ducado inaugura consulado na região mais luxemburguesa do Brasil
Luxemburgo 3 min. 12.03.2019

Grão-Ducado inaugura consulado na região mais luxemburguesa do Brasil

Grão-Ducado inaugura consulado na região mais luxemburguesa do Brasil

Foto: Município de Palhoça
Luxemburgo 3 min. 12.03.2019

Grão-Ducado inaugura consulado na região mais luxemburguesa do Brasil

Henrique DE BURGO
Henrique DE BURGO
O novo consulado fica em Palhoça, o município com mais descendentes de luxemburgueses no Brasil.

Um ano depois da inauguração da embaixada no Brasil, o Luxemburgo alargou esta terça-feira a sua representação diplomática com a abertura de um consulado em Santa Catarina, no sul do país.

De acordo com o jornal O Correio do Povo, o consulado fica instalado no município de Palhoça, na região de Florianópolis. Depois da inauguração de ontem, o consulado "inicia o trabalho na terça-feira (12) no centro da cidade". A informação foi também confirmada nas redes sociais pelo prefeito de Palhoça, Camilo Martins.

A escolha prende-se com o facto de este ser o município com maior concentração de descendentes de luxemburgueses no Brasil.

O Estado de Santa Catarina tem "mais de cinco mil descendentes de luxemburgueses" e Palhoça é o município onde há mais "famílias e apelidos originários de Luxemburgo", refere o jornal local. Decker, Heiderscheidt, Olinger, Schaeffer e Schmit são alguns dos exemplos de apelidos germânicos.


Malu Mader pede passaporte luxemburguês. E não é a única
Malu Mader, que os portugueses conhecem das telenovelas brasileiras, pediu este mês a cidadania luxemburguesa. Não é caso único. A atriz é uma das descendentes do luxemburguês Nicolas Bley, pioneiro da emigração luxemburguesa para o Brasil, em 1828. Centenas de brasileiros que descendem de luxemburgueses estão a pedir o passaporte do Grão-Ducado, ao abrigo de uma disposição que chega ao fim este ano. A mulher que acendeu o rastilho chama-se Flavia Bley e já ajudou mais de uma centena de famílias a conseguir o cobiçado passaporte.

O embaixador do Luxemburgo no Brasil, Carlo Krieger, e a cônsul Karen F. Schwinden estão desde ontem em Santa Catarina, onde foram recebidos pelo prefeito local, Camilo Martins, para ultimar a abertura de hoje do consulado, que vai ter jurisdição para os Estados de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul.

Carlo Krieger, à direita, com a cônsul Karen Schwinden e o prefeito Camilo Martins.
Carlo Krieger, à direita, com a cônsul Karen Schwinden e o prefeito Camilo Martins.
Foto: Município de Palhoça

Inauguração da embaixada no Brasil foi há um ano

Recorde-se que foi também no mês de março, mas do ano passado, que o Luxemburgo inaugurou a sua embaixada em Brasília, na presença do ministro dos Negócios Estrangeiros, Jean Asselborn. Até aí, o Grão-ducado era o único país da União Europeia sem embaixada no Brasil.

“A decisão de abrir uma embaixada no Brasil, a primeira na América do Sul, reflete a vontade luxemburguesa de garantir uma presença mais visível e operacional do Grão-Ducado, em particular no Brasil, e de forma mais geral, reforçar as relações político-diplomáticas, económicas e culturais com o continente sul-americano”, disse na altura Jean Asselborn.

Carlo Krieger tornou-se no primeiro embaixador do Luxemburgo residente no Brasil, sucedendo a Jean Olinger, que exercia este cargo a partir do Grão-Ducado.

Emigração luxemburguesa para o Brasil

Os laços de amizade entre Luxemburgo e Brasil são antigos, anteriores ao ano 1900. No ano passado, Jean Asselborn lembrou, durante o seu discurso na inauguração da embaixada em Brasília, “os milhares de luxemburgueses que emigraram desde 1828 para o sul do Brasil”, para os Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná e, a partir de 1844, para o Estado de Espírito Santo.


Os quatro membros fundadores da CCBRALUX: Cândida Nedog, André Bezerril, Flavia Bley e Amanda Campagnani.
Nova câmara de comércio do Brasil aposta nos fundos de investimento
A câmara de comércio do Brasil no Luxemburgo (CCBRALUX) foi criada no passado mês de fevereiro com dois objetivos em mente: apoiar a integração da comunidade no Grão-Ducado e dinamizar a vertente económica entre os dois países. Neste capítulo, os fundos de investimento terão um papel chave.

Os engenheiros e técnicos da ARBED, referências da indústria siderúrgica no Brasil a partir dos anos 20, foram também evocados pelo chefe da diplomacia luxemburguesa. Estes últimos emigrantes chegaram mesmo a ser tema do romance “D’amour et d’acier” (tradução de “A dama e o luxemburguês”), do escritor brasileiro Marc André Meyers, inspirado na história de amor entre uma brasileira e o engenheiro luxemburguês Jacques-Louis Ensch, pioneiro da siderurgia luxemburguesa no Brasil. O romance liderou em 2015 o top de vendas dos “bestsellers” luxemburgueses.

Prioridade para a diplomacia económica

O Brasil é o maior parceiro comercial do Luxemburgo na América Latina e continua a oferecer um enorme potencial de investimento para empresas luxemburguesas como ArcelorMittal, Paul Wurth, SES, Cargolux, CEBI, Ceratizit ou Etix. No ano passado, os encontros de Jean Asselborn no Brasil serviram para “explorar formas de desenvolver as relações económicas entre o Grão-Ducado e o Brasil”. Ligação aérea entre os dois países, cooperação na área dos satélites e do setor marítimo e dupla tributação foram alguns dos assuntos abordados.


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