Grão-Ducado dá 3,8 milhões para criar centro de competências em Cabo Verde
"A criação de um centro de competências no CERMI (Centro de Formação Profissional para as Energias Renováveis e Manutenção Industrial) está orçado em quatro milhões de euros, com 3,8 milhões de financiamento do Luxemburgo e 200 mil euros de Cabo Verde. É um projeto que conseguimos inscrever no quarto Programa Indicativo de Cooperação (PIC IV), de 45 milhões de euros e que está em curso entre 2016 e 2020", confirmou ao Contacto o ministro dos Negócios Estrangeiros de Cabo Verde, Luís Filipe Tavares.
O ministro cabo-verdiano esteve hoje no Luxemburgo para passar em revista, juntamente com o ministro luxemburguês da Cooperação, Romain Schneider, a cooperação entre os dois países, durante o 18° encontro da comissão de parceria entre os dois governos.
"Fizemos questão de mostrar que o dinheiro que é posto à disposição de Cabo Verde é muito bem utilizado por qualquer Governo em funções em Cabo Verde", garantiu o ministro, explicando depois a missão do novo centro de competências, que deverá servir toda a região da África Ocidental.
"A ideia é servir não só Cabo Verde, mas também toda a região oeste africana, da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental [CEDEAO]. Temos já solicitações de países como a Guiné-Bissau, Senegal e outros. À medida que o centro for implementado, vamos ter capacidade para prestar um serviço de qualidade", refere Luís Filipe Tavares.
A nova instituição, que conta com a parceria do Centro de Competências ["Génie technique du Bâtiment"] do Luxemburgo, vai poder oferecer formação nas áreas de Energias Renováveis, Inovação, Tecnologias de Informação e Comunicação ou Metalomecânica.
Este é um exemplo da diversificação da cooperação entre os dois países, que tende mais para a área económica, uma vez que a ajuda ao desenvolvimento deverá terminar nos próximos 20 anos.
"Acredito que, em relação ao Luxemburgo, daqui a 20 anos já não vamos precisar da ajuda pública ao desenvolvimento, porque Cabo Verde terá conseguido atingir os objetivos previstos em todos os PIC. Esta cooperação é um caso de sucesso", sintetizou o ministro.
Depois do Luxemburgo, Luís Filipe Tavares seguirá esta quarta-feira para a Polónia, seguindo Roménia e Bruxelas, para abordar assuntos sobre o alargamento da parceria especial de Cabo Verde com a UE.
Ministro condena atos de violência de jovens cabo-verdianos no Luxemburgo
À margem deste encontro, o ministro Luís Filipe Tavares condenou os atos de violência que envolvem jovens de origem cabo-verdiana e que estão a ser julgados nos tribunais luxemburgueses. Os casos envolvem rixas violentas, com recurso a armas brancas e com tentativa de homicídio.
"Esses atos são condenáveis e vamos trabalhar com as autoridades luxemburguesas para evitarmos que esse tipo de práticas não faça escola aqui, neste país que acolhe tão bem os cabo-verdianos", condenou o ministro.
O caso mais antigo, passou-se em fevereiro de 2012 e resume-se a cerca de duas horas de violência envolvendo cenas de pancadaria com facas, tacos de beisebol, cabos elétricos, catanas, garrafas partidas e perseguição automóvel entre dois grupos rivais, em várias ruas de Esch-sur-Alzette.
O Ministério Público pede 10 anos de prisão, por tentativa de homicídio, para o principal acusado. A sentença vai ser conhecida no dia 6 de julho. Ao todo há 12 acusados, atualmente entre os 25 e os 33 anos.
No outro caso, que o Contacto divulga na sua edição desta quarta-feira e que remonta a novembro de 2016, dois jovens de 22 anos são também acusados de tentativa de homicídio depois de terem atacado com 12 golpes de faca um outro jovem. Com os dois pulmões perfurados, a vítima conseguiu ainda sobreviver, graças à intervenção médica. A sentença vai ser conhecida no dia 27 de junho, mas o Contacto sabe que há mais casos que ainda não chegaram à barra dos tribunais.
"São casos isolados, porque não é prática aqui no Luxemburgo, mas devemos trabalhar com as nossas comunidades na educação, fazendo a prevenção para que casos deste género não venham a acontecer no futuro", acrescentou Luís Filipe Tavares, que tem família no Luxemburgo e chegou a jogar futebol no país, nos anos 80, quando estudava em França.
"Eu mesmo tenho familiares que trabalharam aqui 45 anos. Estão em Cabo Verde, mas têm filhos que cá estão. Queremos que perdure no tempo uma boa imagem e boa integração", desafiou o governante.
