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Grã-Duquesa demasiado presente nas decisões da corte grã-ducal
Luxemburgo 2 min. 31.01.2020

Grã-Duquesa demasiado presente nas decisões da corte grã-ducal

Grã-Duquesa demasiado presente nas decisões da corte grã-ducal

Foto: Guy Wolff
Luxemburgo 2 min. 31.01.2020

Grã-Duquesa demasiado presente nas decisões da corte grã-ducal

Susy MARTINS
Susy MARTINS
É Maria Teresa quem recruta e despede os funcionários da Monarquia luxemburguesa.

Foi finalmente tornado público o relatório elaborado por Jeannot Waringo sobre a gestão da Corte Grã-Ducal. Ao longo de 43 páginas, o relatório do antigo diretor da Inspeção-Geral das Finanças, nomeado pelo primeiro-ministro, Xavier Bettel, sublinha a forma como a casa real gere o pessoal e as finanças.

Segundo o relatório, a Grã-Duquesa Maria Teresa está no centro da gestão dos funcionários e tem um papel demasiado presente nas decisões da casa real.

Cinquenta e uma pessoas deixaram de trabalhar para a família grã-ducal, nos últimos cinco anos. Houve 16 demissões, 11 despedimentos, 16 transferências de serviço e oito rescisões de contrato após um período de experiência. O número de empregados da corte grã-ducal oscilou entre 85 e 91, entre 2014 e 2019.

Foto: Chris Karaba

Jeannot Waringo sublinha no seu relatório, que não foi possível determinar as razões concretas destas baixas de pessoal, mas sublinha que durante os seis meses em que esteve no Palácio, “sentiu uma certa ansiedade junto dos colaboradores. Ansiedade por temerem ser repreendidos ou mesmo de perder o seu emprego”. O relator acrescenta que “ sentiu que certos colaboradores tinham medo de exprimir abertamente os seus sentimentos”. Waringo vai mais longe ao afirmar que durante a sua estadia reparou que “o ambiente entre colegas não era de alegria, sendo notório estarem sempre em alerta, pensando duas vezes antes de falar”.

Recorde-se que nos últimos dias os rumores apontavam que “o grande problema” seria a Grã-Duquesa Maria Teresa. O jornal Lëtzebuerger Land já tinha divulgado alguns pormenores do relatório, afirmando que Maria Teresa faz o que quer e que lhe apetece, sem prestar contas a ninguém.

E de facto, o relatório de Jeannot Waringo dá conta de um certo mal-estar no Palácio devido à presença contínua da Grã-Duquesa. O relator sublinha que “as decisões mais importantes relativas à gestão do pessoal são tomadas por Maria Teresa. É ela que trata dos recrutamentos, das colocações nos diferentes serviços e dos despedimentos”.

Em primeiro plano, Jeannot Waringo, autor do relatório.
Em primeiro plano, Jeannot Waringo, autor do relatório.
Foto : Guy Jallay

Ora, segundo Jeannot Waringo o papel da Grã-Duquesa devia ser puramente representativo e não ser tema de discussão.

Conclusão: o observador independente, nomeado pelo primeiro-ministro, diz “não ver outra solução que não seja uma reforma do funcionamento da monarquia”.

A corte grã-ducal já reagiu a este relatório, dizendo que tomou conhecimento do documento e que numa perspetiva de transparência e modernização, vai contribuir de forma construtiva para pôr em prática as melhorias propostas por Jeannot Waringo.

O relatório, agora tornado público, vai ser apresentado na quarta-feira aos deputados no Parlamento.


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