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Governo lança campanha de apelo ao voto dos portugueses nas comunais
Luxemburgo 2 min. 19.05.2022
Eleições comunais

Governo lança campanha de apelo ao voto dos portugueses nas comunais

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Governo lança campanha de apelo ao voto dos portugueses nas comunais

Foto: Guy Wolff
Luxemburgo 2 min. 19.05.2022
Eleições comunais

Governo lança campanha de apelo ao voto dos portugueses nas comunais

Madalena QUEIRÓS
Madalena QUEIRÓS
O anúncio foi feito à margem da visita de Estado do Grão-Duque Henri a Portugal por Corinne Cahen, ministra da Família e da Integração.

O Governo luxemburguês vai lançar uma "grande campanha" de apelo ao voto dos portugueses nas eleições comunais que se realizam em junho de 2023. O anúncio foi feito à margem da visita de Estado do Grão-Duque Henri a Portugal por Corinne Cahen, ministra da Família e Integração. 

O executivo do Grão-Ducado já pediu ao Governo português para apoiar esta campanha de sensibilização. "Uma campanha para dizer às pessoas que se inscrevam para votar nas próximas eleições, para serem atores da sua integração e para que participem mais", apelou a governante luxemburguesa, Corinne Cahen. "A política comunal diz respeito a todos nós, não importa a nossa nacionalidade", sublinhou. Um apelo que foi feito pelo próprio Presidente português em entrevista ao Contacto, durante a visita dos Grão-Duques a Portugal.


Politik, Parlamentswahlen 2018, élections législatives , Wahlen, Urne, Politiker, photo : Caroline Martin©
Não-luxemburgueses podem votar nas autárquicas sem imposição de tempo de residência
Para votar estes residentes vão ter de continuar a inscrever-se nos cadernos eleitorais, uma medida há muito recusada pela ASTI que tem vindo a propor o recenseamento automático.

A governante recordou o apelo à votação feito pelo próprio Presidente da República português, Marcelo Rebelo de Sousa, aquando da sua visita oficial ao Luxemburgo em 2017. Apesar da percentagem de portugueses que votaram nas últimas eleições ter crescido "queremos que a participação política dos portugueses aumente", disse Cahen.

Aumentar a participação política será uma das formas de combater a discriminação de que os portugueses se sentem alvos, acrescentou a ministra da Família e Integração. De acordo com o último inquérito sobre o racismo no Luxemburgo, um em cada três portugueses sente-se vítima de discriminação no acesso ao mercado de trabalho, no emprego e no acesso à habitação.


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Um em cada três portugueses diz que já foi vítima de racismo ou de discriminação na procura de uma habitação, no emprego ou na sala de aula. São indicadores alarmantes que constam do primeiro estudo nacional feito no Luxemburgo sobre racismo e discriminação.

Números que surpreenderam Jean Asselborn, ministro dos Negócios Estrangeiros que também estava presente na conferência de imprensa perante jornalistas dos órgãos de comunicação social do Luxemburgo. O governante recordou a década de 60 quando trabalhava no Gabinete da População. 

"Vi os primeiros portugueses que chegaram ao Luxemburgo e não tinham nada. Tivemos que fazer recolha de cobertores para dar-lhes os meios para viverem normalmente", descreveu Jean Asselborn. "Mas no desenvolvimento nas cinco últimas décadas, sem os portugueses, o Luxemburgo nunca seria o que é hoje", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros luxemburguês.

Para Jean Asselborn "a lei da dupla nacionalidade em 2009 trouxe grandes vantagens à comunidade portuguesa e houve dezenas de milhares de pessoas que beneficiaram desta lei, com vantagens para eles e também para nós".

O presidente da República foi muito "generoso quando falou do Luxemburgo e está muito orgulhoso desta relação, mas é preciso ver a face mais difícil da medalha que é a integração que não é automática, e aí devemos fazer esforços, nós e Portugal", considerou Jean Asselborn. "Não podemos dizer às pessoas venham para o Luxemburgo e que a vida está feita!", alertou o ministro.

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