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Governo afasta risco para saúde pública após fraude em matadouro
Alarme vindo da Bélgica levou as autoridades do Luxemburgo a procurar mais informações sobre um assunto que não está resolvido.

Governo afasta risco para saúde pública após fraude em matadouro

Foto: Guy Jallay
Alarme vindo da Bélgica levou as autoridades do Luxemburgo a procurar mais informações sobre um assunto que não está resolvido.
Luxemburgo 4 min. 15.03.2018

Governo afasta risco para saúde pública após fraude em matadouro

Paulo Jorge PEREIRA
Paulo Jorge PEREIRA
Várias superfícies comerciais luxemburguesas retiraram carne suspeita devido a falsificações na empresa belga Veviba. Parlamento coloca dúvidas. Ministros da Agricultura e da Saúde respondem.

Falsificação nas datas de congelamento da carne e irregularidades várias em mais de metade dos produtos submetidos a controlo foram algumas das razões que levaram as autoridades belgas a agir contra a empresa Veviba. Esta controla um matadouro – que continua aberto –, um espaço de corte e congelamento industrial de carne, tem base em Bastogne e fornece diversas grandes superfícies no Luxemburgo, mas os dois últimos espaços foram encerrados depois de serem detetadas as referidas atuações à margem da lei. Alertadas pelo escândalo que se iniciou com uma queixa oriunda do Kosovo, em setembro de 2016, várias superfícies luxemburguesas retiraram dos seus espaços os produtos com origem naquela empresa. Entretanto, a Agência Federal belga para a Segurança da Cadeia Alimentar (CSFA) revelava que o escândalo atingiu proporções de fraude organizada. O Governo do Grão-Ducado desenvolveu contactos com as autoridades do país vizinho e emitiu um comunicado em que procurou desdramatizar.

Perguntas no Parlamento

“No quadro da fraude detetada num estabelecimento de venda de carne, na Bélgica, as autoridades luxemburguesas estão em contacto permanente com as homólogas belgas. Por esta via, a nossa administração recebeu uma lista de produtos envolvidos nesta fraude e que foram enviados para diversos postos de venda no Luxemburgo. Todos os produtos foram retirados”, indica o documento.

Segundo o comunicado, peças como rabo de boi e carne picada estariam entre os produtos que foram alvo da fraude, mas o Executivo manifesta-se tranquilo. “Várias cadeias de supermercados, como princípio de precaução, procederam à retirada preventiva dos produtos vindos daquele estabelecimento belga que estavam à venda. De acordo com as informações recebidas das autoridades belgas, não existem riscos identificados para a saúde pública.”

Mas esta opinião não é unânime e, no Parlamento, o Governo foi de imediato colocado perante várias questões, dirigidas pela deputada Octavie Modert aos ministros da Agricultura, Fernand Etgen, e da Saúde, Lydia Mutsch.

Entre as questões suscitadas por Modert incluem-se a dúvida quanto à possibilidade de risco para a saúde pública e para os consumidores luxemburgueses; até que ponto o sistema de alerta rápido (RASFF) reagiu com a velocidade necessária às informações sobre o assunto; que tipo de medidas foram adotadas pelo Governo para se assegurar que todos os produtos eram retirados da venda ao público; através de que canais foram os consumidores informados; quantios animais saídos do Luxemburgo foram abatidos no matadouro em causa; quais poderiam ser as repercussões do encerramento do matadouro em causa no setor da carne no Luxemburgo.

Foto: Laurent Ludwig/Imagify

Respostas dos ministros

Nas respostas, os ministros não identificam riscos para a saúde dos consumidores, uma vez que “só uma pequena parte da carne em causa foi distribuída no país”. Por outro lado, reafirmam que o sistema de alerta rápido (RASFF) funcionou, deixando mesmo detalhes quanto à evolução da divulgação de dados e respetiva distribuição, logo no dia 8 deste mês, altura em que surgiu o alerta.

No dia seguinte, a divisão de Segurança Alimentar da Direção-Geral de Saúde analisou o caso e os serviços veterinários (ASV) foram avisados, contactando os talhos em causa para que verificassem a distribuição da carne. Entretanto, os contactos com as autoridades belgas foram regulares, de forma a que atualizações constantes pudessem realizar-se entre os dois Executivos.

Agentes de controlo contactaram as firmas que ainda tinham peças suspeitas e estas foram destruídas. Os ministros referiram ainda que, durante 2017, 1.400 bovinos do Luxemburgo foram enviados para o matadouro. Quanto à eventualidade de um encerramento do espaço em referência, “se este for encerrado, a carne será encaminhada para outros matadouros”, concluindo os ministros que o impacto no setor do Grão-Ducado será inexistente.


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