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Polémica nas eleições da maior associação de migrantes do Luxemburgo
Luxemburgo 3 min. 25.10.2021
CLAE

Polémica nas eleições da maior associação de migrantes do Luxemburgo

Com mais de 30 edições, o Festival das Migrações, Culturas e da Cidadania é uma das principais iniciativas do CLAE.
CLAE

Polémica nas eleições da maior associação de migrantes do Luxemburgo

Com mais de 30 edições, o Festival das Migrações, Culturas e da Cidadania é uma das principais iniciativas do CLAE.
Foto: Chris Karaba/LuxemburgerWort
Luxemburgo 3 min. 25.10.2021
CLAE

Polémica nas eleições da maior associação de migrantes do Luxemburgo

Madalena QUEIRÓS
Madalena QUEIRÓS
O Comité de Ligação das Associações de Estrangeiros (CLAE) tem um orçamento anual de 1,5 milhões de euros e deixou de ter representantes das maiores comunidades migrantes do Luxemburgo no seu comité executivo.

Polémica nas eleições para o novo comité executivo do Comité de Ligação das Associações de Estrangeiros (CLAE), a maior associação de representantes de migrantes no Luxemburgo. Tudo aconteceu a 5 de outubro. Quatro membros do antigo conselho executivo dizem que foram cometidas irregularidades nestas eleições.  

Confrontado com estas acusações, numa nota assinada por Anite Helpique, diretora do CLAE e Claudine Scherrer, co-diretora esclarece-se que “não foram registadas quaisquer irregularidades exceto a tentativa de cooptar um antigo diretor antes do resultado da votação ter sido anunciado” no ato eleitoral. Nessa nota diz-se ainda que “o processo eleitoral do novo Comité Executivo foi supervisionado por uma comissão eleitoral de 9 pessoas validada pela assembleia geral, que se encarregou de verificar a lista de candidatos, contar os boletins de voto e totalizar os votos”.

“Foi um verdadeiro golpe de estado”, sublinha António Valente, ainda vice-presidente e que foi impedido de votar, alegando que representava uma associação não inscrita no CLAE. “Ao chegar à sala da assembleia-geral fiquei surpreendido pois conheço quase todas as associações e dirigentes associativos e quase não conheci ninguém”, acrescenta António Valente.

“A maioria das associações que votou, inscreveu-se recentemente e era constituída por dois ou três elementos e foi convidadas expressamente para votar e afastar os atuais dirigentes” afirma Furio Berardi, ainda vice-presidente do CLAE.  Em três meses 38 novas associações surgiram na plataforma CLAE. Se em junho havia 150 em 30 de setembro já eram 188. 

Em nota, a direção da organização responde que “O CLAE tem vindo a experimentar uma grande dinâmica a nível associativo há vários anos - muitas associações representativas de novas migrações foram criadas e registadas em torno das suas ações”, o que faz com que se reflitam “na composição do CLAE”, sublinham. O que conduz a que a dada altura, “as associações da primeira geração são logicamente levadas a dar e a partilhar um lugar com a geração seguinte”.

Antiga comissão executiva denuncia “outras irregularidades”

No total 31 pessoas foram eleitas. Há sete representantes da comunidade guineense entre os eleitos e não há representantes de associações de emigrantes portugueses ou franceses, as maiores comunidades migrantes no Luxemburgo.


Entre os lusófonos houve ainda a eleição do português Jorge Manuel Gonçalves dos Santos, da associação Smiley Kids.
Guineenses em peso nas eleições do CLAE
O CLAE reúne 188 associações no Luxemburgo com ligação aos imigrantes.

No final, o atual presidente, Sosthène Lembella, disse ao Contacto que  foi impedido de consultar os resultados da assembleia geral. O que viola o artigo 17 deste articulado em que se estabelece que “as deliberações da Assembleia- Geral são comunicadas aos membros consignados no registo disponível no seio da associação. Ele pode ser livremente consultado por membros e por terceiros”. 

“Há quem fale de um golpe de estado porque a eleição não foi democrática, foi dirigida, nas no momento não tínhamos nenhuma forma de provar que a eleição estava a ser manipulada”, sublinha Furio Berardi .

Em resposta, os representantes da direção afirmam que “uma grande maioria dos membros não desejava renovar o seu mandato - apenas 14 pessoas, incluindo 8 antigos diretores, apresentaram a sua candidatura e foram eleitas 5 pessoas do antigo comité”. Acrescentam que “estas alegações não podem ser feitas pela totalidade do antigo comité executivo, que só teve alguns membros na sua última reunião.”

Os antigos dirigentes temem agora pelo futuro do CLAE, porque “nenhuma continuidade é assegurada entre o antigo e o novo conselho executivo”. diz António Valente. Mas garantem que vão criar um grupo que estará vigilante quanto ao futuro do CLAE.



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