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Ginásios no Luxemburgo precisam do ventilador do Estado
Luxemburgo 6 min. 21.05.2020

Ginásios no Luxemburgo precisam do ventilador do Estado

Sofian

Ginásios no Luxemburgo precisam do ventilador do Estado

Sofian
Luxemburgo 6 min. 21.05.2020

Ginásios no Luxemburgo precisam do ventilador do Estado

Álvaro CRUZ
Álvaro CRUZ
Estão fechados, pelos menos, até 31 de julho. Os ginásios continuam a pagar rendas e ordenados não sabendo quando e em que condições vão poder abrir. O setor, que é uma das grandes vítimas da pandemia, tenta usar as novas tecnologias para se manter vivo.

“Estamos a passar por grandes dificuldades desde que foi decretado pelo Governo o encerramento de ginásios e instalações desportivas. A carga salarial dos vários empregados e as despesas suplementares como a renda e a manutenção do espaço não fáceis de suportar para quem trabalha nesta atividade”, precisa Sophian Ait Bayahya, gerente do ginásio Pain World, em Gasperich, um dos mais conhecidos da capital.

O subsídio de desemprego parcial é uma ajuda importante, mas ainda assim está longe de cobrir as despesas que a grande maioria dos ginásios tem todos os meses.

“O que mais me preocupa é a situação dos nossos empregados. Recebemos 5.000 euros como ajuda do Estado, mas é manifestamente insuficiente para fazer face a tantas despesas. Felizmente que o senhorio a quem alugamos o espaço do ginásio tem sido bastante compreensível e tolerante em relação a toda esta situação. A renda mensal é de 23.000, mas ele tem-nos oferecido essa importante verba enquanto estivermos fechados. É realmente uma grande ajuda. Estou-lhe grato de todo o meu coração, porque se tivesse de pagar o aluguer na totalidade não sei o que faria à minha vida”.

No entanto, as condições de reabertura dos ginásios causam muitas dores de cabeça a quem trabalha no ramo e Sophian não é exceção.

“Penso muito em como vai ser o período pós-pandemia. Para quem é apaixonado pelo treino desportivo como eu, abria as portas já amanhã. No entanto, é preciso analisar a situação e adotar as melhores estratégias. Confesso que estou bastante cético sobre o assunto e com algum receio do futuro. Será que toda a gente vai regressar em massa como antes? Em que condições sanitárias poderemos reabrir os ginásios? Vai ser suficientemente rentável que permita cobrir as despesas que temos todos os meses? São questões para as quais ainda não tenho respostas e que me têm feito passar muitas noites sem dormir.”

Sophian assumiu a gerência do Pain World em setembro de 2019, com a ajuda do antigo patrão. Desde então, passou por uma fase de adaptação e adoção de novas estratégias, mas a pandemia veio interromper tudo, fazendo-o voltar à estaca zero.

“Tinha algumas ideias em mente para melhorar e harmonizar o funcionamento do ginásio, mas nem tive tempo de as colocar em prática. Interrompemos as mensalidades dos clientes, mas alguns continuam a pagar sem que nada lhes tenhamos pedido e a encorajar-nos, o que é um sinal bastante positivo. Inicialmente oferecemos aulas em ’live’ aos nossos clientes, mas agora são remuneradas para tentarmos ganhar algum dinheiro. Com a ajuda de um amigo e do meu pai estou a fazer algumas modificações nas nossas instalações. A loja de suplementos alimentares está em fase de acabamentos, assim como uma boutique de roupa e calçado desportivo. Quero aproveitar também para alargar e tornar o bar do ginásio mais completo e acolhedor para que as pessoas se sintam confortáveis e aproveitem o espaço de convívio antes e depois dos treinos. Quero aproveitar ao máximo o tempo em que estamos fechados e fazer eu mesmo os trabalhos que inicialmente deveriam ser feitos por uma empresa para que o regresso à atividade se faça da melhor forma possível para todos.”

Inicialmente prevista para o dia 18 de maio, a reunião entre os gerentes dos ginásios da capital e os responsáveis do pelouro desportivo da edilidade foi adiada para a próxima semana. Um encontro aguardado com impaciência por Sophian que mantém a esperança numa reabertura dos ginásios mais cedo do que inicialmente decretada pelo Estado, prevista a partir do início do mês de Agosto.

“Estou ansioso por discutir a nossa situação com os responsáveis da autarquia e até com colegas de outros ginásios, porque isto afeta a todos. Queremos saber em que condições vamos raebrir e que distâncias as pessoas deverão respeitar de máquina para máquina ou em espaços de treino comuns. Se deverão utilizar máscaras, como será a utilização dos balneários, entre outras coisas e também dar algumas sugestões. Mas o que eu queria mesmo é que pudessemos abrir mais cedo do que a data prevista. Já ouvi rumores de que os restaurantes vão abrir em breve. Se isso for verdade, então nós também deveríanos poder abrir”, reclama.

Com o período normal de férias de verão bastante comprometido, Sophian mantém a esperança de que os próximos meses possam vir a ser bastante favoráveis para angariar novos clientes.

“O facto de provavelmente muitas piscinas poderem ainda estar encerradas e as viagens para outros países limitadas, pode ser positivo. Acredito que as pessoas possam aos ginásios vir praticar desporto com mais assiduídade e assim ganharmos novos clientes.”

Sophian tem a sorte de não pagar a renda, mas a esmagadora maioria dos outros ginásios são confrontados com o pagamento integral das mesmas, muitas delas também bastante avultadas.

“Tenho conhecimento de colegas que também têm ginásios e estão a sofrer imenso. Aqui e em França. Alguns estão literalmente entre a espada e a parede. Devido ao desespero, alguns já equacionam fechar as portas porque em cada dia que permanecemos fechados perde-se muito dinheiro e cada vez é mais difícil recuperá-lo. Tenho mulher e filhos para sustentar e nem todos têm um pé de meia para situações destas, que até há umas semanas era impensável. E mesmo aqueles que têm algumas reservas, elas acabam por se esgotar se continuarmos fechados”, conclui Sophian que continua a trabalhar nas obras de melhoramento do seu ginásio, aguardando por melhores dias.

Uma crise que toca a todos

Outro dos ginásios que se encontra encerrado é a Academia Impulse Fitness, em Dudelange.

Mais pequeno que o Pain World, é gerido por Fariz Selimovic e o irmão, com a ajuda do pai. A renda não é tão grande, mas as perdas também são significativas para a família que está à beira de um ataque de nervos.

“Esta crise afeta toda a gente, mas mais a uns do que a outros. Há alguns setores da economia já reabriram e outros preparam-se para o fazer. Mesmo que não seja na totalidade, pelo menos vão ganhando algum dinheiro, mas nós, nada, zero”, lamenta, abanando a cabeça.

“Antes da pandemia estávamos em pleno ’boom’ e a conquistar clientes todos os dias. Como o ginásio não e assim muito grande o ambiente era familiar e as coisas estavam a correr muito bem. Agora, continuamos sem respostas e com medo do que o futuro nos poderá reservar. As ajudas do Estado são bem vindas, é verdade, mas manifestamente inferiores para cobrir os custos que temos todos os meses com rendas e outras despesas que devemos honrar e que no total atingem vários milhares de euros. Estamos esperançados que o Governo autorize a abertura dos ginásios o mais breve possível, porque temos de voltar a ganhar dinheiro para sustentar as nossas famílias. Cerca de 350 pessoas frequentam o nosso espaço e quase todos os dias muitas delas perguntam-nos quando abrimos e não sabemos responder.”

Mas as dúvidas de Fariz Selimovic não se ficam por aqui. O período pós-pandemia continua uma incógnita para os proprietários de ginásios e não só.

“Parece que as coisas com o vírus estão a acalmar, mas não sabemos como as pessoas vão reagir ao certo. Acredito que os verdadeiros desportistas tenham uma grande vontade de regressar à sua atividade física, mas muitos outros poderão ter medo de ser infetados. São coisas que não podemos controlar. Vamos aguardar pela resposta do Governo que deverá ser divulgada nos próximos dias. Até lá, resta-nos esperar que tudo volte à normalidade o mais rapidamente possível”.

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