Escolha as suas informações

Gente do Luxemburgo. Luis Carvalho, 55 anos, cabo-verdiano, português e luxemburguês
Luxemburgo 2 min. 08.10.2019

Gente do Luxemburgo. Luis Carvalho, 55 anos, cabo-verdiano, português e luxemburguês

Gente do Luxemburgo. Luis Carvalho, 55 anos, cabo-verdiano, português e luxemburguês

Luxemburgo 2 min. 08.10.2019

Gente do Luxemburgo. Luis Carvalho, 55 anos, cabo-verdiano, português e luxemburguês

Tiago FIGUEIREDO
Tiago FIGUEIREDO
Lá em casa éramos oito, o meu pai trabalhava na fábrica da Quimigal, não ganhava muito. Passávamos dificuldades. Com 14 anos comecei a trabalhar nas obras, depois na serralharia.

A história da nossa família foi sempre a emigrar, a emigrar, a emigrar estes anos todos. Nasci em Cabo-Verde e vivi lá a infância, mas quando tinha 8 anos, o meu pai viajou sozinho para Portugal. Não se adaptou muito bem, tinha saudades, e regressou à Ilha de Santiago. Mas dois anos depois insistiu e levou a família toda atrás dele. Quando cheguei a Portugal, comecei a trabalhar muito cedo para ajudar o meu pai. Enfim… Lá em casa éramos oito, o meu pai trabalhava na fábrica da Quimigal, não ganhava muito. Passávamos dificuldades. Com 14 anos comecei a trabalhar nas obras, depois na serralharia. Nessa altura eu estava no Liceu e ainda tentei conciliar com os estudos inscrevendo-me à noite, mas passado dois anos já não deu mais. Não cheguei a acabar o 8º ano e fiquei só a trabalhar.

Então uma tia nossa que já vivia no Luxemburgo há alguns anos começou a convencer-nos a virmos para cá. Primeiro veio a minha mãe, a seguir as minhas irmãs mais novas e um ano depois vim eu. A família veio quase toda, uns atrás dos outros, outra vez. Eu tinha 20 anos.

Os primeiros tempos de integração foram difíceis porque antes a gente não tinha facilidade de ter os documentos logo na primeira fase. Apesar de ter já a cidadania portuguesa, naquela altura não servia de nada ainda porque Portugal não estava na CEE. Portanto, estava ilegal, mas comecei a trabalhar em empresas de limpeza. Depois consegui mudar para a serralharia, que era o meu ramo e era um pouco mais bem pago. Voltei a estudar e consegui terminar a minha formação cá, no liceu técnico.

Mais tarde, tirei um curso de cozinheiro e, em 1988, abriram concurso para um lugar de cozinheiro na cantina da Comissão Europeia. Portugal tinha entrado na CEE dois anos antes e eu já tinha a dupla-nacionalidade cabo-verdiana e portuguesa. Candidatei-me ao lugar e consegui o emprego. Ainda estou lá e vou ficar porque já estou quase a chegar à reforma. Entretanto, adquiri a tripla-nacionalidade. Sou cabo-verdiano, português e luxemburguês.

O Metissage é um negócio de família que abrimos em março de 2012. Até ao ano passado acumulei o trabalho na Comissão Europeia e aqui no Metissage. Trabalhava oito horas na Comissão Europeia e depois aqui no Metissage mais oito horas. Mas no ano passado fui diagnosticado com diabetes e tive de abrandar. Estava muito acelerado e estava a ver que ia prejudicar a minha saúde. Como o meu pai morreu em 2016 com o mesmo problema, tive medo. Gostava de, ao menos, já que estou quase lá a chegar, aproveitar a minha reforma. Ao menos, aproveitar um bocadinho.


Siga-nos no Facebook, Twitter e receba a nossa newsletter das 17h30.


Notícias relacionadas

Félix Braz. "Para a geração mais antiga eu não sou o ministro, sou o filho do Braz"
Félix Braz está bem-disposto. No gabinete do Ministério da Justiça que já ocupava nos últimos cinco anos, mostra a sua nova fotografia na página do Governo, tirada nesse mesmo dia. "Aproveitem que hoje fiz a barba e tenho uma gravata bonita", diz. A gravata tem as cores da campanha de imagem do Luxemburgo, "Let’s make it happen". "Fui eu que a comprei", apressa-se a dizer o recém-empossado número dois do Governo. Uma entrevista em que recorda o pai, fala da infância na escola e admite as dificuldades que teve para se definir como português ou luxemburguês.